Vamos falar da mandioca — e do índio

Em benefício de grandes empresas, Lei da Biodiversidade está prestes a produzir um  absurdo: cobrar pelo uso comercial de plantas brasileiras, sem remunerar povos que nos ensinaram a conhecê-las

Por Nurit Bensusan, no Instituto Socioambiental/Outras Palavras

Há cerca de uns dois meses, no lançamento dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, a presidente Dilma Rousseff saudou a mandioca como uma das relevantes conquistas do Brasil. Foi alvo de inúmeras piadas. Toda essa gozação foi extremamente reveladora: revelou a ignorância, a prepotência e o espírito colonizado de seus autores. Continue lendo “Vamos falar da mandioca — e do índio”

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Proibição do aborto, Eduardo Cunha e o “Martelo das Bruxas”

Na base do projeto de lei 5069 há uma concepção medieval: a de que mulheres são seres suspeitos, de palavra inconfiável e corpo frequentemente pecaminoso

Por Alyson Freire, em Outras Palavras

A admissão do projeto de lei (PL) 5069/13 do deputado Eduardo Cunha pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados na última quarta feira, 21/10, mostra como ainda não estão consolidados os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. O projeto é animado por um ímpeto de negar atendimento às mulheres e meninas vítimas de violência sexual. Prevê, mesmo nos casos em que o aborto é permitido, punição aos profissionais de saúde que facilitarem este procedimento. Revela que persiste enorme dificuldade de reconhecer as mulheres como seres autônomos, pessoas plenas e capazes racional e moralmente de se responsabilizar por suas próprias ações e decisões – especialmente no que diz respeito às gestações. Continue lendo “Proibição do aborto, Eduardo Cunha e o “Martelo das Bruxas””

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Crianças do Quilombo Santa Joana, Maranhão, se reconhecem em animação colombiana

Combate Racismo Ambiental

A TV Brasil lançou este mês um desenho animado colombiano – “Guilhermina e Candelário” – que tem como heróis duas crianças negras e seu avô. Esta semana, a emissora organizou uma apresentação da série no Quilombo Santa Joana, em Itapecuru Mirim, Maranhão. A pequena matéria em vídeo abaixo fala um pouco a respeito e, acima de tudo, mostra as reações das crianças, atentas, e dos adultos. No dizer de Mestre Bamba, a animação “faz com que a gente se veja na televisão”. Mesmo que em versão colombiana…

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Marcio Souza e a Amazônia Indígena, por José Ribamar Bessa Freire

Em Taqui Pra Ti

Nenhum livro mexeu tanto conosco, na Amazônia, como “A Expressão Amazonense do Colonialismo ao Neocolonialismo”, escrito por Márcio Souza. O livro publicado em 1977, quando a ditadura militar ainda mantinha seus dentes bem arreganhados, abriu clarões, iluminou as salas de aula da Universidade Federal do Amazonas e nos indicou caminhos a percorrer. Foi uma lufada de inteligência e de liberdade no meio das trevas. Durante sucessivos semestres, discutíamos cotidianamente o texto com nossos alunos, usando-o como um pastor usa a Bíblia. No bom sentido. Com o senso crítico aguçado. Nada do que debatíamos dispensava consulta aos seus capítulos e versículos. Funcionava como um espelho, onde podíamos ver a nossa própria imagem. Agora, destinado a um público mais extenso, Márcio nos brinda a “Amazônia Indígena”, uma coletânea de textos que, em certa medida, é a reatualização do anterior, uma espécie de “A Expressão Amazonense II”. Suspeito que terá destino similar. Continue lendo “Marcio Souza e a Amazônia Indígena, por José Ribamar Bessa Freire”

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Libertar-se do papel de macho-idiota ou ser vetor do sofrimento alheio?, por Leonardo Sakamoto

No Blog do Sakamoto

Faz tempo que não sentia tanta vergonha alheia como nos últimos dias. A quantidade de besteira que escorreu em blogs e nas redes sociais como resposta de muitos homens (sic) às mulheres que resolveram não ficarem caladas diante da violência sexual digital contra uma participante de 12 anos do programa Masterchef foi deprimente.

