Que tal combater os homicídios mudando o conceito do que seja assassinato?, por Leonardo Sakamoto

Leonardo Sakamoto

Encontrei, dia desses, uma manchinha escura na mão. Não, não é pereba ou algo do gênero. É marca do tempo ou, como ouvi uma vez minha avó reclamar, “tatuagem da velhice”. Daí, uma amiga sugeriu que eu usasse uns creminhos para dar uma guaribada no visual.

Poderia também tingir os cabelos brancos – que surgiram como testemunhas e hoje se juntaram em hordas a apavorar a maioria. Mas nada mudaria o fato de que estou ficando mais velho. Todos têm o direito de fazer o que quiser com sua aparência, mas – como já disse aqui – o meu conceito de envelhecer com dignidade inclui encarar de frente as metamorfoses do meu corpo. Afinal de contas, a mancha não é acidente. É vida mesmo.

Gostamos de fugir da natureza de nossos problemas, maquiando-os. No Congresso Nacional, jogando a realidade para baixo do tapete. Reescreve-se a bíblia trocando-se Jesus por Eduardo. Ou, ao contrário, avisam que apenas estão revisando de leve o texto bíblico e, de repente, Noé surge na Última Ceia. Continue lendo “Que tal combater os homicídios mudando o conceito do que seja assassinato?, por Leonardo Sakamoto”

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Marcados para morrer

indios guaranis_survivalAdital – No 30º aniversário do assassinato do índio guarani Marçal de Souza Tupã-i, líder da luta de seu povo para conseguir o direito de posse de seus territórios, a organização Survival International apresenta dados preocupantes que mostram o alcance da violência que sofrem os índios guaranis do Brasil. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a maioria dos indígenas assassinados no Brasil é da etnia guarani.

Em 2012, a taxa de assassinatos entre guaranis foi quatro vezes maior que o índice nacional de homicídios no Brasil, que já é por si só um dos mais elevados do mundo. A taxa nacional de homicídios no Brasil em 2012 foi de 25,8 por 100 mil habitantes. Segundo o Cimi, 34 guarani no Estado do Mato Grosso do Sul foram assassinados em 2012, de uma população de 31 mil.

Atualmente, os guaranis continuam sendo vítimas da violência e dos ataques de pistoleiros, na tentativa de reocupar suas terras ancestrais, que foram usurpadas para a construção de fazendas e plantações de cana-de–açúcar. Apesar das obrigações nacionais e internacionais, as terras não foram devolvidas aos indígenas. Continue lendo “Marcados para morrer”

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Ação Urgente: Famílias desabrigadas após despejo e ameaças de homens armados no Maranhão

Maranhão, segundo maior índice de violência no campo entre os Estados brasileiros Foto: Agência Brasil
Maranhão, segundo maior índice de violência no campo entre os Estados brasileiros
Foto: Agência Brasil

Sessenta famílias de duas comunidades rurais no estado do Maranhão ficaram desabrigadas e sem terra após serem despejadas pela polícia. A comunidade Campo do Bandeira foi ameaçada e intimidada por homens armados que rondam a área. Quatro lideranças foram juradas de morte

Anistia Internacional – No dia 13 de novembro, 45 famílias da comunidade Campo do Bandeira e 15 famílias da comunidade Arame foram despejadas e deixadas desabrigadas e sem terra depois do cumprimento de medida liminar de Reintegração de Posse. As autoridades do estado do Maranhão não deram notificação adequada às famílias, que tiveram que deixar suas casas e terras apesar de apelação pendente das comunidades e do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (ITERMA) contra a ordem de despejo. Outras salvaguardas, incluindo oportunidades de consulta genuínas com as pessoas afetadas, também não foram postas em prática antes dos despejos. As famílias não tinham para onde ir e ficaram abrigadas na sede municipal da União dos Trabalhadores Rurais de Alto Alegre. Continue lendo “Ação Urgente: Famílias desabrigadas após despejo e ameaças de homens armados no Maranhão”

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Ensino da cultura negra ainda sofre resistência nas escolas

pastor-deputado-lei-10639-home-siteCENPAHEmbora metade da população brasileira se identifique como preta ou parda, a história das raízes africanas do Brasil ainda é tema pouco tratado nas salas de aula. Promulgada há dez anos, a lei 10.639, que determina o ensino da cultura afro-brasileira, esbarra na falta de capacitação dos professores e até no racismo velado que permeia a sociedade, segundo apurou a reportagem da BBC Brasil. Mas há avanços.

Revista Afro Bahia – Hoje com 19 anos, Michael Sodré é mais um estudante tenso com as provas do vestibular. Nos primeiros anos do colégio, no entanto, o motivo de tensão era outro. Único garoto negro em sua sala de aula, em um famoso colégio de elite na zona sul do Rio de Janeiro, o menino era alvo frequente de bullying por parte dos colegas.

