Trabalho semi escravo, prostituição infantil, confrontos: a guerra no Vale do Ribeira contra uma hidrelétrica

Rio Ribeira de Iguape
Rio Ribeira de Iguape

Por Edson Domingues, em Diário do Centro do Mundo

No Vale do Ribeira, região com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado de São Paulo, a Companhia Brasileira de Alumínio, CBA, tenta a todo custo transformar seu projeto da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto em realidade. Prostituição infantil, trabalho análogo a escravo – o dia no bananal rende R$ 15,00  –, uso indiscriminado de agrotóxicos e quilombolas mortos em conflitos agrários completam o cotidiano local.

A supressão ilegal de mata atlântica por latifundiários bananeiros, quase sempre às margens dos inúmeros cursos d’água, agrava ainda mais o cenário de assoreamento do Rio Ribeira de Iguape, que no passado foi navegável em quase todo seu percurso. Há ainda passivos ambientais deixados por atividades minerárias, contribuindo com altas dosagens de metais pesados em seus afluentes. Mesmo assim, o Ribeira ainda dispõe de belíssimas paisagens. Continue lendo “Trabalho semi escravo, prostituição infantil, confrontos: a guerra no Vale do Ribeira contra uma hidrelétrica”

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Comissão traz à tona violência contra índios em Minas na ditadura

Rio Doce, em Resplendor, corta a Terra Indígena Krenak e garante à comunidade uma fonte de alimento
Rio Doce, em Resplendor, corta a Terra Indígena Krenak e garante à comunidade uma fonte de alimento

Por Ricardo Rodrigues , enviado especial do Hoje em Dia

CARMÉSIA E RESPLENDOR – Prestes a completar 50 anos do golpe militar de 1964, novas histórias de violência ainda vêm à tona. Como as agressões cometidas por militares aos povos indígenas. Os casos são investigados pela Comissão da Verdade de Minas. O trabalho de resgate dos fatos está sendo feito em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi-Leste).
Os caciques Baiara Pataxó e Douglas Krenak atuam como consultores do grupo coordenado pelo ex-vereador Betinho Duarte (PSB), membro da Comissão da Verdade, que investiga massacres contra os povos Guarani, Krenak e Pataxó no Estado, ocorridos durante o regime militar.
As tristes lembranças desse período estão ainda na memória dos antigos, os “troncos velhos”, das Terras Indígenas (TI) Guarani, em Carmésia, e Krenak, em Resplendor. Integrantes do MPF estiveram nesses locais no Vale do Rio Doce, onde índios de várias partes do Brasil eram submetidos a trabalhos forçados e sessões de tortura. Continue lendo “Comissão traz à tona violência contra índios em Minas na ditadura”
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Relatora da ONU recebeu denúncias de quilombolas e comunidades urbanas sobre o direito à moradia adequada em Salvador

Raquel Rolnick na Faculdade de Arquitetura da UFBA
Raquel Rolnick ouve as denúncias de Rose Meire, do Quilombo Rio dos Macacos, na Faculdade de Arquitetura da UFBA

Por Albenísio Fonseca

A relatora da ONU sobre Direitos Humanos para a Moradia Adequada, Raquel Rolnick, recebeu, anteontem (21.02), durante plenária no auditório da Faculdade de Arquitetura da UFBA, dossiês de comunidades baianas denunciando a violação desse direito fundamental e que vai além da habitabilidade.

Na foto, momento em que moradora do Quilombo Rio dos Macacos denuncia ter sido vítima de tortura por prepostos da Marinha do Brasil. Raquel Rolnick (de blusa preta), ao lado da professora Ana Fernandes, participou da plenária após visitar diversas comunidades em condições subumanas de Salvador.  Continue lendo “Relatora da ONU recebeu denúncias de quilombolas e comunidades urbanas sobre o direito à moradia adequada em Salvador”

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Stuart Hall: a favor da diferença

Stuart HallSociólogo e um dos principais teóricos do multiculturalismo, morto este mês, refletiu sobre a diáspora negra sem se prender a correntes teóricas

Por Liv Sovik*, em O Globo

Talvez Stuart Hall gostasse de saber que falar dele logo depois de sua morte é participar de uma polifonia bakhtiniana, um conjunto de vozes diferentes que falam sobre ele, o que ele fez e disse, o impacto que teve. Minha homenagem favorita, no momento, é um trecho da nota de óbito de David Morley e Bill Schwarz, seus amigos e ex-alunos. Publicada no site do “The Guardian”, a nota foi a matéria mais lida do jornal no dia da morte do professor, teórico e ativista, do mestre e maître-à-penser. O texto termina assim:

