Armandinho – um sopro de esperança, por Elaine Tavares

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Em Palavras Insurgentes

Num país onde o colonialismo mental é a regra, ele é a melhor coisa que aconteceu nos últimos anos. Armandinho, o gurizinho sorridente que, tendo um sapo por amigo pessoal, faz e diz coisas que nos enchem de ternura. O personagem é criação de um florianopolitano, Alexandre Beck, que hoje vive em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Agrônomo, publicitário e ilustrador, Alexandre juntou toda essa diversidade de formação para dar vida a esse personagem que é todo pureza, coisa que vive nele também a considerar sua carinha sapeca, ainda que passando dos 40.

As tirinhas, divulgadas pela página do facebook, viraram um febre nacional, muito possivelmente por conta de sua delicadeza diante da vida. Na linha de mitos como Calvin e Mafalda, Armandinho desvela esse mundo infantil que nunca deveria sair de nós. Sua alegria/leveza/doçura nos atravessa como uma espada flamejante a pedir que o coração assuma a condução do barco da vida. E é o que fazemos.

Armandinho desperta em nós todas as coisas boas que existem no humano e que vão se petrificando conforme a vida corre. Assim, se debruçar sobre as tirinhas é fazer esse movimento de amolecimento da crosta, permitindo que a criança que fomos volte a viver. E, sem que nos demos conta, através de suas pequenas travessuras e rompantes de belezas, vamos ficando melhores. O sorriso se abre, a lágrima cai, a ternura brota.

O Armandinho já é eterno. Viverá para sempre…

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Aldeias indígenas começam a sofrer com doenças típicas das cidades, como obesidade, hipertensão, diabetes e alcoolismo

Grupos do Uaçá

Por Guilherme Rosas, na Unesp Ciência

Desde o início da colonização, as doenças do homem branco têm representado um flagelo para as populações indígenas das Américas. Junto com os primeiros exploradores portugueses e espanhóis, desembarcaram no continente vírus típicos da Europa, como os do sarampo, da varíola, da rubéola e da gripe. Aqui, encontraram populações que careciam de imunidade contra esses males. O resultado foi uma devastação. O Brasil, antes de 1500, possuía mais de 5 milhões de habitantes. A partir da chegada dos portugueses, a população indígena começou a declinar rapidamente, principalmente por causa dessas epidemias, segundo a Fundação Nacional de Saúde. Nos anos 1970, não passavam de 100.000 em todo o território nacional. De lá para cá, medidas como a vacinação e o avanço no reconhecimento de terras indígenas conseguiram reverter esse quadro. Hoje, segundo dados do censo de 2010, a população já alcançou a marca de 800.000.

Nos últimos anos, no entanto, novas doenças do homem branco começam a se fazer presentes dentro das terras indígenas. Desta vez, não são patógenos que se alastram em uma população sem defesas, mas problemas causados pela adoção de um estilo de vida mais urbano, semelhante ao das grandes cidades. O antropólogo Laércio Dias, da Unesp de Marília, estuda como essas alterações afetam a saúde de grupos que vivem na região do rio Uaçá, no norte do Amapá, e já constatou um índice maior de obesidade, hipertensão, diabetes e abuso de álcool entre eles. “São doenças ligadas a mudanças na forma de trabalhar, de beber e de se alimentar, causadas principalmente pela presença de produtos industrializados produzidos fora da aldeia“, diz. Continue lendo “Aldeias indígenas começam a sofrer com doenças típicas das cidades, como obesidade, hipertensão, diabetes e alcoolismo”

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Hospital do Exército: Procuradores suspeitam que militares esconderam documentos da ditadura

Foto: Roberto Parizotti/CUT
Foto: Roberto Parizotti/CUT

Supressão de documentos é crime, previsto no Código Penal, e prevê pena de dois a seis anos de prisão

Folhapress/O Tempo

Ao realizarem buscas no Hospital Central do Exército (HCE), na zona norte do Rio, nesta sexta (14), procuradores da República e policiais federais descobriram numa garagem e em um prédio anexo ao hospital documentos de pessoas que passaram por lá entre 1940 e 1983. Não há registros de pacientes do HCE entre 1970 e 1974, em que há denúncias de presos do regime militar que passaram pela unidade.

