A CSA e o racismo ambiental na Zona Oeste do Rio de Janeiro

Felipe Felix

Na última matéria do Blog Vira Mundo, discutimos sobre o CTR Santa Rosa em Seropédica no contexto da prática do racismo ambiental na Baixada Fluminense. Também denunciamos que sua construção sobre o Aquífero Piranema era um fator agravante deste projeto  na medida em que, além de reforçar um modelo ambientalmente racista, também comprometia um dos mais importantes recursos hídricos da região.

Nesta semana, decidimos prosseguir o debate sobre o racismo ambiental praticado nas áreas consideradas “periféricas” através de outro exemplo: a atuação da CSA – Companhia Siderúrgica do Atlântico – no bairro de Santa Cruz, localizado na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro.

A noção de racismo ambiental, cunhada por acadêmicos e militantes dos movimentos sociais, foi apresentada na matéria da semana passada como sendo relacionada “às injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre grupos étnicos vulnerabilizados e outras comunidades, discriminadas por sua origem ou cor” (GRUPO DE TRABALHO DE COMBATE AO RACISMO AMBIENTAL). Continue lendo “A CSA e o racismo ambiental na Zona Oeste do Rio de Janeiro”

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Altamira, PA: Belo Monte e os conflitos anunciados

Situação em Altamira tende a se acentuar com a chegada de um grande número de pessoas e o êxodo de moradores que serão desalojados por Belo Monte

Nem mesmo a hidrelétrica de Belo Monte ensaia sair do papel, já começaram os conflitos na região de Altamira, no Pará. Previsto desde as discussões iniciais sobre o projeto, os problemas imobiliários se alastram por toda parte. Dezenas de famílias já estão desalojadas. Elas são oriundas de áreas conhecidas como baixões, que serão alagados pela usina. Outras tantas estão a caminho da cidade sob a promessa de que lá encontrão mais oportunidades de trabalho e melhor qualidade de vida.

O medo do possível alagamento e a incerteza em relação às indenizações prometidas pelo governo federal e pelo consórcio Norte Energia – responsável pela obra -, tem provocado a mudança de dezenas dessas famílias para terrenos que ficam às margens de Altamira, ou mesmo para a própria cidade, onde a especulação imobiliária e a procura por casas têm elevado de forma vertiginosa o preço dos aluguéis. Continue lendo “Altamira, PA: Belo Monte e os conflitos anunciados”

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Cadastro de imóveis do Incra mostra que terras estão mais concentradas e improdutivas no Brasil

Dados do cadastro de imóveis do Incra, levantados a partir da auto-declaração dos proprietários de terras, apontam que aumentou a concentração da terra e a improdutividade entre 2003 e 2010 (veja tabela no final do texto).

Atualmente, 130 mil proprietários de terras concentram 318 milhões de hectares. Em 2003, eram 112 mil proprietários com 215 milhões de hectares. Mais de 100 milhões de hectares passaram para o controle de latifundiários, que controlam em média mais de 2.400 hectares.

Os dados demonstram também que o registro de áreas improdutivas cresceu mais do que das áreas produtivas, o que aponta para a ampliação das áreas que descumprem a função social. O aumento do número de imóveis e de hectares são sinais de que mais proprietários entraram no cadastro no Incra. Continue lendo “Cadastro de imóveis do Incra mostra que terras estão mais concentradas e improdutivas no Brasil”

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O começo do fim da alma carioca. Primeiro foram os pobres, agora as escolas de samba. Quem serão os próximos?

Jorge Borges*

A sanha maldita da Prefeitura do Rio amplia seu leque de ataques. Agora, na zona portuária, além de milhares de famílias pobres da Providência, Saúde e Gamboa, são as escolas de samba mirins e dos grupos de acesso é que perdem seu chão. Neste exato momento, sob a força de uma ordem judicial, a alma carioca perde um pouco mais do seu sorriso e da sua esperança. Diversas agremiações estão sendo despejadas da localidade conhecida como “Formosa” na região do projeto “Porto Maravilha”.

