Enfrentamento ao racismo e consciência negra: e a comunicação com isso?

negra cervejaEm pleno século XXI, o racismo midiático elabora e reforça os preconceitos, legitimando a invisibilidade, a inferiorização e a estigmatização da população negra nos meios de comunicação de massa

Por Cecília Bizerra Sousa*,  da Intervozes, na Carta Capital

Hoje é 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra. Dia em que Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, foi perseguido e morto, no ano de 1695. Embora a data venha sendo lembrada há tempos pelo Movimento Negro, apenas em 2003 foi reconhecida oficialmente pelo Estado brasileiro, por meio da Lei n°10.639, que inclui a data no calendário escolar nacional. E só em 2011 a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei n° 12.519, que cria oficialmente a data, sem obrigatoriedade de feriado. Mesmo assim, um total de 1.047 municípios já decretou feriado para o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

Para além da reflexão sobre a contribuição que a população negra teve e tem na construção da sociedade, da economia e da cultura brasileiras, a data serve também para lembrar que a desigualdade racial é estruturante na formação da nossa sociedade, e que o desenvolvimento de políticas de enfrentamento ao racismo e de promoção da igualdade racial são primordiais. Continue lendo “Enfrentamento ao racismo e consciência negra: e a comunicação com isso?”

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A hybris do ‘ponto zero’ e o ‘autismo científico’

Por José de Souza Silva*

Poderia ser o “dia da arrogância científica”, mas este foi apropriado por Zander Navarro com Fadas, duendes e agricultura publicado no Estado de São Paulo (30/10). Melhor designá-lo como o dia do ‘autismo científico’. O autismo é um transtorno global do desenvolvimento que ocorre na infância e institui um mundo particular para alguém que passa a operar dentro de seus limites. O caso desse autor revela um novo tipo de autismo, o ‘autismo científico’. Este é um transtorno no sistema de verdades, sobre o que é e como funciona a realidade, que ocorre entre cientistas durante sua (de)formação profissional. Cientistas afetados vivem num mundo especial e não operam fora dele. O fenômeno pode ser entendido a partir do significado da hybris (ou hubrys) do ‘ponto zero’.

O filósofo colombiano Santiago Castro-Gómez explica que a ideia de ciência moderna supõe um conhecimento que nega seu lugar de enunciação para legitimar sua neutralidade e universalidade. Mas é essa pretensão de autoridade absoluta que constitui a mais radical das posições políticas. A aspiração de universalidade nega outras formas de conhecer e intervir e transforma o detentor da razão e da verdade no legítimo porta voz de todos. A hybris é a prepotência do ‘ponto zero’ (não-lugar), a arrogância de quem nega seus interesses humanos, posição política e subjetividade para falar em nome de todos. Zander vive no ‘ponto zero’. Isso o autoriza a definir quem pode ou não enunciar certas verdades, discernir entre o certo e o errado, distinguir o falso do verdadeiro e separar o joio do trigo. Ele vive na Casa de Salomão que Bacon propôs em Nova Atlântida, a ciência organizada que cria as verdades com as quais o Estado governaria a sociedade. Continue lendo “A hybris do ‘ponto zero’ e o ‘autismo científico’”

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MA – Justiça Federal garante execução do Luz Para Todos no Quilombo Barro Vermelho

Quilombo Barro Vermelho Foto: Igor Almeida
Quilombo Barro Vermelho
Foto: Igor Almeida

Por Igor Almeida, no Blog Outros Olhares

Em decisão prolatada nos autos de Ação Civil Pública que tramita perante a 3ª Vara Federal da Seção Judiciária do Maranhão, o Poder Judiciário deferiu tutela antecipada, determinando que em até 60 (sessenta) dias, a UNIÃO, a CEMAR e a ELETROBRÁS-ELETRONORTE tomem as medidas necessárias para a implantação do Programa Luz Para Todos na comunidade quilombola de Barro Vermelho, município de Chapadinha.

A Ação Civil Pública foi ajuizada pela Defensoria Pública da União no Maranhão (DPU-MA) após Representação protocolada neste órgão pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos – SMDH, que acompanha o processo de regularização fundiária da comunidade desde 2007.