“Quando apareceu no programa de rádio Desert Island Discs, Hall falou de sua paixão duradoura por Miles Davis. Explicou que a música representou para ele o som do que não pode ser, ‘the sound of what cannot be’. O que era sua vida intelectual, senão o esforço, contra todos os obstáculos, para fazer ‘o que não pode ser’, viver na imaginação?” Continue lendo “Stuart Hall: a favor da diferença”

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A história do ódio no Brasil

Tiradentes Supliciado, de Pedro Américo
Tiradentes Supliciado, de Pedro Américo

Por 

Achamos que somos um bando de gente pacífica cercados por pessoas violentas”. A frase que bem define o brasileiro e o ódio no qual estamos imersos é do historiador Leandro Karnal. A ideia de que nós, nossas famílias ou nossa cidade são um poço de civilidade em meio a um país bárbaro é comum no Brasil. O “mito do homem cordial”, costumeiramente mal interpretado, acabou virando o mito do “cidadão de bem amável e simpático”. Pena que isso seja uma mentira. “O homem cordial não pressupõe bondade, mas somente o predomínio dos comportamentos de aparência afetiva”, explica o sociólogo Antônio Cândido. O brasileiro se obriga a ser simpático com os colegas de trabalho, a receber bem a visita indesejada e a oferecer o pedaço do chocolate para o estranho no ônibus. Depois fala mal de todos pelas costas, muito educadamente. Continue lendo “A história do ódio no Brasil”

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Além da Disney clássica: cinco ótimos filmes de animação para crianças sem estereótipos raciais

Os clássicos de Walt Disney. Imagem: reprodução
Os clássicos de Walt Disney. Imagem: reprodução

Muitos dos clássicos da companhia norte-americana contêm imagens ultrapassadas de grupos raciais ou de gênero. Afortunadamente, recentes obras de arte animadas fornecem alternativas sem sacrificar nada no caminho da imaginação

Por Christopher Zumski Finke, na Yes! Magazine/ Revista Fórum
Tradução de Ugo Flores

Nessa semana, a atriz Meryl Streep presenteou um prêmio a Emma Thompson por sua performance como P. L. Travers, a autora de Mary Poppins, no recente filmeSaving Mr. Banks. Durante seu louvor efusivo por Thompson, Streep também aproveitou a oportunidade para lembrar o mundo dos defeitos pessoais de Walt Disney, chamando Disney de “intolerante misógino” e “apoiador de grupos de lobby antissemitas da indústria cinematográfica”.

As visões de Disney acerca das mulheres e de minorias não são novidade – tanto sua reputação quanto os filmes clássicos que seu estúdio produzira no último século causam controvérsia há bastante tempo. Entretanto, o discurso de Streep ofereceu um importante lembrete do quão facilmente nós nos esquecemos de olhar criticamente aos filmes que nós amamos.

Peguemos como exemplo a animação da Disney Peter Pan. Quando eu era criança, ele inspirou minha imaginação gigantescamente. Uma terra mágica com infância eterna e lutas de espada e batalhas contra o Capitão Gancho. Minha nostalgia causada por Peter Pan permanece forte e eu, carinhosamente, me lembro dos dias em que eu me fantasiava em sua história.

Todavia, não penso que compartilharei Peter Pan com meu filho tão cedo. É muito racista. Isso pode parecer extremo para alguns, mas uma vez que se mantém um compromisso à igualdade e respeito à diversidade,Peter Pan é muito difícil de assistir hoje em dia. Os adultos facilmente se esquecem de como os filmes afetam as crianças e, como pai, não quero que a jovem imaginação do meu filho seja capturada pelos estereótipos de raça, gênero e cultura presentes em Peter PanA Pequena Sereia ou outros clássicos de animação da Disney. Continue lendo “Além da Disney clássica: cinco ótimos filmes de animação para crianças sem estereótipos raciais”

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História, memória e luta contra o projeto da UHE Ji-Paraná: uma homenagem a Digut Gavião

