“A CNBB assume, em seus compromissos, todas as causas dos povos da terra, das águas e da floresta, e elas têm em comum a luta pelo reconhecimento do seu direito aos territórios em que vivem, produzem alimentos saudáveis para si e para as demais pessoas; e questiona e condena o desejo desenfreado dos que estão até propondo mudanças na Constituição para tomar as terras dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e pescadores”, assinala o assessor de movimentos sociais
IHU On-Line – O documento “A Igreja e a questão agrária brasileira no início do século XXI”, elaborado na 52ª Assembleia da CNBB, em maio deste ano, “expressa a vontade de um posicionamento pastoral atualizado em relação aos que são denominados no próprio documento como ‘povos da terra, das águas e da floresta’”, pontua Ivo Poletto em entrevista concedida à IHU On-Line, por e-mail.
Na avaliação dele, o atual documento da CNBB demonstra que “os bispos reconhecem que a realidade mudou e, por isso, sua posição crítica em relação à realidade agrária procura dar conta das mudanças e seu posicionamento procura responder aos novos desafios”.
Poletto foi um dos assessores da CNBB em 1980, e à época ajudou a elaborar o documento “Igreja e Problemas da Terra”, que apresentava o posicionamento oficial da Igreja em relação à reforma agrária. Desde então, ele acompanha as questões relacionadas à terra e assegura que “provavelmente não havia mais conflitos na luta pela terra em 1980 do que atualmente”. Segundo ele, o novo texto oficial da CNBB faz “referências ao documento ‘Igreja e Problemas da Terra’, assumindo com firmeza o que foi lúcido e importante a partir de 1980 para a Igreja. Por isso, o documento ‘A Igreja e a questão agrária brasileira no início do século XXI’ quer ser e é uma atualização do documento de 1980. De modo particular, destaca-se nele a emergência e as consequências sociais, econômicas e ecológicas do agronegócio como a forma dominante de exploração da natureza e do trabalho na terra nas últimas décadas”. Continue lendo “A Igreja e a questão agrária brasileira. Um posicionamento pastoral atualizado. Entrevista especial com Ivo Poletto”






