MA quer tomar do Meio Ambiente o controle sobre o setor de florestas plantadas

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, resolveu reivindicar internamente o controle sobre as decisões do setor de florestas plantadas. “É um pedido justo e razoável de um setor que contribui muito para o agronegócio. Vou levar isso adiante com a presidente Dilma Rousseff”, informou Rossi.

As normas e regras para o segmento estão hoje sob o comando do Ministério do Meio Ambiente. A disputa pelas florestas plantadas ganha relevância em razão do volume de investimentos, nacionais e estrangeiros, e das discussões ambientais, sobretudo as questões vinculadas à reforma do Código Florestal Brasileiro. As empresas do segmento projetam investir R$ 14 bilhões no plantio de florestas e aquisição de terras até 2014. Estima-se a necessidade de até 2 milhões de hectares.

Apoiado pela Abraf (Associação das Empresas Florestais), que inclui Votorantim, Gerdau, Veracel, Ripasa, Suzano, Duratex, Acesita, Stora Enso e Klabin, o ministro avalia que a transferência de ministério reduziria as amarras burocráticas e daria mais visibilidade ao setor.
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A redução da produtividade e da democracia. Entrevista com Ulrich Beck

A globalização é um bumerangue. Ontem, as nossas empresas o lançavam entusiastas rumo às deslocalizações chinesas ou do Leste Europeu, hoje volta para trás e cai na cabeça dos trabalhadores italianos. Um preço que já haviam pago antes, perdendo o posto em favor de operários estrangeiros. Agora, fazem de novo, com a chantagem quase dentro de casa: essa é a nova oferta, pegue ou largue. A reportagem é de Riccardo Staglianò, publicada no jornal La Repubblica, 10-01-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

É uma pena, observa Ulrich Beck, um dos maiores sociólogos vivos, que essa alternativa brutal seja o remédio para a futura irrelevância da nossa indústria. Porque quanto mais se cortam os direitos, mais se reduz a identificação do funcionário com quem oferece o trabalho. E, em último lugar, se retraem a produtividade e a criatividade, as únicas armas sensatas que nos restam para competir com os países emergentes.

Teorizando sobre a “sociedade do risco”, o estudioso alemão esteve entre os primeiros que nos colocaram em guarda contra a ilusão que os problemas distantes não nos tocassem. Perguntamos-lhe, portanto, agora que coube a Pomigliano e depois a Mirafiori, como o caso Fiat e os seus aparentemente inexoráveis ultimatos nos ajudam a pensar sobre a crescente separação entre capital e democracia. Eis a entrevista. Continue lendo “A redução da produtividade e da democracia. Entrevista com Ulrich Beck”

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Comparato: Que o governo Dilma não se acovarde diante da mídia


Fábio Konder Comparato
Fábio Konder Comparato
Engajado na luta pela democratização da comunicação, o jurista e professor Fábio Konder Comparato decidiu provocar o governo, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal a tratarem do tema. Ele é autor de três ações diretas de inconstitucionalidade por omissão (ADO), contra o Congresso Nacional, que até hoje não regulamentou os artigos da Constituição de 1988 que tratam da comunicação.

Por Joana Rozowykwiat

“Nossa Constituição é uma brilhante fachada, por trás da qual se abre um enorme terreno baldio”, diz Comparato, em entrevista ao Vermelho. Segundo ele, ao longo desses 22 anos, grande parte dos parlamentares tem cedido à pressão do que ele chama de “oligopólio empresarial que domina o mercado de comunicação”, sempre interessado em perpetuar a falta de rédeas no setor.

Com as ADOs, o jurista pretende que os parlamentares se pronunciem sobre temas ainda em aberto na legislação brasileira, como a garantia do direito de resposta nos meios de comunicação; a proibição do monopólio e do oligopólio no setor; e o cumprimento, pelas emissoras de Rádio e TV, de alguns princípios que devem reger a programação. Continue lendo “Comparato: Que o governo Dilma não se acovarde diante da mídia”

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O mercado sobe o morro – entrevista com Itamar Silva

Itamar: "O Estado sempre entrou e negociou com o tráfico. E, de certa forma, fortaleceu o poder do tráfico nesses territórios"

Coordenador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e do grupo Eco, criado em 1976, Itamar Silva nasceu e mora na favela Santa Marta, na zona sul do Rio de Janeiro. Desde os anos 1970 participa dos movimentos sociais e chegou a ser presidente e diretor da Associação de Moradores ao longo da década de 80. De fala calma e comedida, só altera o tom ao comentar o Jeep Tour, que leva turistas para visitar a favela: “Coisa meio de zoológico, com a qual eu tenho uma implicância absoluta!”

