Sede do DOI-Codi em SP será memorial

Herzog
Foto ‘oficial’ de Herzog “enforcado”

Por Roldão Arruda, no Estado de S.Paulo

Um dos lugares mais emblemáticos do período da ditadura militar, a sede paulista do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) deve ser transformado num centro cultural, dedicado à memória daqueles anos. Um passo decisivo nessa direção foi dado ontem pela manhã, na primeira reunião do ano do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat).

Por unanimidade, os conselheiros decidiram tombar o conjunto de três edifícios que, segundo narrativas de ex-presos políticos e familiares de mortos, no fim da década de 1960 e início dos anos 70 abrigou um dos mais ativos centros de tortura do País. Lá morreram, entre outras vítimas de perseguições políticas, o estudante Alexandre Vannuchi Leme, em 1973, e o jornalista Vladimir Herzog, dois anos depois.

A partir de agora, nenhuma modificação pode ser feita nos edifícios sem autorização do conselho. Numa próxima etapa, a Secretaria de Cultura do Estado deve apresentar um projeto de memorial da ditadura.

Quando isso ocorrer, o governo do Estado, que é dono do lugar, deverá providenciar uma outra sede para o 36.º Distrito Policial, que hoje funciona ali, na Rua Tutoia, 121, Paraíso, zona sul da capital.

O pedido de tombamento foi apresentado ao Condephaat pelo ex-preso político Ivan Seixas, em 2012. No ano passado, a solicitação ganhou o apoio da Comissão Nacional da Verdade. O secretário de Cultura do Estado, Marcelo Araujo, acompanhou a reunião de ontem e, na saída, disse que a decisão do conselho faz parte da “consolidação da democracia em nosso País.”

 

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Ato público marca Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo

As mãos, negras de pele e de carvão, de um dos trabalhadores resgatados no interior paulista que não usava equipamento de proteção
As mãos, negras de pele e de carvão, de um dos trabalhadores resgatados no interior paulista que não usava equipamento de proteção

Da Agência Brasil

Um ato público, a partir das 9h, em frente ao Supremo Tribunal Federal, marca hoje (28) em Brasília o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. A data foi criada para homenagear os auditores fiscais do trabalho assasinados em 2004 durante fiscalização na zona rural de Unaí, em Minas Gerais, a 170 quilômetros de Brasília.

O ato público terá a presença de representantes  da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo e foi organizado pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho. Continue lendo “Ato público marca Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo”

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MEC lança edital para selecionar livros com temática indígena

cocarPor Yara Aquino, na Agência Brasil
O Ministério da Educação lançou ontem (27) edital para seleção e aquisição de obras de literatura sobre a temática indígena para estudantes e professores da educação infantil, anos iniciais do ensino fundamental e magistério. As obras serão destinadas às escolas públicas federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal.

 O edital, publicado na edição de hoje do Diário Oficial da União, convoca editores para o processo de inscrição e seleção de obras literárias sobre a temática indígena que, divulguem e valorizem a diversidade sociocultural dos povos indígenas brasileiros, além da contribuição deles no processo histórico de formação da sociedade.

Serão aceitas para participar do processo de aquisição obras de literatura de autores indígenas e não indígenas que estimulem a ruptura de estereótipos sobre as histórias, culturas e identidades, em uma abordagem positiva de pluralidade cultural indígena e da afirmação de direitos culturais diferenciados dos povos indígenas.

O cadastramento de editores e pré-inscrição das obras pode ser feito até as 18h do dia 19 de abril. A inscrição/entrega das obras e da documentação vai de 6 a 8 de maio das 8h30 às 16h30. A íntegra do edital está na página do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). As obras são para o Programa Nacional Biblioteca da Escola-PNBE Indígena 2015.