Anteriormente às comissões estadual do Rio e nacional da Verdade, os militares haviam informado não dispor de tal documentação. Parte deste período compreende a ditadura militar (1964-1985). Por suspeitar de ocultação dos documentos, os procuradores da República, no Rio, irão sugerir até a segunda (17) a abertura de inquérito para apurar o caso.

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Das Águas Gerais – A resistência de um povo

As comunidades Geraizeiras e Ribeirinhas ao logo dos tempos aprenderam a conviver com as Gerais,e perceberam que estes rio eram importantes lugares de abrigo. A partir daí surgiram os lugarejos, distritos e municípios que compõem o Oeste da Bahia. Desta ocupação surgiu uma relação intrínseca com as águas, que para o povo é de fundamental importância para reprodução da vida e fonte de sobrevivência. Contudo, por ser uma região estratégica para o capital, há uma grande corrida para a expansão de infraestruturas, a fim de beneficiar o Agronegócio. Dentre estas destacam-se os projetos de Barragens, que atualmente chegam a cerca de 150 para os rios do Oeste. Continue lendo “Das Águas Gerais – A resistência de um povo”

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Seminário Nacional sobre Povos Indígenas começa em Brasília

andes

ANDES-SN

Na tarde de sexta-feira (14)  teve início o Seminário Nacional Sobre Povos Indígenas do ANDES-SN, na sede do Sindicato Nacional em Brasília (DF). Após uma breve abertura realizada por Gean Santana e Liliane Machado, ambos diretores do ANDES-SN e membros do Grupo de Trabalho de Classe, Etnicorraciais, Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS),  aconteceu a primeira mesa do encontro, sob o tema “Universidade, Povos Indígenas e Conjuntura”.

Participaram do debate Bruno Kaingang, do Rio Grande do Sul, e o professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc-BA) Casé, do Movimento Tubinambá da Luta Pela Terra. Bruno focou sua intervenção discussão da educação indígena e da progressiva diminuição da cultura dos povos indígenas por conta da sociedade. Ele afirmou que foi um dos primeiros indígenas a entrar na universidade no Rio Grande do Sul, e que o fez porque queria armar seu povo na luta pela terra.

Bruno Kaingang também problematizou a formação de professores indígenas em sua fala. Segundo ele, não basta ser indígena para que o professor consiga usar a educação como instrumento na construção e manutenção da cultura indígena, pois muitos desses professores acabam se formando na lógica da educação ocidentalizada. Por fim, Bruno criticou a universidade – que mesmo com avanços na possibilidade de acesso A indígenas – ainda apresenta problemas para os estudantes indígenas, tanto de acesso  quanto de permanência. Continue lendo “Seminário Nacional sobre Povos Indígenas começa em Brasília”

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Portugal deve pagar indemnizações pela escravatura?

Negros

Os países que escravizaram devem compensar os escravizados? Há quem diga que sim e até aponte um valor para uma indemnização: 30 triliões de dólares vezes 10 mil. Há quem diga que não, porque isso seria voltar à menorização dos colonizados. Antes disso, Portugal deve debater o seu passado esclavagista, dizem historiadores.

Por Joana Gorjão Henriques, em Público

É um tema que tem vindo a debate regularmente, mas de que pouco se fala em Portugal. Devem os países que participaram na escravatura pagar indemnizações? Quem o deve fazer, quem deve ser indemnizado?

Em Maio, a organização Comunidade das Caraíbas (Caricom) reuniu-se na conferência da Comissão de Compensações/ Reparações e incluiu Portugal na lista dos países europeus aos quais querem exigir indemnizações. Chegaram, na altura, a um programa de dez pontos que consideram essenciais para o processo de reparações: passa pelo pedido de desculpas formal, apoio ao repatriamento para África, criação de programas de desenvolvimento para indígenas, criação de instituições culturais, erradicação da iliteracia ou cancelamento das dívidas dos países africanos.

