AM – Alunos de licenciatura indígena lançam obras pioneiras no País

manaus-amazonas-amazonia-Livros-Lancados-Indigenas-Ufam-indios-obras_ACRIMA20140124_0009_15Material, que inclui cadernos de pesquisas e um vídeo, é o primeiro produzido em línguas indígenas e por índios no Brasil

Por Ana Celia Ossame, em A Crítica

O lançamento de livros, cadernos de pesquisas, catálogo das leis e um vídeo dos estudantes do curso de Licenciatura Indígena Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável, das etnias tukano, baniwa e nheegatu do Alto Rio Negro marcou, sexta-feira (24), as primeiras produções científicas de um curso dessa disciplina no País.

A explicação, dada pela coordenadora do projeto, professora Ivani Farias, é necessária, segundo afirma, porque de um total de 26 cursos em funcionamento, apenas o da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) conseguiu esse mérito. O melhor, segundo ela, é que os materiais, produzidos nas línguas oficiais da respectivas etnias, poderão ser usados nas escolas de ensino fundamental e médio nas comunidades indígenas em seus respectivos municípios.

Entre os lançamentos, estão o Catálogo das leis baniwa, acordo ortográfico da língua Nheegatu e um vídeo em tukano que aborda a educação escolar indígena no alto Rio Negro. De acordo com Ivani, o curso veio em resposta a uma demanda dos povos indígenas do Alto Rio Negro em parceria com a Federação das Organizações Indígenas (Foirn) e Secretaria Municipal de São Gabriel da Cachoeira. Houve, de acordo com a coordenadora, discussões amplas com as comunidades da região no período de 2005 a 2009. A primeira turma foi ofertada em 2010, pelo Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), até a construção do Centro Universitário Indígena do Rio Negro. Continue lendo “AM – Alunos de licenciatura indígena lançam obras pioneiras no País”

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“Makèzú”, de Viriato da Cruz (1928-1973)

Poema enviado por Susan de Oliveira em resposta a África: A noz de cola, um fruto simbólico, com o comentário: “Deixo aqui um poema belíssimo do grande poeta e revolucionário comunista angolano, Viriato da Cruz, que fala sobre a cola e o gengibre como alimento tradicional da população angolana. No caso, fala da perda pelas novas gerações do costume de ingerir a mistura de cola e gengibre chamada de ‘Makèzú’. A mais velha e pobre vendedora ambulante da comida tradicional que ninguém consome também é um registro de um empobrecimento cultural”.

Viriato Cruz“Kuakié!… Makèzú…”

O pregão da avó Ximinha
É mesmo como os seus panos
Já não tem a cor berrante
Que tinha nos outros anos.

Avó Xima está velhinha
Mas de manhã, manhãzinha,
Pede licença ao reumático
E num passo nada prático
Rasga estradinhas na areia…

Lá vai para um cajueiro
Que se levanta altaneiro
No cruzeiro dos caminhos
Das gentes que vão p´ra Baixa.

Nem criados, nem pedreiros
Nem alegres lavadeiras
Dessa nova geração
Das “venidas de alcatrão”
Ouvem o fraco pregão
Da velhinha quitandeira. Continue lendo ““Makèzú”, de Viriato da Cruz (1928-1973)”

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Hepatite C: portadores tem dificuldade para acessar medicamentos e reclamam de discriminação

Por Beth Begonha, em Radiotube

Portadores do vírus da hepatite C se queixam da demora na entrega dos medicamentos para o tratamento fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Normalmente, o tempo de espera entre o diagnóstico e o recebimento dos remédios é de três meses a um ano, o que agrava muito o quadro de saúde dos infectados.

Além da questão da demora, muitos se queixam de discriminação, pois alegam que a entrega de medicamentos para aqueles que são diagnosticados com o HIV é imediata, enquanto os que recebem o diagnóstico de contaminação pelo vírus da hepatite tem que seguir uma série de trâmites burocráticos, que atrasam a entrega dos remédios e o início do tratamento.

