Os ideais da esquerda não estão mais em sintonia com a evolução das sociedades contemporâneas marcadas pela ascensão do individualismo consumista e pelo retiro hedonista na esfera privada. Em suma, estamos vivendo tempos de direita. A opinião é de Lefebvre Rémi, professor de Ciência Política na Universidade de Lille II, em artigo no Le Monde Diplomatique Brasil, 06-05-2011. Eis o artigo.
A esquerda, tanto a radical como a reformista, não tem se beneficiado com a crise financeira nem com o questionamento do liberalismo econômico que parecia surgir. Nas eleições européias de 2009, enquanto o capitalismo financeiro parecia ideologicamente fragilizado, a social-democracia registrou uma derrota histórica. Do outro lado do Atlântico, um vento de direita soprou sobre as eleições de meio-mandato, que viram o partido do presidente Barack Obama perder sua maioria na Câmara dos Deputados.
Esse declínio das esquerdas a partir da década de 1990 dá credibilidade à teoria da ‘direitização’ das sociedades ocidentais, que floresceu em alguns círculos políticos e intelectuais que tinham sido amplamente mobilizados para explicar, em termos de hegemonia cultural, a eleição de Nicolas Sarkozy em 2007. Não foi o próprio presidente que invocou Gramsci para se felicitar por ter ganhado a batalha cultural, antes de qualquer vitória eleitoral?
De acordo com essa leitura, os ideais da esquerda não estariam mais em sintonia com a evolução das sociedades contemporâneas marcadas pela ascensão do individualismo consumista e pelo retiro hedonista na esfera privada. O “significado da história” de alguma forma invalidaria os seus próprios princípios, retornando a uma forma de arcaísmo e obsolescência. Em suma, estamos vivendo tempos de direita. Continue lendo ““Estamos vivendo tempos de direita””