Editor: Talita Cavalcante

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Desastre: “Mineração no Norte de Minas começa a sair do papel”

Hoje em Dia informou, na última sexta-feira, que começou a sair do papel o maior projeto de mineração no Norte de Minas, com investimentos previstos em US$ 3 bilhões. O empreendimento tem como sócios a Sul Americana de Metais (SAM), empresa do Grupo Votorantim criada em 2006, e a chinesa Honbridge Holding. O diário oficial do Estado publicou decreto do governador Antonio Anastasia declarando de utilidade pública áreas em nove municípios a serem desapropriadas por causa do projeto.

Mas não convém comemorar investimentos tão grandes numa região pobre de Minas antes que algumas questões sejam esclarecidas.

Muito já se disse sobre a inconveniência do transporte por mineroduto, em vez de ferrovia, numa região em que a água é escassa. Mas as empresas insistem que, devido ao baixo teor de ferro no minério da região, só compensaria investir se esse fosse o meio de transporte. Anuncia-se então a construção de um mineroduto de 482 quilômetros entre a usina de beneficiamento, em Grão Mogol, e um porto em Ilhéus, no Sul da Bahia.

Quando diretores da SAM compareceram, no dia 5 de dezembro de 2012, à audiência pública da Assembleia Legislativa de Minas para defender a construção do mineroduto, eles informaram que, como medida compensatória, seriam construídas duas barragens. Uma no córrego do Vale, com investimentos previstos de R$ 6 milhões, e outra no rio Vacaria, de R$ 46 milhões. A primeira com o objetivo exclusivo de atender à comunidade do Vale das Cancelas. A segunda teria 40% do volume de água destinado à população das cidades do entorno. E que 12 milhões de metros cúbicos de água seriam consumidos anualmente pelo mineroduto, num prazo mínimo de 25 anos. Continue lendo “Desastre: “Mineração no Norte de Minas começa a sair do papel””

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Todos, uns, alguns, ninguém, outros e a violência gramatical do Estado nas manifestações populares

esquerda1Por Eustáquio José, em Conversas de Esquerda

A política no Brasil agora se tornou questão gramatical. A afirmação tem um motivo de ser: o que nós vemos, quando o assunto são manifestações – desde as manifestações de junho de 2013 para cá -, é uma tentativa de caracterizar pejorativamente ou de menosprezar a situação de quem protesta chamando-os pelo nome de “vândalos”. Mais uma vez isso acontece nesses últimos protestos contra a Copa do Mundo desse ano, em várias capitais há dois dias atrás (conferir link aqui). Para responder a simples constatação de que pessoas foram vítimas da truculência desmedida da polícia, orientada pela violência instituída e jurídica do Estado, alguns defensores do governo identificam “mascarados”, “vândalos”, arruaceiros”, pessoas violentas que entram nos protestos e acabam criando o clima de “guerra civil” e justificam a reação (sempre é reação) da polícia, braço legalizado do Estado, perante a população.

Esses “vândalos”, entretanto, não possuem identidade, não precisam possui-la. Esses “vândalos” são alguns, elementos, indivíduos, e são sempre diluídos nessa impessoalidade, nessa condição de anonimato que os colocaria na clandestinidade. Uma vez clandestinos, esses jovens ou adultos passam a cair no artigo constitucional de que todos têm direito de se manifestar livremente, porém só é vedado o anonimato. São, portanto, ilegais, anti-legais, são os fora da força da lei, os que precisam ser violentados em nome da ordem. Aí entra em cena justamente o aparato, ou o aparelho, para ser mais próximo do que disse o pensador francês Louis Althusser, que faz com que esses  exemplos de “ninguém” possam ser canalizados, mortos, presos e depois voltem à normalidade imposta. Continue lendo “Todos, uns, alguns, ninguém, outros e a violência gramatical do Estado nas manifestações populares”

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Não ao PL proposto pela Comissão Especial de Reformulação do Ensino Médio! Assine o Manifesto por uma Formação Humana Integral

Manifesto por uma Formação Humana Integral – Não ao retrocesso no Ensino Médio

Para: Presidência da República, Ministério da Educação, Câmara dos Deputados e Conselho Nacional de Educação