Como os medicamentos são de altíssimo custo, quem tem hepatite C vê-se numa peregrinação em busca de seu direito, que acaba por agravar ainda mais o seu estado de saúde, correndo o risco de a demora impossibilitar o tratamento, situação em que apenas o transplante pode salvar a sua vida.

Confira no Amazônia Brasileira a entrevista com Carlos Varaldo, Presidente do Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite, e entenda o funcionamento dessa distribuição e os problemas que os portadores dos vírus da hepatite têm enfrentado para realizar seu tratamento.

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África: A noz de cola, um fruto simbólico

negre e colaPor Maria do Rosário Pimentel, em Buala

Flor e fruto têm vidas dependentes. A flor é promessa, o fruto é concepção. A flor é receptáculo, o fruto é semente. A vida de um implica a morte do outro. Os dois fazem parte do singular processo de vida da natureza. O homem, como espectador e como actor, intervém, organiza, interpreta, inventa ordenações que tornam o mundo inteligível à sua medida. Projecta-se nesse universo misterioso e preenche-o de linguagens simbólicas. A flora não foge à regra; muito pelo contrário, faz parte desse nosso dia-a-dia de linguagens, gestos e sonhos. Para este estudo, elegemos não a flor, mas o fruto da coleira, a noz de cola, fruto muito expressivo nas sociedades da costa ocidental de África, de onde é originário. Não é um fruto que represente a abundância, nem a exuberância exótica das novas terras, mas condensa uma forte dimensão social e simbólica nas sociedades que o elegeram como factor de evocação, de unidade e congregação. Nele se reúne o céu e a terra, o espaço e o tempo, o imanente e o transcendente. A noz de cola faz a ligação do mundo dos homens ao mundo dos espíritos. Presente nos relacionamentos interculturais proporcionados pelo expansionismo moderno espalhou-se por diversas regiões do globo, fazendo hoje parte do incremento agro-industrial e do panorama económico não só para a indústria farmacêutica, mas também para a confecção de bebidas, sendo a mais paradigmática a Coca-Cola. Actualmente, nas sociedades africanas, sobretudo muçulmanas, o uso da noz de cola permanece envolto em grande significado, sendo o fruto que sintetiza imagens e sentidos ocultos de mundos sagrados e profanos, plenos de significado e provação.

A árvore é vistosa, de porte considerável, originária do oeste africano, encontrando-se espontânea, sobretudo entre o Senegal e Angola, ao Norte do Cuanza. As flores são amarelas e os frutos, as sementes da coleira, que os botânicos designam por Sterculia Acuminata e que os navegadores quinhentistas divulgaram no mundo ocidental com a designação de noz de cola, estão hoje presentes em várias regiões do globo. A noz de cola ou castanha de cola, de sabor amargo, mas possuindo a propriedade de tornar saborosa a água que sobre ela se bebe, contém uma grande quantidade de cafeína que está na origem do seu efeito excitante e, por isso, diz-se que sob o seu efeito se pode resistir durante um período considerável ao cansaço e à falta de alimento. Continue lendo “África: A noz de cola, um fruto simbólico”

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Esta semana lembrei-me da favela de minha infância

Mônica Francisco
Mônica Francisco

Mônica Francisco*, no Jornal do Brasil

Hoje eu quero falar de tudo um pouco. A minha ansiedade não me deixa debruçar sobre um assunto só. É interessante ver circulando a notícia de que haverá mais rigor e esquemas ainda mais “especiais” para conter as manifestações durante a copa. O discurso sempre é para endurecer a repressão, com leis e decretos sendo assinados com uma rapidez surpreendente.

Entretanto, não se fala em reformas ou em mudanças na estrutura, que dão cada vez mais motivação às manifestações em todo o Brasil, país estranho o nosso. Vendo um documentário sobre Abdias do Nascimento, na TV Senado, me deu uma vontade de lutar!