Digut GaviãoPor Renata Nobrega

Deixo aqui minha homenagem ao grande Digut, o mais velho dos guerreiros Gavião de nossos tempos, que faleceu anteontem. Segue abaixo a transcrição de um dos diálogos travados com o chefe do acampamento e funcionários do CNEC, em 1988, no local onde seria construída a Usina Ji-Paraná, impedida após muita luta social. Digut aparece na foto, enfrentando os barrageiros. Se fosse construída, estaríamos em situação parecida com a de Porto Velho, incluindo Ariquemes, Jaru, Medici… Parte de Ji-Paraná ficaria debaixo d’agua, mesmo fora das temporadas de chuva. Em tempos de enchentes mal explicadas, dura repressão à luta dos atingidos por barragem e tantos projetos de morte rondando os rios amazônicos, o empenho dos Arara e dos Gavião contra as barragens do rio Machado, até agora vitorioso, depois de quase 30 anos de batalhas, é inspirador e alimenta o ânimo pra luta. 

Diálogo dos Arara e Gavião com funcionários do CNEC e ELETRONORTE durante visita ao Acampamento da JP-14, em janeiro de 1988

Gavião idoso – Nós chegamos aqui para falar com você, para conhecer você. E você vai fazer a barragem. Nós chegamos para dizer o seguinte: seria melhor você não fazer isso! Por que você vai encher a nossa terra (com água)? Se você constrói a barragem, não é só de um lado que o rio vai alagar. Vai entrar água na nossa terra também! E daí? Como é que as plantas vão crescer embaixo do rio? A macaxeira não vai produzir embaixo da água. Tudo que fica embaixo da água vai apodrecer. Vai morrer seringueira também. Como é que nós vamos poder fazer o nosso trabalho depois do alagamento? Era isso que eu vim dizer para você. Eu sou velho. Meus filhos já são adultos. Como que eles vão fazer depois da barragem? Fica difícil caçar, matar peixe, matar jacaré. Onde que vão pescar? Eles não têm nada. Era isso que eu, que sou velho, vim dizer para você.  Continue lendo “História, memória e luta contra o projeto da UHE Ji-Paraná: uma homenagem a Digut Gavião”

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Barbárie versus Direitos Humanos: que lado você escolhe?

brasil em raçasPor Eustáquio José, em Um Brasil de Verdade

Crescem no Brasil os casos de “justiça feita com as próprias mãos”. Agora, depois de declarações de ódio explícito e escancarado de pessoas contra os chamados “criminosos” (todos eles com um selo social bem determinado: pobres, de predominância negra e que ocupam favelas e comunidades carentes, pois os criminosos ricos jamais são alvo de justiceiros nesse país, daí se vê que há sim uma questão racial e social implicada) e essas “pessoas do bem”, como ajornalista Raquel Sherazade (que motivou o PSOL a representar contra o canal SBT por incentivo/apologia à tortura e ao linchamento) fez questão de salientar em seu comentário infeliz à frente de uma bancada de jornalismo no horário nobre, parecem não se incomodar mais com limites, com rédeas e se colocam acima da justiça.

Mais uma vez a sociedade hipocritamente distribuída acha-se no direito de questionando a Lei, o Direito (que não é perfeito, mas é a lei) usar de suas próprias mãos para poder abusar do ódio, do rancor, da violência desautorizada e julgar e condenar pessoas sem direito algum à defesa – que é um dos princípios fundamentais garantidos pela Constituição Federal de 1988 (em parte, versando sobre a constituição do júri no artigo 5º, inciso XXXVIII alínea a) ou qualquer garantir mínima (volte ao mesmo artigo 5º no inciso XXXVI e veja o compromisso da lei em não lesar quem quer que seja, mesmo aqueles que tiverem cometido delitos gravosos passíveis de condenação). Nem com tantas garantias legais, sem contar a os dois primeiros artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos quando esses dizem ser todas as pessoas livres iguais portadores de todos os direitos e de dignidade e detentoras do direito de gozar de liberdade e dignidade como o expresso no corpo da Declaração, ninguém parece se importar com isso e se acha no direito, de sua grande fonte ilibada de ação de cometer crimes piores do que os que eles julgam para controlar socialmente a sociedade. Caso mais novo desse tipo foi um ladrão (esse fato não será apagado pela ação, porém não justifica em nada a reação extremada e bárbara contra ele) que foi barbaramente torturado e queimado vivo (veja a reportagem aqui pelo site da Uol).  Continue lendo “Barbárie versus Direitos Humanos: que lado você escolhe?”

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