Deutsche Bank destaca projeto dos moradores da Vila Autódromo, na Zona Oeste da cidade, como exemplo de cooperação entre várias entidades. Apesar da iniciativa, retirada de casas pela prefeitura deve acontecer
Mina de Carajás, da Vale, vista de satélite em 2009. Extração de minério recebeu seguidos investimentos do BNDES, assim como a estrada de ferro e o complexo logístico de embarque através do Maranhão
Pela lei de acesso à informação, a Pública obteve 43 contratos do BNDES com grandes corporações nacionais para empreendimentos na Amazônia. Leia e baixe aqui os documentos
Por Bruno Fonseca e Jessica Mota, em A Pública
Nos calhamaços de papel assinados e rubricados diversas vezes por gigantes da economia brasileira – Vale, Eletrobrás, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Votorantim, Alcoa, dentre outros -, saltam cifras de 500 milhões, 1 bilhão, até quase 10 bilhões de reais. São os contratos de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a uma série de megaempreendimentos na Amazônia, que não são disponibilizados publicamente pelo banco, embora todas essas obras sejam custeadas com o dinheiro de impostos.
A Pública entrou com um pedido de acesso à informação para obter os contratos dos principais investimentos do BNDES em projetos de infraestrutura na Amazônia brasileira e obteve 43 contratos que revelam detalhes sobre o financiamento de projetos de empresas e estados – as garantias exigidas, os compromissos socioambientais acordados – e descobriu que, na prática, muitas dessas obras desrespeitam o que foi assinado, contribuindo para muitos dos problemas que a reportagem vem encontrando ao longo da produção dessa série, motivando inclusive ações judiciais. Continue lendo “A Amazônia que o BNDES financia”
Durante três meses, os repórteres da Pública, em parceria com o site O Eco, investigaram os investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em obras de infraestrutura na região amazônica.
Ficha técnica:
Animação: Bruno Fonseca
Locução: Jéssica Mota
Roteiro: Bruno Fonseca, Jéssica Mota, Natália Viana e Sofia Amaral
Storyboard e identidade visual: Antônio Castro, Bruna Sanches, Bruno Fonseca, Camila Rocun, Mariana Santos
Coordenação do projeto: Mariana Santos
Terena que lutaram na Guerra do Paraguai, enquanto suas terras eram roubadas. Acervo Comissão Rondon s/d.
Nós, lideranças Terena representantes de nossas comunidades, vimos a público denunciar e repudiar o “agrobanditismo” que impera no estado do Mato Grosso do Sul – e conta com o silêncio e conivência do Estado brasileiro.
O Conselho do Povo Terena e Conselho Aty Guasu Guarani e Kaiowá insurgiram-se contra o “Leilão da Resistência” e conseguimos uma liminar favorável que suspendeu este instrumento financiador do genocídio. No entanto, a Famasul e Acrissul, valendo-se de manobra processual sórdida, conseguiram, no calar da noite, uma decisão liberando o leilão.
Primeiramente, é no mínimo estranho que a Acrissul e Famasul, diante de uma decisão suspendendo o leilão, não terem recorrido ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região para reverter a decisão. Para nós, é notório que houve pressão das elites ruralistas sobre os magistrados de primeira instância de Mato Grosso do Sul.
A curta vitória da suspensão do leilão foi histórica. Pela primeira vez, os povos indígenas de Mato Grosso do sul foram para o embate jurídico direto por meio de advogados constituídos para isso, com fundamento no artigo 232 da Constituição Federal, que garante que os indígenas e suas organizações possam, em nome e direito próprio, defenderem seus direitos na Justiça.
Resolvemos não esperar pelo Ministério Público Federal (MPF), Funai ou ONGs, como esperavam os ruralistas. Entramos nesse embate decididos a não assistir mais de braços cruzados as atrocidades cometidas pelos “coronéis” e “famílias elitistas” que se consideram os donos deste estado.
Estou desde cedo dividida quanto a postar essa notícia, publicada ontem pelo MidiamaxNews. Agora entretanto, depois de postar a matéria do G1 desta tarde (Chamado ‘Leilão da Resistência’ ruralista arrecada R$ 640,5 mil em Mato Grosso do Sul), decidi que ela tem sim que ser divulgada. Inclusive porque é um texto digno, no qual pela primeira vez vejo a palavra “retomada” sendo usada corretamente em MS, e logo no primeiro parágrafo. Parabéns a Nealla Machado pelo seu trabalho, que envolve inclusive a ótima montagem fotográfica. (Tania Pacheco)
Com cerveja e espetinho, Leilão arrecada dinheiro para financiar combate aos índios
Por Nealla Machado
Com inúmeras autoridades políticas e vários produtores rurais, o ‘Leilão da Resistência’ promovido por pecuaristas de Mato Grosso do Sul para arrecadar recursos para financiar ações contra retomadas de áreas indígenas aconteceu nesse sábado (07), com mordomia e cerveja gelada para os participantes.
Com auditório cheio de fazendeiros, todos os que subiam ao palanque entoavam a resistência contra a demarcação das terras indígenas. “Essa é a resistência democrática que o MS levanta nesse momento. Chega de desrespeito ao cidadão que faz e que produz”, disse a estrela da noite, o deputado federal pelo estado de Goias, Ronaldo Caiado (DEM). A sendora Kátia Abreu (PSD) de Tocantins também estava presente. Antes do leilão ela afirmou que a Funai é falida, retrógrada e atrasada.