Nesta entrevista, ele observa que a discussão da UPP Social – de prever a elaboração sistemática de políticas públicas que satisfaçam as demandas das populações dos morros historicamente abandonados pelo Estado – é uma contribuição das comunidades. Por intermédio de sua pressão organizada, a política das Unidades de Polícia Pacificadoras deve evoluir para algo que efetivamente funcione na construção da paz nos ambientes dominados pela violência, dos bandidos e da polícia. Continue lendo “O mercado sobe o morro – entrevista com Itamar Silva”

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Meios de comunicação do país ainda não incorporaram negros


Marcelo Pellegrini | Agência USP

A baixa participação da população negra nas programações e propagandas veiculadas nos grandes meios de comunicação de massa no Brasil podem significar menores oportunidades de trabalho e alimentar um preconceito racial velado no país, aponta estudo realizado na Faculdade de Direito (FD) da USP. Para o pesquisador Osmar Teixeira Gaspar, responsável pelo trabalho, “ter visibilidade acarreta algumas possibilidades ao longo da vida e a falta dela também pode criar um ideário popular de que determinadas funções devem ser ocupadas por determinados estereótipos”.

Segundo o pesquisador todo material publicitário atualmente ainda é feito com um recorte racial, assim como algumas telenovelas. “Você raramente vê algum médico ou cientista negro nas telenovelas, isso faz um garoto negro pensar que, devido à sua cor, jamais poderá participar daquele universo branco e exercer aquelas funções. Esta censura midiática desperdiça e marginaliza talentos”, afirma Gaspar. “Isso não incentiva negros a almejar determinadas profissões.”

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Terreiros contra o preconceito

Adeptos de religiões de matriz africana iniciam movimento para conscientizar a sociedade de que não são seitas que cultuam o mal e reivindicam mais respeito

Luciana Passos

Mesmo sendo legais no Brasil, as religiões de matriz africana ainda sofrem preconceito de outros segmentos religiosos. De acordo com a representante da Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu), em Juazeiro, Ioná Pereira, o preconceito maior é por parte dos evangélicos que segundo ela ainda possuem a mente muito fechada. “Eles veem as religiões afrodescendentes como seitas que trabalham buscando o mal”, declarou.

De acordo com Ioná, que é adepta do candomblé, esse preconceito é demonstrado no dia a dia através de gestos, palavras e ações. “As pessoas se recusam a ficar perto da gente quando percebem somos do candomblé, outros não deixam que seus filhos se aproximem ou convivam conosco, alguns se benzem quando passamos, além disso, ouvimos muitas indiretas com comentários maldosos”, informou.

A mãe de santo Euzinha confirma as atitudes preconceituosas citadas por Ioná, mas destaca que elas já foram bem mais intensas alguns anos atrás. Segundo a mãe de santo, quando ela entrou no candomblé, precisava esconder sua identidade para ser aceita nas casas. “Para muitas pessoas eu era conhecida como a filha da lavadeira, para comprar velas em grande quantidade era preciso encontrar uma forma de não chamar atenção, além disso, tinha que realizar meus rituais de portas fechadas”, desabafa.

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Morre mais um trabalhador rural em área de conflito

Antonio Plínio, liderança do movimento pela regularização fundiária das áreas de fundo de pasto, em Monte Santo, Bahia, foi assassinado no dia 6 de janeiro em sua propriedade.