Os prédios e antigos barracões usados por escolas das mais tradicionais do carnaval do Rio de Janeiro pertenciam a órgãos públicos e agora serão cedidos a preços módicos para empreiteiras e incorporadoras darem continuidade ao seu ciclo de reprodução ampliada do Capital — concentrando mais renda, gerando mais pobreza financeira e cultural para nossa Cidade. Quem realmente ama o Rio de Janeiro sabe da importância que os barracões das escolas de samba têm para a economia carioca. Escolas como a Pimpolhos da Grande Rio (mirim), Vizinha Faladeira e quase todas dos grupos C, D e E geram empregos, cultura, História há mais de cem anos na nossa Cidade.

Mas para o Prefeito Eduardo Paes e sua caterva, História e passado só servem se couberem num retrofit barato, fundido num prédio de milhões e milhões de reais em escritórios de multinacionais e outras formas da especulação imobiliária. Continue lendo “O começo do fim da alma carioca. Primeiro foram os pobres, agora as escolas de samba. Quem serão os próximos?”

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A CSA e o racismo ambiental na Zona Oeste do Rio de Janeiro

Na última matéria do Blog Vira Mundo, discutimos sobre o CTR Santa Rosa em Seropédica no contexto da prática do racismo ambiental na Baixada Fluminense. Também denunciamos que sua construção sobre o Aquífero Piranema era um fator agravante deste projeto na medida em que, além de reforçar um modelo ambientalmente racista, também comprometia um dos mais importantes recursos hídricos da região.

Nesta semana, decidimos prosseguir o debate sobre o racismo ambiental praticado nas áreas consideradas “periféricas” através de outro exemplo: a atuação da CSA – Companhia Siderúrgica do Atlântico – no bairro de Santa Cruz, localizado na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro.

A noção de racismo ambiental , cunhada por acadêmicos e militantes dos movimentos sociais, foi apresentada na matéria da semana passada como sendo relacionada “às injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre grupos étnicos vulnerabilizados e outras comunidades, discriminadas por sua origem ou cor” (GRUPO DE TRABALHO DE COMBATE AO RACISMO AMBIENTAL).  Continue lendo “A CSA e o racismo ambiental na Zona Oeste do Rio de Janeiro”

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Inscrições abertas para o IV Seminário Afro-Alagoano

Está previsto para o próximo dia 07 de julho, às 9 horas as comemorações do Dia Nacional de Luta Contra o Racismo, ato interreligioso, no alto da Serra da Barriga/Parque Memorial Quilombo dos Palmares/AL. As atividades tem como objetivo prestar homenagem a luta e memória do indicado ao prêmio Nobel da Paz/2010, dramaturgo, poeta, e acima de tudo defensor ferrenho da igualdade racial,e, um dos maiores símbolos da luta contra o preconceito, Abdias Nascimento.

Conceituado intelectuais do Movimento Negro Brasileiro, doutor honoris causa pelas Universidades de Brasília, do Rio de Janeiro, da Bahia, professor na Universidade de Nova York”, Abdias Nascimento exerceu os cargos de deputado federal e senador da República.

O ato interreligioso contará com a presença de Elisa Larkin, esposa de Abdias e coordenadora do IPEAFRO, do presidente da Fundação Cultural Palmares, Elói Ferreira de Araújo, Leonor Franco de Araújo, Secretaria de Promoção e Políticas da Igualdade Racial, Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras, Rurais e Quilombolas, Patrícia Mourão, coordenadora do Instituto Magna Mater e representantes do governo de Pernambuco. Continue lendo “Inscrições abertas para o IV Seminário Afro-Alagoano”

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Belo Monte: energia da Idade da Pedra

Desenho: focofelicidade.blogspot.com

Reescrevendo o artigo “Energia na Idade da Pedra”, de Delfim Netto, de 26 de junho de 2011, para a Carta Capital

Telma Monteiro

As campanhas para impedir a construção de Belo Monte, no rio Xingu, não têm a pretensão apenas de preservar a integridade da Amazônia, mas também a dos seus povos e culturas. Apesar de o projeto estar sob o foco do governo há quase 30 anos, não se levou em conta todas as implicações importantes para a sobrevivência dos ecossistemas da região. Combater a construção de Belo Monte não significa querer voltar para a Idade da Pedra em busca da escuridão e desdenhar a energia em nossas vidas.  Temos apresentado fundamentos científicos de alternativas a Belo Monte que não estão sendo discutidas ou avaliadas pelo governo.

