O dia em que a casa foi expulsa de casa, por Eliane Brum

A maior liderança popular do Xingu foi arrancada do seu lugar pela hidrelétrica de Belo Monte, a obra mais brutal –e ainda impune– da redemocratização do Brasil

Eliane Brum, El País Brasil

Antonia Melo foi encurralada. Por seis meses o tempo da sua vida esteve marcado pelo som das máquinas botando abaixo a vizinhança da Sete de Setembro, o nome da rua só mais uma ironia. Ela estava ali, sitiada, testemunhando o mundo que ajudou a construir ser violado e convertido num cenário de Faixa de Gaza. Ela, seus filhos, seus netos. E o barulho da destruição avançando, cercando, soterrando também as conversas, fincando seus braços robóticos nas palavras, matando frases inteiras. Um dia chegou em casa e descobriu os escombros do muro dos fundos, derrubado junto com um pedaço da floresta que tinha como quintal. Num calor que pode beirar os 40 graus, já não havia energia elétrica suficiente para ligar a geladeira. Antonia foi sendo asfixiada aos poucos, menos ar a cada dia. Continue lendo “O dia em que a casa foi expulsa de casa, por Eliane Brum”

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Hora da despedida, por José Castello

No seu blog, em O Globo

Chegou a hora de me despedir de meus leitores. Não é um momento fácil – nunca é. Mas ele se agrava porque, com o fechamento do “Prosa“, incorporado ao “Segundo Caderno”, desaparece um último posto de resistência na imprensa do sudeste brasileiro. Os suplementos de literatura e pensamento já não existem mais. Um a um, foram condenados e derrotados pela cegueira e pela insensatez dos novos tempos. Comandado pela vigorosa Manya Millen, o “Prosa” resistia como um último lugar de luta contra a repetição e a dificuldade de pensar com independência. Isso, agora, também acabou.

Nosso mundo se define pelo achatamento e pela degola. No lugar do diálogo, predominam o ódio e o desejo de destruição. No lugar da tolerância, a intolerância e a rispidez, quando não a agressão gratuita. É o mundo do Um – em que todos dizem as mesmas coisas, usando quase sempre as mesmas palavras. Um mundo em que a verdade, que todos ostentam, de fato agoniza. Nesse universo, a literatura se impõe como um reduto de resistência. A literatura é o lugar do diálogo, do múltiplo, da diferença. Não é porque gosto de Clarice que devo odiar Rosa. Não é porque amo Pessoa que devo desprezar Drummond. Ao contrário: na literatura (na arte) há lugar para todos. Continue lendo “Hora da despedida, por José Castello”

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Carta de Correntina: “Cerrado em Pé: a Vida brota das Águas”

CPT: Na Semana do Cerrado, entre os dias 07 a 11 de setembro, aconteceu, em Correntina, na Bahia, o IV Seminário e a II Romaria do Cerrado. Cerca de 2 mil pessoas participaram da Romaria. Veja a Carta na íntegra:

Por ocasião da Semana do Cerrado, reunimo-nos em Correntina-BA, de 07 a 11 de setembro de 2015, em Mobilizações nas Comunidades e Escolas, no IV Seminário e na II Romaria do Cerrado, representantes de comunidades geraiseiras, fundos e fechos de pasto, quilombolas, estudantes, professores, agentes pastorais, sindicalistas, gestores públicos, vereadores, militantes socioambientais do campo e da cidade, de entidades e movimentos populares, do Oeste Baiano e de outras regiões. Contamos no seminário com 82 pessoas, de 21 entidades. Na romaria, cerca de 2.000 pessoas, de 24 municípios. Continue lendo “Carta de Correntina: “Cerrado em Pé: a Vida brota das Águas””

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Ainda há juízes no Brasil…até quando?

Por Rogerio Dultra dos Santos, Democracia e Conjutura

Francisco Campos, Ministro da Justiça do Estado Novo entre 1937 e 1942, autor da Constituição de 1937, que justificou o golpe de Estado de Getúlio Vargas e do Ato Institucional nº 1, que pretendeu dar legitimidade para o golpe de 1964, foi também responsável pelo Código Penal e pelo Código de Processo Penal, de inspiração fascista, ainda em vigor no país.

Afinal, se 98% da população carcerária brasileira é composta de negros e pobres, isto não é por acaso. E hoje, ante o Projeto de Lei do Senado 402/2015, que pretende adulterar o conteúdo do Código de Processo Penal no sentido de permitir que se antecipe a prisão de réus antes de sentença condenatória transitada em julgado, Francisco Campos, uma das mais ilustres inteligências da direita brasileira, estaria em êxtase. Continue lendo “Ainda há juízes no Brasil…até quando?”

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Humanidade abaixo da crítica, lá como cá. Afinal…

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

A foto (primeira página de O Globo de ontem, domingo) informa que se trata de um sírio tentando salvar um bebê nas costas da Grécia após naufrágio do barco no qual viajavam. Diz que “não se sabe se o menino da foto está entre os mortos”. E acrescenta: “A crise migratória na Europa levou a Alemanha a retomar o controle de suas fronteiras”.