“Chamavam ele de Bombril por causa do cabelo”, disse a mãe adotiva, Celina Sodré. Em uma conversa dura com a coordenadora da escola, o diálogo acabou em uma recomendação insólita: “Ela simplesmente me disse que a solução do problema era que meu filho fosse estudar na escola pública, porque aí ele saberia onde era o seu lugar”. Continue lendo “Ensino da cultura negra ainda sofre resistência nas escolas”

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SE – Quatro minutos de violência contra ocupação Nossa Senhora do Carmo, em Carmópolis

Ação de reintegração de posse efetuada por 400 policiais contra uma população pobre que reivindica o seu direito a moradia. Acontece em diversos lugares, quase todo dia nas periferias. Mas esse exemplo aconteceu em Carmópolis, Sergipe, na Ocupação Nossa Senhora do Carmo, contra famílias que apenas reivindicavam moradia e terra livre!

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Thiago Lucas.

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Eliane Brum: Dois Josés e um Amarildo [ótimo!]

pedreiro-amarildo-de-souzaEm seu gesto e na sua reivindicação, José Genoino e José Dirceu demonstraram não compreender o Brasil dos protestos: desde que as manifestações tomaram as ruas, presos políticos são os comuns

Por Eliane Brum*, em EL PAÍS Brasil

Havia algo de melancólico no braço erguido dos dois Josés, Genoino e Dirceu, ao serem presos por corrupção. E na afirmação: “Sou preso político”. O punho cerrado é o gesto de resistência de uma geração que lutou contra a ditadura, pegou em armas, foi presa, torturada e assumiu o poder na redemocratização do país. É também o gesto que não mais encontra destinatário para além de seus pares e de parte da militância do PT. É, principalmente, o gesto que não ecoa na juventude que se tornou protagonista dos protestos que mudaram o país. No Brasil que reconheceu Amarildo, o pedreiro, como mártir da democracia, a evocação vinda de José Genoino e de José Dirceu para ocupar esse lugar não encontra ressonância. Desde as manifestações de junho, os presos políticos são os comuns. Para um partido tão hábil em esgrimir simbologias, não compreender o Brasil forjado no ano que não terminou é uma tragédia talvez maior do que a prisão por corrupção de duas de suas estrelas históricas.

Mártir político é Amarildo de Souza. Favelado, negro, analfabeto, 43 anos, o ajudante de pedreiro conhecido como “boi” pela sua capacidade de carregar sacas de cimento desapareceu em 14 de julho ao ser levado a uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha, no Rio de Janeiro. Amarildo, o homem comum vítima da política de criminalizar, torturar e executar os pobres. Uma política que atravessa a história do Brasil, persiste na redemocratização e se manteve nos governos de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma. Não era o primeiro a desaparecer depois de entrar num posto policial, não foi o último. Mas, pela primeira vez, um homem comum, carregando em si todas as marcas da abissal desigualdade do Brasil, foi reconhecido como um desaparecido político da democracia, lugar destinado a ele pela convulsão das ruas. Esta pode ter sido a maior transformação colocada em curso pelos protestos.

Pela primeira vez, um homem comum,
carregando em si todas as marcas da abissal desigualdade do Brasil,
foi reconhecido como um desaparecido político da democracia

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Nota de Repúdio contra os serviços precários do Dsei/Leste/Sesai em Roraima

Juiz Wilson Witzel e cocarAs comunidades indígenas do Polo Base Campo Formoso, Terra Indígena Raposa Serra do Sol, região das Serras, vêm apresentar a sua nota de repúdio contra os serviços precários que vêm sendo feitos pelo Dsei-Leste/Sesai no estado de Roraima.

“A saúde é um estado de completo bem estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças.” Organização Mundial de Saúde – OMS

Nós, povos indígenas Macuxi, Ingaricó, Taurepang e Patamona, pertencentes ao Polo Base Campo Formoso da região das Serras, que reúne 06 comunidades indígenas: Piolho, Sapã, Campo Formoso, Lago Verde, Ponto Geral e Mato Grosso, após ampla discussão, avaliação, e questionamentos sobre a situação da Saúde Indígena, em especial ao atendimento do polo base acima mencionado, vimos manifestar, repudiar e apresentar nossas demandas:

1 – Base legal para garantia de um atendimento de qualidade à saúde indígena e respeito às nossas tradições e costumes:

1. A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas aprovada em 2007 afirma que “os povos indígenas têm direito às suas próprias medicinas tradicionais e a manter suas práticas de saúde, bem como desfrutar do nível mais alto possível de saúde, e os estados devem tomar as medidas necessárias para atingir progressivamente a plena realização deste direito” (artigo 24).