As propostas de reformulação do ensino médio em tramitação na Câmara dos Deputados apresentam sérios equívocos e inconsistências. Parte da orientação dessas propostas deriva de uma visão catastrófica dessa modalidade de ensino, infelizmente compartilhada por muitos educadores e gestores da educação, para os quais expressões como “crise”, “fracasso”, “falta de identidade” têm sido as mais utilizadas para caracterizar o ensino médio brasileiro. Esse tipo de afirmação, que sempre recebe boa acolhida na mídia, ajuda a construir uma imagem de inutilidade do ensino médio, que em nada contribui para um debate construtivo. É lamentável que a Câmara dos Deputados vá pelo mesmo caminho.

De fato, o ensino médio é atualmente a etapa mais problemática da escolarização, a que tem mostrado maiores dificuldades em cumprir suas atribuições e garantir o direito à educação para todos os brasileiros, como previsto na Constituição Federal. As explicações para isso dependem do ideário, concepções e interesses de quem as formula. Vão desde a deficiência na infraestrutura até atributos negativos nos estudantes, passando pela escassez de recursos, a falta de professores capacitados, as propostas pedagógicas inadequadas etc, etc. Independente da pertinência, ou não, destas justificativas (e algumas realmente são procedentes), poucas vezes se considera a história de desigualdades sociais do Brasil e o projeto de sociedade excludente que está na raiz da nossa formação como país. E esses fatores são, de fato, determinantes na educação, em particular no ensino médio, como etapa decisiva da trajetória individual e da reprodução social.

Não obstante, a educação brasileira tem registrado alguns poucos avanços (fruto de lutas que vem sendo travadas desde os anos 70) e que agora estão sob ameaça de retrocesso. A Comissão Especial da Câmara Federal sobre reformulação do ensino médio não considera esses avanços, não parte das experiências adquiridas, não preserva conquistas, preferindo adotar uma visão negativa e desqualificadora dessa etapa do ensino, como se fosse necessário começar tudo do zero. Continue lendo “Não ao PL proposto pela Comissão Especial de Reformulação do Ensino Médio! Assine o Manifesto por uma Formação Humana Integral”

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Depoimento de Damiana, cacique Guarani Kaiowá ameaçada por pistoleiros

Por Delírio Verde

Dreyfuss, Bunge, Raizen são algumas das empresas na lista de transnacionais que exploram as terras indígenas dos Kaiowá Guarani já demarcadas ou em processo de demarcação no estado do Mato Grosso do Sul plantando cana-de-açúcar.

Na luta por um destes territórios há mais de duas décadas, a cacica Damiana Cabanha, de 73 anos, resiste com sua família em um acampamento na entrada da fazenda de onde foi expulsa. Por sete vezes, Damiana e seus familiares tentaram retornar à terra Apykai, onde se encontram enterrados seus antepassados, mas foram expulsos pela justiça ou por pistoleiros. Neste período, a cacica conta que seis parentes seus foram mortos atropelados na rodovia, envenenados por agrotóxico ou em emboscada de pistoleiros. Continue lendo “Depoimento de Damiana, cacique Guarani Kaiowá ameaçada por pistoleiros”

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Comunidade Guarani Kaiowá mais ameaçada enfrenta nova reintegração de posse

Depoimento da Cacique Damiana
Imagem capturada de vídeo de Oriel Benites, de setembro de 2013

Por Ruy Sposati, em Cimi

A comunidade Guarani Kaiowá mais ameaçada do momento, o tekoha Apyka’i, no município de Dourados (MS), poderá enfrentar mais uma reintegração de posse.

Uma nova manobra judicial garantiu que uma decisão – já cumprida – da Justiça Federal de 2009, em favor do Cássio Guilherme Bonilha Tecchio, proprietário da Fazenda Serrana, fosse, mais uma vez, utilizada contra os indígenas.