Onde se lê Grécia, leia-se aquele país do Syriza, no qual a população corajosamente disse “não” ao ajuste da Troica. Onde se lê Alemanha, leia-se aquele país da Merkel, que castigou cruelmente a ‘ousadia’ da população grega, levando Tsipras a se submeter à sua arrogância. Onde se lê mortos, leiam-se 34 pessoas, sendo 11 crianças e quatro bebês. Continue lendo “Humanidade abaixo da crítica, lá como cá. Afinal…”

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MST lança nota sobre o atual momento político e a Reforma Agrária

Da Página do MST 

A crise política iniciada após a reeleição de Dilma Rousseff e a ofensiva da oposição e dos setores mais conservadores do país, recolocaram algumas advertências na ordem do dia.

Diante da conjuntura política nacional e internacional, uma de suas principais advertências consiste em alertar sobre a importância de não resumir a luta política à luta eleitoral e de não sucumbir às armadilhas da política tradicional.  Continue lendo “MST lança nota sobre o atual momento político e a Reforma Agrária”

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Ecos de Aylan Kurdi

Por Gustavo Guerreiro, O POVO

Na última semana espalhou-se nas redes sociais uma imagem impactante: a do corpo de Aylan Kurdi, criança encontrada morta no litoral de Bodrum, na Turquia após naufrágio de embarcação de refugiados sírios que seguia em direção à Grécia. A foto ilustra com extremo grau de dramaticidade aquilo que a Anistia Internacional chamou de “a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial”, responsabilizando a comunidade internacional pelo “fracasso vergonhoso” no acolhimento aos desesperados em busca de abrigo. Continue lendo “Ecos de Aylan Kurdi”

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Um mundo opaco, um grito de dor…, por Elaine Tavares

Elaine Tavares, Palavras Insurgentes

De fato, por aqui, pelo menos por agora, não vivemos uma guerra de verdade, com bombas explodindo casas e gente matando gente sem qualquer razão plausível.  Mas, é certo que nesse nosso mundo estranho, das grandes cidades, temos muitos espaços em que a violência institucional é pão comido, realidade cotidiana, tão cruel quanto a realidade de uma guerra. As balas estouram nas casas e as pessoas morrem como moscas. E, a dita sociedade, de modo geral, vai se acostumando a essas cenas, como se elas se naturalizassem. Assim, de repente, uma chacina num bairro qualquer da grande São Paulo passa a ser só uma notícia na TV. Negros e pobres, “potencialmente marginais”, nada de mais. Continue lendo “Um mundo opaco, um grito de dor…, por Elaine Tavares”

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A morte do indígena guarani-kaiowá Semião Vilhalva, por Hermano de Melo

“os coordenadores da expedição ordenaram que a reportagem do Correio voltasse e não presenciasse o desfecho da retomada das fazendas. E acrescentaram: ‘Daqui em diante, vocês não vão ver o que vai acontecer’, disse um dos ruralistas, que ameaçou ‘riscar’ os pneus do carro caso insistisse. Ao que parece, eles não queriam testemunhas sobre o que iria acontecer em seguida…”

No Correio do Estado

Reportagem de página inteira assinada por Celso Bejarano e publicada em 9/9 último no jornal Correio do Estado revela de forma inequívoca o que aconteceu em 29 de agosto passado, quando um grupo de 100 ruralistas montados em modernas caminhonetes adentrou as fazendas Barra e Fronteira, no município de Antônio João, MS, a fim de retomar área que segundo eles havia sido invadida por indígenas. Tudo seria considerado “normal” se incidente grave não tivesse acontecido: o índio Guarani-Kaiowá Semião Fernandes Vilhalva, 24 anos, foi morto por tiro disparado à longa distância com arma de calibre 22 e de autoria ainda desconhecida.   Continue lendo “A morte do indígena guarani-kaiowá Semião Vilhalva, por Hermano de Melo”

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Paraná tem a primeira doutora quilombola do Brasil

Por Agência de Notícias do Paraná

O Departamento da Diversidade, da Secretaria de Estado da Educação do Paraná conta com a primeira doutora quilombola do Brasil. A professora da rede estadual de ensino Edimara Soares terminou o doutorado em 2012 na Universidade Federal do Paraná (UFPR), ao defender a tese “Educação Escolar Quilombola: quando a diferença é indiferente”.

O conhecimento que ela ganhou durante a pesquisa é disseminado e debatido em cursos sobre educação escolar quilombola. O Departamento da Diversidade existe desde 2008 na Secretaria da Educação, e Edimara Soares trabalha na coordenação da educação das relações das diversidades etnicorraciais e quilombola. Continue lendo “Paraná tem a primeira doutora quilombola do Brasil”

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