Esta semana lembrei-me da favela de minha infância. Do “seu” Valentim que vendia cuscuz doce com refresco de maracujá e o inigualável quebra queixo. Lembrei do “Maré”, que vendia frutas, também da “Biloca”, que achei ter visto na laje da minha vizinha quando ela morreu. Diziam que pegava crianças.

Foi um turbilhão. Lembrei do “seu” Caroço, do Tiquinho, da Eliane, do Ivanildo “bicha”, que “causava” por seu jeito extravagante. Tinha o “Profeta”, o Jorge arroz branco, a dona Mariazinha dos gatos – ela tinha um nome para cada um dos mais de 30 bichanos que possuía –. Lembro do Preto e do Cigano, que eram os que mais fugiam e ela gritava a noite toda na busca por eles. Continue lendo “Esta semana lembrei-me da favela de minha infância”

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Verdelândia, MG – Suspeito envolvido em atentado contra quilombolas é ouvido e liberado

QuadroQuilombolasNo último domingo, dois homens foram baleados e outros nove feridos em uma fazenda invadida; vítimas relataram que filho do dono da fazenda participou dos ataques

Por Natália Oliveira e Juliana Baeta, em O Tempo

O fazendeiro João Fábio Dias, 38, foi ouvido nesta sexta-feira (24) pela delegada Andrea Pochmann da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente e Conflitos Agrários. Ele negou participação no atentado contra 40 quilombolas em Verdelândia, no Norte do Estado.

O fazendeiro é o principal suspeito de comandar o crime. “Ele disse que estava em Janaúba (também no Norte do Estado), na casa do pai no dia do atentado, porém o fato é que quase 30 vítimas disseram ter reconhecido ele no dia em que foram atacados. Ele é uma figura típica na cidade”, relatou a delegada.

Dias se apresentou à delegada em Janaúba, acompanhado de dois advogados de defesa. Ele disse à polícia que ficou sabendo que era suspeito do crime pela mídia e por isso resolveu se apresentar. A delegada explicou que ele foi ouvido e liberado. “Por enquanto não cabe prendê-lo, preciso dar prosseguimento ao processo, os advogados dele garantiram que ele não irá sair da cidade”, disse. Andrea ainda deve ouvir outros dez suspeitos do crime. “Os quilombolas foram atacados por um grupo e os identificados serão ouvidos”, afirmou. Continue lendo “Verdelândia, MG – Suspeito envolvido em atentado contra quilombolas é ouvido e liberado”

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90% dos não índios ocupantes de reserva Awá já foram notificados

Foto: Manoel Costa
Foto: Manoel Costa

Segundo o Incra, 369 foram notificados, entre grandes proprietários, pequenos povoados e a prefeitura de São João do Caru (MA)

O Estado

A etapa das notificações dos não-índios que ocupam a Terra Indígena Awá, no interior do Maranhão, está em sua fase final, com 90% do processo concluído. Até agora, 369 foram notificados, entre grandes proprietários, pequenos povoados e a Prefeitura de São João do Caru, no Maranhão. Na quinta-feira (23), 134 notificações foram entregues no povoado de Vitória da Conquista. As famílias de não-índios têm 40 dias para sair voluntariamente da terra, contados a partir do dia do recebimento da notificação, levando seus bens.

Ainda esta semana, novos sobrevoos serão realizados para identificar propriedades que ainda não foram notificadas, de modo a alcançar o território em sua totalidade. Continue lendo “90% dos não índios ocupantes de reserva Awá já foram notificados”

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Publicação online da Interethnic@ – Revista de Estudos em Relações interétnicas

Interethnic@

Cristhian Teófilo da Silva*

Após anos de intensos trabalhos desde a concepção da revista, o aceite dos membros do Conselho Editorial, a compilação e migração dos arquivos do antigo “Boletim Virtual do GERI” (ainda em andamento), a inclusão da revista no Portal de Periódicos Acadêmicos da UnB, a obtenção do ISSN (2318-9401) etc, estamos prontos para prosseguir com este importante espaço de divulgação e diálogo na área das relações interétnicas.