Agora, os Kaiowá tem 30 dias para sair do local, onde estão acampados desde setembro de 2012.  O prazo para o despejo passa a contar a partir desta segunda-feira, 27. A liderança da comunidade, Damiana, reafirma que os indígenas não sairão da terra. Continue lendo “Comunidade Guarani Kaiowá mais ameaçada enfrenta nova reintegração de posse”

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Conjuntura nacional, seus reflexos e consequências para a população negra e o Movimento Negro no Brasil

Isto é África, mas a foto bem que poderia ser aqui, essa é uma cena cotidiana nas periferias e em todas as regiões brasileira, podendo ser uma criança negra, indígena ou mesmo branca...
Isto é África, mas a foto bem que poderia ser aqui, essa é uma cena cotidiana nas periferias e em todas as regiões brasileira, podendo ser uma criança negra, indígena ou mesmo branca…

Por Reginaldo Bispo*

O extermínio da juventude negra avança, de forma indiscriminada, sem atenção de qualquer setor do estado, da mídia ou da sociedade. Quase nada foi feito, pelo governo, para cumprir o direito constitucional de titulação dos territórios quilombolas e indígenas, bem como em relação a reforma agraria. Em 20 anos de governos do PSDB e do PT, apenas 20 ou 21 territórios quilombolas foram titulados pelo governo federal. A maioria pequenos quilombos urbanos. Todo ano, retorna ao tesouro as verbas destinadas as titulações, o que faz com que elas sejam reduzidas no orçamento seguinte, ano após ano, provocando insegurança na vida dos quilombolas e indígenas, frente aos ataques e a violência do latifúndio e do agro negocio, devido apoio do governo a esses últimos.

O racismo religioso e o crescimento do setor evangélico no Congresso, tem proporcionado situações bizarras, com o surgimento de “traficantes de cristo” que ameaçam, invadem e expulsam candomblecistas e umbandistas de suas casas de culto no Rio de Janeiro; Em Salvador os “baleiros de cristo”, vendedores de bala, agitadores em ônibus, membros das igrejas pentecostais e vendedores de “acarajé de cristo”, ligados a igreja universal.

Enquanto reivindicamos um estado laico, plurirracial e multicultural, eles defendem o oposto, um estado confessional e fundamentalista, opressor contra todos os que não pertencem a sua religião, os que não sejam como eles os “escolhidos por Deus”.  O pior, é que se aliam ao que há de pior e mais reacionário no pais, os seguimentos políticos e econômicos capitalistas, os políticos corruptos, aos partidos de direita, aos latifundiários da UDR-Ruralistas, aos homofôbicos e racistas, contrários aos quilombolas, indígenas, ambientalistas, à reforma agraria, e os pequenos agricultores familiares. Continue lendo “Conjuntura nacional, seus reflexos e consequências para a população negra e o Movimento Negro no Brasil”

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Indígenas protocolam reivindicações no Ministério Público Federal, em RR

Indígenas estão acampados embaixo de cajueiro (Foto: Natacha Portal/ G1)
Indígenas estão acampados embaixo de cajueiro (Foto: Natacha Portal/ G1)

Retirados do prédio da Secretaria, eles estão embaixo de cajueiro. Segundo secretário, índios não o procuraram em nenhum momento.

Por Natacha Portal, do G1 RR

Os indígenas que estão acampados desde o dia 17 de janeiro na Secretaria Estadual do Índio (SEI) protocolaram na tarde desta segunda-feira (27), no Ministério Público Federal (MPF), uma série de reivindicações em nome do Movimento por Política Justa e Solidária (MPJUS), Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (Sodiur), Associação dos Povos Indígenas de Roraima (Apir), Associação Estadual Indígena Kuwaikîrî de Boa Vista e Associação dos Povos Indígenas da Terra de São Marcos (APITSM).

Entre as dez reivindicações que fazem parte da pauta dos indígenas, constam que a indicação de nomes para os cargos de secretário titular, secretário-adjunto, diretores e chefes de divisão deve ser feita pelas organizações e associações indígenas e que seja realizada a entrega imediata dos materiais adquiridos pela Secretaria para as comunidades. Continue lendo “Indígenas protocolam reivindicações no Ministério Público Federal, em RR”

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