A SMDH ingressou com a Representação junto à DPU-MA após várias denúncias da comunidade de que o suposto proprietário da área estaria impedindo (e algumas vezes, ameaçando) as empresas terceirizadas pela CEMAR de executarem os serviços de implantação do Programa. Ressalte-se que as cerca de 20 famílias beneficiadas pela decisão da Justiça Federal já estavam incluídas no plano de obras do 6º contrato previsto para ser executado ainda no ano de 2012, segundo informações do Comitê Gestor do Programa no Maranhão. Continue lendo “MA – Justiça Federal garante execução do Luz Para Todos no Quilombo Barro Vermelho”

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Darcy Ribeiro explica a desvantagem histórica do negro em relação ao branco

Negros libertos em Porto Alegre em 1895. (Foto de Herr Colembusch. Acervo Ronaldo Bastos)
Negros libertos em Porto Alegre em 1895. (Foto de Herr Colembusch. Acervo Ronaldo Bastos)

Por Cynara Menezes, em Socialista Morena

Uma das maiores balelas do discurso anti-cotas no Brasil é que as políticas de ação afirmativa não se justificam porque “todos são iguais perante à lei”. Iguais como, se uns saíram na frente, com séculos de vantagem, em relação ao outro? As cotas vieram justamente para ser uma ponte sobre o fosso histórico entre negros e brancos. Para dar aos negros condições de alcançarem mais rápido esta “igualdade” que alguns insistem que já existe.

Ninguém melhor do que o antropólogo Darcy Ribeiro, grande inspirador deste blog, para explicar como esta “igualdade” de condição nada mais é do que uma falácia por parte de quem, no fundo, deseja perpetuar as desigualdades raciais em nosso país. Os trechos que selecionei são do livro O Povo Brasileiro (Companhia das Letras), cuja leitura recomendo fortemente. Deveria ser obrigatório em todas as escolas. Atentem para um detalhe: reconheçam no texto de Darcy os futuros meninos de rua. (Leia também o texto que postei ano passado, aqui.)

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O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (completo)

Postado por Daniel C. Valentim:

Resgate da memória e da história da comunidade religiosa do Caldeirão, liderada pelo beato José Lourenço, que se organizava em moldes comunitários primitivos. Depois de alcançar grande progresso, a comunidade foi destruída pela polícia cearense e pelo bombardeio de aviões, em 1936, deixando mais de 2 mil camponeses mortos. A partir dos depoimentos dos remanescentes e dos símbolos da cultura popular, o filme faz uma reflexão sobre o poder, a liberdade e a luta pela terra.

Gênero: Documentário. Diretor: Rosemberg Cariry. Duração: 96 minutos. Ano de Lançamento: 1985. País de Origem: Brasil. Idioma do Áudio: Português. IMDB: Não cadastrado.

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Martírio: um filme que o Brasil precisa ver

Cena do filme Martírio, fime sobre o drama dos povos Guarani e Kaiowa, em produção pela organização Vídeo nas Aldeias que busca financiamento coletivo para sua conclusão
Cena do filme Martírio, filme sobre o drama dos povos Guarani e Kaiowá, em produção pela organização Vídeo nas Aldeias que busca financiamento coletivo para sua conclusão

Organização Vídeo nas Aldeias promove financiamento coletivo para realizar filme sobre a luta por sobrevivência dos povos Guarani e Kaiowa

Por Felipe Milanez, Carta Capital

A história dos povos indígenas guarani e kaiowa no Mato Grosso do Sul tem ganhado ares dramáticos nos últimos anos, apesar de ser um longo sofrimento o contato desses povos com a sociedade nacional, especialmente as frente do agrobusiness que se instalaram lá a partir do final dos anos 1970 e 1980. Com a chegada da monocultura da soja e da cana, sobrepostas à pecuária, a convivências dos índios com os fazendeiros se tornou um filme de terror. Lideranças são assassinadas anualmente, de forma sistemática. E o último caso que provocou revoltas nas redes sociais foi a invasão dos fazendeiros à sede da FUNAI, quando uma senhora grita: “Morram todos”. Para essa ameaça, os índios já deram resposta em carta que provocou comoção ano passado: “Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação/extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar nossos corpos”. Continue lendo “Martírio: um filme que o Brasil precisa ver”

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Momentos que vale socializar… [e no facebook!]