Atualmente, a Interethnic@ é publicada como resultado da parceria entre o Laboratório do Grupo de Estudos em Relações Interétnicas (LAGERI), coordenado pelo Prof. Dr. Stephen Grant Baines (DAN/UnB), e o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Movimentos Indígenas, Políticas Indigenistas e Indigenismo (LAEPI), coordenado pelo Prof. Dr. Cristhian Teófilo da Silva (CEPPAC/UnB).

Aproveito também para divulgar a importante parceria feita entre a Interethnic@ e as revistas Espaço Ameríndio (UFRS) e Recherches Amerindiennes au Québec (Université Laval). Esta parceria envolve a criação da Rede de Estudos Ameríndios, onde serão planejadas publicações conjuntas em português e francês (veja o primeiro número disponível AQUI), assim como se aproveitará os pareceres emitidos por um dos avaliadores de uma revista para a publicação de versões traduzidas nas demais.

*Editor da Interethnic@

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Ex-escravos lembram rotina em fazenda nazista no interior de SP

Símbolo na bandeira do time de futebol no interior de São Paulo era uma suástica Foto: BBC
Símbolo na bandeira do time de futebol no interior de São Paulo era uma suástica. Foto: BBC

BBC Brasil

Em uma fazenda no interior de São Paulo, 160 quilômetros a oeste da capital, um time de futebol posa para uma foto comemorativa. Mas o que torna a imagem extraordinária é o símbolo na bandeira do time – uma suástica. A foto, provavelmente, foi tirada após a ascensão nazista na Alemanha, na década de 1930.

“Nada explicava a presença dessa suástica aqui”, conta José Ricardo Rosa Maciel, ex-dono da remota fazenda Cruzeiro do Sul, perto de Campina do Monte Alegre, que encontrou a foto, por acaso, um dia.

Mas essa foi, na verdade, sua segunda e intrigante descoberta. A primeira tinha ocorrido no chiqueiro. “Um dia, os porcos quebraram uma parede e fugiram para o campo”, ele disse. “Notei que os tijolos tinham caído. Achei que estava tendo alucinações”. Na parte debaixo de cada tijolo estava gravada uma suástica.  Continue lendo “Ex-escravos lembram rotina em fazenda nazista no interior de SP”

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Paulistano usa carvão feito com trabalho escravo e infantil

A 100 km da capital paulista, vítimas de trabalho escravo produziam carvão sem qualquer equipamento de proteção (Fotos: Stefano Wrobleski/Repórter Brasil)
A 100 km da capital paulista, vítimas de trabalho escravo produziam carvão sem qualquer equipamento de proteção (Fotos: Stefano Wrobleski/Repórter Brasil)

Megaoperação encontra 34 trabalhadores em condições análogas às de escravo em cinco carvoarias, que, a 100 km de São Paulo, abastecem supermercados da capital

Por Igor Ojeda e Stefano Wrobleski – Repórter Brasil

Piracaia (SP) O morador de São Paulo e de outros municípios do estado que costumam fazer churrasco em casa ou ir às tradicionais churrascarias em sistema de rodízio pode, sem saber, estar contribuindo para a exploração de trabalho escravo e infantil que acontece a apenas cem quilômetros da capital. Uma megaoperação de fiscalização realizada nos dias 21 e 22 de janeiro nos municípios paulistas de Piracaia, Joanópolis e Pedra Bela encontrou 34 pessoas trabalhando em condições análogas à escravidão em carvoarias locais. Além disso, três dos doze estabelecimentos fiscalizados utilizavam trabalho infantil – sete crianças e adolescentes foram afastados do trabalho. A reportagem da Repórter Brasil acompanhou a fiscalização. Continue lendo “Paulistano usa carvão feito com trabalho escravo e infantil”

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