O chamado “Leilão da Resistência”, articulado por produtores rurais para arrecadar recursos que seriam utilizados contra ocupações de terras no estado, arrecadou R$ 640,5 mil com o arremate dos lotes de animais e cereais, segundo o diretor da Leiloboi, Carlos Guaritá. O evento foi realizado no sábado (7) após decisão da Justiça, que determinou que o dinheiro seja depositado em juízo e liberado somente ao final de processo protocolado pelas comunidades indígenas.
O G1 entrou em contato com a Fundação Nacional do Índio (Funai) e com o advogado que representa os indígenas, Luiz Henrique Eloy, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Segundo Guaritá, foram leiloados 674 cabeças de gabo [gado?] e vendidas mais de três mil sacas de cereais. Segundo ele, a entrega dos animais será feita ainda neste domingo (8) para todos os compradores.
Além dos lotes leiloados, houve ainda doações em dinheiro e sacas de cereais que sobraram ainda estão sendo vendidas. O balanço final do leilão será divulgado na segunda-feira (9). Cerca de duas mil pessoas participaram do leilão, que também foi transmitido por um canal de televisão. Guaritá disse que vários lotes foram arrematados via telefone. Continue lendo “Chamado ‘Leilão da Resistência’ ruralista arrecada R$ 640,5 mil em Mato Grosso do Sul”
Foto de Maria Eugênia Sá e Vinicius Souza – APública
Projeto de lei que vai para sanção de Haddad proíbe realização de bailes funk e outros eventos musicais nas ruas de São Paulo. Ritmo é visto como a expressão de pretos e pobres que devem ser silenciados
Por iniciativa de dois mais proeminentes integrantes da “bancada da bala” da Câmara Municipal de São Paulo, Coronel Camilo (PSD) e Conte Lopes (PTB), os bailes funk e outros eventos musicais podem ficar proibidos nas ruas de São Paulo. O Projeto de Lei 02, de 2013, que dispõe sobre o assunto, foi aprovado em segunda votação na quarta-feira (4) e segue para sanção ou veto do prefeito Fernando Haddad (PT). A aprovação do projeto foi simbólica e apenas o vereador Toninho Vespoli (Psol) foi contrário à iniciativa. A primeira votação ocorreu em abril e não registrou uma voz contrária sequer. A punição para quem não obedecer é multa de R$ 2,5 mil.
“A questão social é caso de polícia.” A clássica e infame frase cunhada pelo último presidente da República Velha, Washington Luís, já está próxima de completar um século, mas não encontro uma mais apropriada para aplicar a esse caso. O funk é entendido como a expressão de pretos e pobres, que devem ser silenciados a qualquer custo.
O texto da lei é bastante objetivo nesse sentido. O artigo 1º diz que “fica expressamente vedada a utilização de vias públicas, praças, parques e jardins e demais logradouros públicos para realização de ‘bailes funks’ ou de quaisquer eventos musicais não autorizados, independentemente de horário”. Não houve sequer o cuidado de tentar disfarçar. O funk é o inimigo número 1. Continue lendo “Pretos e Pobres Calados: Repressão ao funk é mais uma violência contra a periferia”
Tal como acontece com a democracia, só uma consciência ecológica robusta, anti-capitalista, pode fazer frente com êxito à voragem do capitalismo extrativista.
Na décima carta às esquerdas afirmei que as esquerdas se debatem no início do terceiro milênio com dois desafios principais: a relação entre democracia e capitalismo; o crescimento econômico infinito (capitalista ou socialista) como indicador básico de desenvolvimento e de progresso. Nesta carta, centro-me no segundo desafio.
Antes da crise financeira, a Europa era a região do mundo onde os movimentos ambientalistas e ecológicos tinham mais visibilidade política e onde a narrativa da necessidade de complementar o pacto social com o pacto natural parecia ter uma grande aceitação pública. Surpreendentemente ou não, com o eclodir da crise tanto estes movimentos como esta narrativa desapareceram da cena política e as forças políticas que mais diretamente se opõem à austeridade financeira reclamam crescimento econômico como única solução e só excepcionalmente fazem uma ressalva algo cerimonial à responsabilidade ambiental e à sustentabilidade. E, de fato, os investimentos públicos em energias renováveis foram os primeiros a ser sacrificados às politicas de ajustamento estrutural.
Ora o modelo de crescimento que estava em vigor antes da crise era o alvo principal da crítica dos movimentos ambientalistas e ecológicos precisamente por ser insustentável e produzir mudanças climáticas que segundo os dados da ONU seriam irreversíveis a muito curto prazo, segundo alguns, a partir de 2015. Este desaparecimento rápido da narrativa ecológica mostra que o capitalismo tem precedência não só sobre a democracia como também sobre a ecologia e o ambientalismo. Continue lendo “Décima primeira carta às esquerdas: extrativismo ou ecologia?, por Boaventura Sousa Santos”
Moradores de rua são alvo de protesto em Florianópolis (Foto: Sebastian/Flickr)
Habitantes da praia da Canasvieiras, preocupados com o turismo local, pedem saída de pessoas em situação de rua. “Não podemos deixar esta situação se agravar, porque junto vem a sujeira, as drogas, os desentendimentos e até os homicídios”
Segurando cartazes como “Não precisamos de mendigos: Fora!”, moradores da região da praia da Canasvieiras, em Florianópolis, protestaram contra a presença de pessoas em situação de rua na cidade.
A praia é uma das preferidas de turistas argentinos, que costumam lotar os hotéis da região e o turismo é a principal preocupação dos “incomodados”. “Estamos tentando limpar a praia para a chegada do turista. Isso está queimando nossa imagem”, afirmou Luciana da Silva, uma das organizadoras do protesto, àFolha de S. Paulo. Continue lendo “Moradores de rua são alvo de protesto em Florianópolis: “Não precisamos de mendigos: Fora!””