2. A Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é também signatário, afirma que os “sistemas de assistência a saúde devem dar preferência à formação e ao emprego de pessoal de saúde das comunidades locais, e concentrar-se nos cuidados básicos de saúde, assegurando ao mesmo tempo vínculos estreitos com os demais níveis de assistência a saúde” (artigo25). Continue lendo “Nota de Repúdio contra os serviços precários do Dsei/Leste/Sesai em Roraima”

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MA – Assembléia Ka’apor exige saída imediata da Missão Evangélica Caioá e resposta às denúncias feitas ao MPF e ao MS sobre irregularidades no Polo de Zé Doca

Hoje, a Assembléia do Povo Ka’apor enviou documento assinado por todas as lideranças, cobrando respostas urgentes às denúncias que fez em setembro, respaldadas pelo Ministério Público Federal. Encaminhando a carta (em cópia digital abaixo), seguiu a seguinte mensagem, endereçada a Antônio Alves, Secretário Especial de Saúde Indígena, e aos coordenadores do Dsei Maranhão:

“Segue o documento final que elaboramos em assembléia de nosso povo sobre nossa saúde no polo de zé doca. Reafirmamos a saída imediata da Missão Evangélica Caioá de nosso polo diante de tantas denuncias comprovadas pelo ministério público federal do maranhão, a superintendência de vigilância sanitária do maranhão e ministério da saúde. Segue o documento que estamos encaminhando para o senhor, antonio alves, e pedimos providencias urgentes. Estaremos conversando com o senhor em brasilia”.

No dia 16 de outubro, publicamos a matéria Blog Especial: Com o apoio da Procuradoria da República, Ka’apor denunciam desrespeito total às suas saúdes até roubo e corrupção, no MA, sobre essa questão. Vale relê-la, após ver o documento de hoje. E, para quem quiser mais detalhes, sugerimos ainda outras matérias no final. (Tania Pacheco)

CONSELHO DISTRITAL INDÍGENA

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RS – Uso de agrotóxicos chega a quase o dobro da média nacional

agrotoxicos1Por Caio Cigana, do Zero Hora, na Página do MST

O excesso e o descontrole no uso de agrotóxicos geram consequências que ultrapassam os limites do campo e ameaçam a qualidade da água, inclusive a distribuída à população urbana. Com um estudo que mapeou o uso de defensivos por bacia hidrográfica do Rio Grande do Sul, o Estado terá a partir do próximo ano uma portaria própria que ampliará a lista de princípios ativos de defensivos analisados pelas companhias de abastecimento.

Coordenado pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde, o trabalho fez projeções com base em informações coletadas sobre a safra 2009/2010 e indicou o uso de 85 milhões de litros de agrotóxicos no Estado, o equivalente a 34 piscinas olímpicas cheias de veneno agrícola. É como se cada gaúcho, à época, utilizasse 8,3 litros de veneno a cada ano, no período analisado. O volume per capito gaúcho é bem superior ao nacional. Um estudo da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) mostra que, em 2011, a média do país foi de 4,5 litros por habitante. Continue lendo “RS – Uso de agrotóxicos chega a quase o dobro da média nacional”

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Nota dos Guarani da Terra Indígena Araçá’i: “Não aceitamos acordos políticos em troca de nossa terra tradicional”

 cocarComunidade Guarani do Araçá’i, Terra Indígena Toldo Chimbangue

Nós Guarani da terra indígena Araçá´í denunciamos as manobras políticas que estão sendo arquitetadas por parlamentares de Santa Catarina, com o intuito de impedir o avanço da demarcação de nossa terra tradicional, pressionando o Ministério da Justiça, a Fundação Nacional do Índio para não demarcar nossa terra. Além disso, tentam nos convencer de que mudarmos para uma outra área provisória é a melhor saída. Com isso instigam, promovem e fomentam, nas regiões, manifestações contrárias a demarcação de nossa terra, alimentando o ódio e o preconceito da sociedade contra nós.

Denunciamos as estratégias desses políticos de estarem organizando estas ações. A última ofensiva é um acordo assinado sem nossa presença, na compra de uma área em Bandeirantes, no extremo oeste. Não admitimos este acordo feito, coordenado pelo deputado estadual Dirceu Dresch e o secretário da Agricultura do Estado de Santa Catarina, João Rodrigues. Lutamos e sempre lutaremos pela nossa terra tradicional, localizada nos municípios de Saudades e Cunha Porã. Continue lendo “Nota dos Guarani da Terra Indígena Araçá’i: “Não aceitamos acordos políticos em troca de nossa terra tradicional””

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