Há três semanas, a Caricom voltou a reunir-se em Antígua e Barbuda numa segunda edição da conferência e voltou a fazer as mesmas reivindicações. As negociações continuam e estão agora nas mãos do comité liderado pelo primeiro-ministro de Barbados, Hon Frendel Sturat, diz Verene Shepherd, presidente da Comissão Nacional para as Reparações da Jamaica e uma das três vice-presidentes da Comissão de Compensações. Continue lendo “Portugal deve pagar indemnizações pela escravatura?”

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Segurança e barbárie: a cada 10 minutos, uma pessoa é assassinada no Brasil

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Somente 35% das vítimas de estupro delatam crime. Foto: Reprodução.

Por Marcela Belchior, na Adital

A cada 10 minutos, uma pessoa é assassinada no Brasil. De acordo com o 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que acaba de ser publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com apoio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), daOpen Society Foundations(OSF) e do CAF – Banco da América Latina, somente em 2013, um total de 53.646 mortes violentas foram registradas, incluindo vítimas de homicídios dolosos e ocorrências de latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

No caso dos estupros, 50.320 casos foram registrados no país no ano passado, representando um leve aumento em relação a 2012, quando foram relatados 50.224 casos. O anuário aponta ainda que 35% das vítimas de estupro não costumam relatar o episódio às polícias, segundo pesquisas internacionais. “Assim, é possível que o Brasil tenha convivido, no ano passado, com cerca de 143 mil estupros”, alerta o documento.

O número de pessoas encarceradas no Brasil, em 2013, chegou a 574.207. Já a quantidade de presos provisórios, aguardando julgamento, alcançou 215.639 pessoas, o que corresponde a 40,1% do total de presos no sistema penitenciário, o que não inclui os presos sob custódia das polícias. “Negros são 18,4% mais encarcerados e 30,5% mais vítimas de homicídio no Brasil”, acrescenta o levantamento. Continue lendo “Segurança e barbárie: a cada 10 minutos, uma pessoa é assassinada no Brasil”

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Para pesquisadora, mito de ‘país tolerante’ silencia debate sobre racismo na Holanda

Holandeses caracterizados como Zwarte Piets em parada na cidade de Ypenburg, perto de Haia, em 2009
Holandeses caracterizados como Zwarte Piets em parada na cidade de Ypenburg, perto de Haia, em 2009

Patricia Schor, da Universidade de Utrecht, condena tradição natalina holandesa do “Zwarte Piet” e faz paralelo com Brasil: negro só aparece como subalterno

Por Carolina de Assis, no Opera Mundi

O debate sobre a herança colonial e o racismo na Holanda é reaceso a cada ano nos meses de novembro e dezembro, quando o personagem Zwarte Piet, ou “Pedro Preto”, aparece nas vitrines de lojas decoradas para o Natal em todo o país.

De acordo com o folclore holandês, os Zwarte Piets são os ajudantes do Sinterklaas, ou São Nicolau, figura análoga ao Papai Noel. Nas paradas natalinas realizadas em várias cidades, o personagem é encarnado por pessoas brancas, que fazem uso de “blackface” (maquiagem que cobre o rosto de negro) batom vermelho que realça os lábios, perucas de cabelos crespos e brincos de argola dourados. Se grande parte da população holandesa não vê problema na representação do Zwarte Piet, por outro lado, ele é considerado uma caricatura racista por vários movimentos sociais, que há anos protestam contra o personagem e ressaltam a necessidade da discussão sobre o racismo na sociedade holandesa.

A questão voltou à baila no país na última quarta-feira (12/11), quando o Conselho de Estado holandês — o mais alto tribunal do país — divulgou decisão sobre o recurso apresentado pela prefeitura de Amsterdã em prol da realização da parada anual de Sinterklaas na cidade, o maior evento natalino do país. O recurso foi apresentado após sentença do Juizado Administrativo de Amsterdã do início de julho que considerou o personagem Zwarte Piet “ofensivo” e “perpetuador de estereótipos racistas”, exigindo que o prefeito Eberhard van der Laan reconsiderasse a realização do desfile na cidade. O Conselho de Estado, entretanto, julgou anteontem que a questão do racismo não compete ao prefeito, e se absteve de estipular se o personagem tem ou não caráter racista. Continue lendo “Para pesquisadora, mito de ‘país tolerante’ silencia debate sobre racismo na Holanda”

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