Sabemos como exatamente uma usina hidrelétrica – na Amazônia, no Vale do Tenesse, nos EUA, ou Três Gargantas, na China – modificam para pior o ambiente físico. Somos também conhecedores de como esses processos foram impostos à sociedade desses países. Nossa vivência de atuação no acompanhamento do desenvolvimento energético brasileiro mostra que as mudanças – não são teses defendidas por ecochatos ou radicais, mas por cientistas – são sempre negativas sob todos os aspectos desde a flora e fauna até os seres humanos, principalmente. Continue lendo “Belo Monte: energia da Idade da Pedra”

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RJ – “Sobre o Sérgio Cabral, a empresa Delta e o Eike Batista”

Marcelo Freixo*

Meu pronunciamento hoje diz respeito a toda essa polêmica envolvendo a empresa Delta, o Sr. Eike Batista e o Governo do Estado – não poderia ser diferente.

Por formação, sou professor de História – estou Deputado, Deputado não é profissão. Como professor de História, sempre tive muitas dificuldades em Matemática. Para fazer contas era um problema. Eu ficava desesperado quando aparecia assim: “descubra o valor de x”. Eu tinha pânico! E não é que isso me persegue, Deputado? Qual é o valor de x? Isso volta à tona no debate do Rio de Janeiro: quanto vale x? Talvez valha bem menos do que o próprio imagina.

O cinismo, a desfaçatez, o deboche do Sr. Eike Batista – o “homem x”, cujo valor não se sabe bem qual é – não combinam com os dados que conseguimos. O Sr. Eike Batista gosta de financiar campanhas, mas a minha ele nunca financiou e nunca financiará – nem a minha nem a de muitos Deputados daqui –, então, não há problemas. Conseguimos ter a independência necessária de que este Parlamento precisa para fazer os questionamentos. Continue lendo “RJ – “Sobre o Sérgio Cabral, a empresa Delta e o Eike Batista””

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El Salvador: Indígenas, historia de discriminación y exterminio

Por Raimundo López

A diferencia de otras capitales latinoamericanas, en San Salvador la presencia de los pueblos indígenas parece ser invisible, confinada al anonimato por siglos de discriminación y un atroz genocidio en 1932. Es la conclusión que se llega sólo al asomarse a la historia de la nación.

El presidente, Mauricio Funes, planteó con claridad esa dolorosa historia el 12 de octubre pasado, al inaugurar el Primer Congreso Nacional Indígena y cuando anunció un cambio de la política hacia esa población.

Nuestro país arrastra una larga historia de discriminación contra nuestros hermanos y hermanas indígenas, que se manifestó en sus peores formas: esclavitud, primero, persecución y exterminio, después, explicó.

Ese mismo día el mandatario, a nombre del estado y el pueblo salvadoreños, pidió perdón a las comunidades indígenas “por la persecución, por el exterminio de que fueron víctimas durante tantos y tantos años”. Continue lendo “El Salvador: Indígenas, historia de discriminación y exterminio”

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II Seminário de Comunidades Rurais da Região do Rio Jacu

O Baixo Parnaíba Maranhense vive nas últimas décadas uma forte pressão de grandes grupos e produtores do agronegócio cuja proposta de “desenvolvimento” que se implanta a base de cooptação de lideranças, fragmentação das famílias e desestruturação dos povoados na sua ambição por novas áreas para desbravarem para os mais diversos fins, ou seja, desmatar para utilizar o carvão vegetal, desmatar e “tratar” a terra para produção de monocultivos de soja e/ou eucalipto.

No sentido de desestruturação de suas Comunidades e Instituições locais a partir de manobras e estratégias plantadas por aqueles que querem “saquear’ e “usurpar” o direito e o bem comum destas Comunidades. Numa região onde os ecossistemas do cerrado, os recursos hídricos e as populações tradicionais andam de mãos dadas, o agronegócio também anda de mãos dadas com a destruição socioambiental (grilagem de terras; desmatamento por correntões; pulverização com agrotóxicos e a contaminação de fontes hídricas, da fauna e da flora e ainda de povoados que habitam nas circunvizinhanças; conflitos físicos com comunidades, fraudes em cartórios, justiça inoperante e/ou parcial, dentre outros problemas). Ratifica-se que tudo isto ocorre à margem da lei e sem nenhum acompanhamento por parte do estado e de seus órgãos suplementares. Continue lendo “II Seminário de Comunidades Rurais da Região do Rio Jacu”

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