São Fracisco com Spix e Martius

A respeito de uma notícia sobre o assoreamento do São Francisco, Ana Magda Carvalho compartilha a imagem acima e escreve: “O São Francisco já foi isso, duzentos anos atrás. Na imagem, os viajantes e naturalistas Spix e Martius apreciam a beleza do rio”. Agradeço a ilustração maravilhosa, que não conhecia, e “chamo” Ruben Siqueira, para vê-la. E ele completa:

E sobre isto, assim escreveram Martius e Spix: “Ressoam aqui, na mais alvoroçada celeuma grasnada, chiados e gorjeios sem fim dos mais diversos gêneros de aves, e, quanto mais observávamos o raro espetáculo, em que os animais, com a nata independência e vivacidade, sozinhos representavam os papéis no espetáculo da natureza, tanto menos vontade sentíamos de perturbar, com mortíferos tiros, aquele cenário pacífico da natureza. … Parecia-nos ter-se renovado o quadro da criação do mundo diante dos nossos olhos, e esse maravilhoso espetáculo nos teria ainda mais agradavelmente impressionado, se não ocorresse o pensamento de que a guerra, a eterna guerra, era a lei e misteriosa condição de toda existência animal. As inúmeras espécies de aves aquáticas e paludícolas aqui se agitavam, umas no meio das outras, descuidadas, perseguindo cada qual seu gênero de presa, de insetos, rãs e peixes e cada qual sendo procurada por seu próprio inimigo”. (Martius e Spix, 1981, vol. II, pp. 88-9). 

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Nota de Repúdio da Associação União das Aldeias Apinajé – PEMPXÀ

PempxaNós diretores, (caciques), Conselhos Deliberativo e Consultivo da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ,somando 40 pessoas reunidas nos dias 17 e 18 de novembro de 2013, na aldeia Areia Branca, terra indígena Apinajé, município de Tocantinópolis, Estado do Tocantins, Brasil, para tratar de assuntos de interesse de nosso povo.  Vimos à público manifestar nossa preocupação com as ameaças de intervenção de Agentes da Polícia Federal nessa terra indígena para resgatar um veículo que se encontra retido na aldeia Palmeiras. E alertar a sociedade, a imprensa e os demais Órgãos da Administração Pública Federal, sobre os riscos de confrontos entre a Polícia Federal e as comunidades Apinajé, se essa intervenção acontecer.

Informamos que em 2008 o senhor Coordenador da FUNAI, Cleso Fernandes de Moraes fez algumas promessas às famílias da aldeia Palmeiras.  Depois de (5) cinco anos sem ver as promessas cumpridas, os moradores da citada comunidade como forma de chamar o Coordenador para dialogar e explicar as providências que pretende tomar para cumprir o que prometeu, detiveram uma viatura que se encontra em poder da comunidade até hoje.

Logo que a viatura foi detida o senhor Coordenador Cleso foi devidamente comunicado da ocorrência pelo Coordenador Técnico Local da FUNAI/CTL de Tocantinópolis (TO), senhor Bruno Aluísio Braga. Em seguida o senhor Cleso Fernandes de Moraes foi convidado pela comunidade indígena para comparecer na aldeia Palmeiras; dar explicações sobre as promessas feitas e levar a viatura. Passados mas de (6) seis meses e o Coordenador do “Órgão Indigenista” nunca apareceu na terra indígena para conversar com os caciques e solucionar o problema. Continue lendo “Nota de Repúdio da Associação União das Aldeias Apinajé – PEMPXÀ”

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Injustiças sociais e ambientais praticadas no entorno do Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS)

suape

Por Heitor Scalambrini Costa – Coordenação do Fórum Suape Espaço Sócioambiental

A tolerância dos Poderes constituídos em Pernambuco em relação às injustiças sociais e ambientais praticadas no entorno do Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS) tem agravado as tensões naquele território, tornando-o uma verdadeira “panela de pressão” social e ambiental.

Onde hoje se localiza o CIPS – com mais de 130 fábricas espalhadas em um território de 13,5 mil ha – havia 27 engenhos com mais de 15 mil famílias (na maior parte, de agricultores e pescadores). E o que se constata é que aquela população (bem mais reduzida atualmente), invisível aos olhos da sociedade e fraca enquanto grupo social de expressão sofreu, e continua sofrendo a maior e a mais truculenta opressão já vista para abandonar os seus sítios, as suas residências, abandonar, enfim, o seu modo de vida – um direito assegurado pela Lei e pelos costumes.

Para tanto, a empresa Suape militarizou a sua Diretoria de Gestão Fundiária e Patrimônio, ocupada atualmente por ex-policiais civis e militares. Nada contra estes cidadãos que já trabalharam em órgãos de segurança do Estado. Todavia a indignação é contra o “modus operandi” que empregam na relação com os moradores nativos. Na delegacia de Polícia do Cabo de Santo Agostinho repousam inúmeros Boletins de Ocorrência contra o que se chama na região de “milícia de Suape”. Continue lendo “Injustiças sociais e ambientais praticadas no entorno do Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS)”

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