O trabalhador rural Antonio do Plínio é mais uma vítima de conflito no campo. Ele foi assinado no município de Monte Santo – BA e ao que tudo indica resultado de um conflito agrário na comunidade de fundo de pasto da Serra do Bode. Foi morto a tiros e segundo informações ainda não confirmadas, teve a cabeça degolada, num ato de crueldade que deixa pistas sobre a verdadeira intenção dos algozes: silenciar pelo medo os trabalhadores rurais que resistem às tentativas de grilagem das áreas de Fundos de Pasto na região. Antônio do Plínio se destacava como liderança no movimento pela regularização fundiária das áreas de fundo de pasto da região. Ele foi encontrado morto em sua propriedade na noite de 6 de janeiro.
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Em tribo no Maranhão, índias amamentam animais

Em tribo no Maranhão, índias amamentam animais. Eles mantêm tradição de contato próximo com a natureza.

Os Awá-Guajá são uma das últimas tribos nômades das Américas. Em sua reserva, no noroeste do Maranhão, eles mantêm a a tradição de contato próximo com os animais. O filhote de cutia é alimentado com o fruto do babaçu. E o de macaco é amamentado pelas índias.

“O Awá-Guajá é um povo muito único. E essa relação que eles têm com o bicho, ele passa a ser membro da família”, conta Bruno Fragoso, coordenador de Índios Isolados da Funai. A índia Tapanií explica que quando o macaco órfão que ela adotou ficar maior e mais agressivo, ela o soltará na mata. É na floresta que a vida dos Awá-Guajá se renova e também corre risco no encontro com invasores. Continue lendo “Em tribo no Maranhão, índias amamentam animais”

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Argentina: Protesta indígena en Buenos Aires

Foto: Carolina Gil Posse

Integrantes de la comunidad originaria qom (toba) de la provincia argentina de Formosa continúan acampando en la avenida 9 de julio, en la ciudad de Buenos Aires, en reclamo por la restitución de las tierras en las que habitaron sus antepasados —que les fueron reconocidas como propias mediante un decreto de 1940 del Poder Ejecutivo—, en donde el gobierno provincial quiere construir una universidad.

Además, piden el procesamiento y castigo de los responsables de la represión del 23 de noviembre pasado, cuando integrantes de la comunidad qom La Primavera fueron desalojados del corte pacífico que realizaban en la ruta nacional 86 por la policía provincial de Formosa. Durante el violento desalojo, murieron un integrante de la comunidad qom y un policía, y varios de los manifestantes resultaron heridos.

“Nos quedamos cuatro meses ahí, en la ruta, y ningún político nos ayudó. El motivo era recuperar las tierras y nuestros derechos como indígenas, a nivel provincial y nacional”, explicó José Esteban, que participó de aquel reclamo a la vera de la ruta —que se extendió por cuatro meses— y es uno de los integrantes de la comunidad qom que están acampando en el centro de Buenos Aires.

“Los policías sacaron armas y cayó el hermano Roberto López. A las 5 de la tarde, falleció. A los heridos, los maltrataron. Estaban en celdas y, cuando querían dormir, les tiraban agua fresca con hielo. A un hermano le dieron un balazo en el hombro e igual le apretaban. Viendo que estaba herido, no lo respetaban nada”, agregó.

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Dendê no Pará: desmatamento e pressão sob comunidade

Conflito rural envolve 150 famílias de ribeirinhos, que reivindicam título de área arrendada pela Palma Amazônia, em Moju (PA). Desmatamento de floresta nativa foi autorizado (e depois suspenso) pelo governo estadual

Por Verena Glass, do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis

O Brasil teria 31,8 milhões de hectares disponíveis para o plantio de dendê, de acordo com o Zoneamento Agroecológico da cultura. Desse total, quase 30 milhões de hectares estão na Amazônia Legal.

Para prevenir problemas ambientais e sociais, principalmente o desmatamento ilegal de florestas nativas e o despejo de famílias e comunidades, os governos federal e do Pará (maior estado produtor de dendê do país) adotaram o Programa de Produção Sustentável de Palma de Óleo, que estabelece limitações geográficas e de manejo para o cultivo.

Um dos itens do acordo é a “vedação de supressão, em todo o território nacional, de vegetação nativa para o plantio de palma”. Ou seja, segundo a regulamentação proposta, o plantio só seria permitido em áreas desmatadas até 2007, indicadas pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); unidades de conservação (UCs) e terras indígenas (TIs) seriam zonas de exclusão do cultivo da palma de dendê.
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