Apenas uma pessoa que passou a sua vida inteira em uma caverna, sem contato com a civilização, pode achar que essa situação brotou de uma hora para outra. Não, o machismo brasileiro, um de nosso maiores patrimônios imateriais, sempre esteve lá, feito pombo que descansa em fio da rede elétrica, fazendo cocô na cabeça de todos os que não são homens, nem concordam com a heteronormatividade vigente. A diferença é que, agora, a internet dá a todo o mundo, inclusive os que não aprenderam a viver em sociedade, o direito de ter um megafone. Continue lendo “Libertar-se do papel de macho-idiota ou ser vetor do sofrimento alheio?, por Leonardo Sakamoto”

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Para baixar: “Tópicos em saúde, ambiente e trabalho: um olhar ampliado”

Numa busca louvável de caminhos para socializar a produção acadêmica, o Programa de Pós-graduação em Saúde, Ambiente e Trabalho da Universidade Federal da Bahia lançou uma publicação reunindo artigos baseados em diferentes dissertações de mestrado nele defendidas. Organizado por Rita de Cássia Pereira Fernandes, Mônica Angelim Gomes de Lima e Tânia Maria de Araújo, “Tópicos em saúde, ambiente e trabalho: um olhar ampliado” pode ser comprado (AQUI) ou baixado, no formato e-Livro (AQUI). Abaixo, uma breve informação das autoras sobre o livro, seguida de reproduções do índice e, em seguida, instruções sobre como baixar o e-Livro. Boa leitura! (TP) Continue lendo “Para baixar: “Tópicos em saúde, ambiente e trabalho: um olhar ampliado””

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Índios reivindicam posse de urnas encontradas na área do estaleiro Jurong

Por Manaira Medeiros, em Século Diário

Os caciques das aldeias indígenas Tupinikim e Guarani de Aracruz, norte do Estado, reivindicam a posse das urnas encontradas na área do estaleiro Jurong. A existência dessas urnas, consideradas por eles relíquias de seus antepassados, foi revelada em matéria da Agência Pública de março deste ano. O local era área de moradia indígena e, para dar lugar ao estaleiro, três sítios arqueológicos foram destruídos.

Segundo o cacique guarani Pedro Silva Karaí, da aldeia de Piraquê-Açu, os índios foram informados da localização de uma urna, recentemente. Caciques e lideranças das aldeias cobraram sua entrega em reunião realizada há uma semana com a empresa, mas os responsáveis pelo estaleiro desconversam. Os índios defendem que as urnas devam ser guardadas nas aldeias, já que são memórias do povo indígena do Estado. Não irão, portanto, desistir de recuperá-las. Continue lendo “Índios reivindicam posse de urnas encontradas na área do estaleiro Jurong”

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Nota de Repúdio da Associação Juízes para a Democracia ao Projeto de Lei 5.069/2013

“Nem homem, nem mulher, somos um com a face humana” (Virginia Wolf, Orlando)

ASSOCIAÇÃO JUIZES PARA A DEMOCRACIA – AJD, entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem por finalidade a luta pela independência judicial, pelo império dos valores próprios do Estado Democrático de Direito e do princípio republicano e pela promoção e a defesa dos princípios da democracia pluralista, com relação ao trâmite legislativo do Projeto de Lei (PL) 5.069/2013, aprovado recentemente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados Federais, vem a público manifestar o seguinte:

O PL 5.069/2013 merece o nosso mais profundo e vibrante repúdio, pois, além de ser um instrumento misógino de controle da sexualidade feminina, é um verdadeiro atentado contra a dignidade, a saúde e a vida das mulheres. Continue lendo “Nota de Repúdio da Associação Juízes para a Democracia ao Projeto de Lei 5.069/2013”

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A era em que defensorar se torna ilícito

Por Fernanda Mambrini Rudolfo, em Justificando

Vivemos uma época de caos e de medo. Mas o medo que reconheço nestas linhas não é aquele vendido e divulgado com tanto gosto na imensa maioria das mídias, mas o medo do retrocesso e da violação de direitos duramente conquistados, como a liberdade e a própria democracia.

Em conversas travadas no cotidiano forense ou mesmo com pessoas que não atuam na área jurídica, é fácil verificar um fetichismo – jurídico ou político – que pauta os anseios e as decisões. Lamentavelmente, o ideal emancipatório é mitigado em decorrência do ódio que fomenta as relações. Continue lendo “A era em que defensorar se torna ilícito”

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A exploração de milhares de trabalhadores é sentida na carne

“É preciso que os consumidores saibam que a carne que a maioria dos brasileiros consome carrega consigo a exploração de milhares de trabalhadores”.

Por Amalia Iglesias Antúnez, em Rel-UITA

Dia 16 de outubro, a Confederação Brasileira Democrática de Trabalhadores da Indústria da Alimentação (Contac) convocou uma mobilização contra os excessos da JBS-Friboi, principal exportadora de proteína animal do mundo. Célio Elias, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Carne e Derivados de Criciúma e Região (SINTIACR) e um dos diretores da Contac, analisou, em entrevista à Rel, os alcances desta manifestação que levou mais de 4 mil trabalhadores a ocupar a Avenida Paulista (SP). Continue lendo “A exploração de milhares de trabalhadores é sentida na carne”

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