O lado sujo da Ciência e a consolidação do Racismo Científico

Foto Nádia Conceição
Foto Nádia Conceição

A animalização do diferente foi uma prática bastante comum realizada por estudiosos em nome do progresso científico no Brasil e no mundo. Atos de crueldade e racismo podiam ser conferidos e mesmo aplaudidos em Exposições Antropológicas, os “freaks shows”, considerados marcos da popularização da Ciência à época

Nádia Conceição – Ciência e Cultura

A existência de uma raça ariana superior não é um pensamento excludente que ficou no passado. Ainda podemos testemunhar a perpetuação de teorias que reforcem a permanência de um racismo velado e extremamente cruel que, muitas vezes, fica camuflado, porém reforçado por leigos e cientistas renomados dentro do campo científico. Pois bem, esses cientistas acabam reproduzindo, por gosto ou não, um tipo de racismo denominado de Racismo Científico.

O Racismo Científico tem registro desde os primórdios da teoria da evolução humana de Charles Darwin, quando atestava a existência de raças inferiores e que poderiam ser capazes de evoluírem com o passar dos tempos. Já o naturalista francês Buffon pensou, ainda no século XVIII, na ideia de degeneração, que seria amplamente usada em meados do século seguinte para se discutir as misturas raciais, sobretudo no Brasil. Segundo ele, se não existisse o fato de que o negro e o branco podem: “Produzir juntamente haveria duas espécies distintas; o negro estaria para o homem como o asno para o cavalo, ou antes, se o branco fosse homem, o negro não seria mais homem, seria um animal à parte como o macaco”. Continue lendo “O lado sujo da Ciência e a consolidação do Racismo Científico”

Ler maisO lado sujo da Ciência e a consolidação do Racismo Científico

Rastro crescente de destruição: Minas-Rio – “Um mineroduto que passou em minha vida”

Seu Aristides e Dona Maria moradores de João Antonio Distrito de São Domingos do Prata tiveram sua nascente de água destruída e como consequência sofrem pela falta de água. Foto: Mariela Guimarães
Seu Aristides e Dona Maria moradores de João Antonio Distrito de São Domingos do Prata tiveram sua nascente de água destruída e como consequência sofrem pela falta de água. Foto: Mariela Guimarães

Reportagem especial de Ana Paula Pedrosa e Queila Ariadne, em O Tempo

Uma mina, um mineroduto, um porto e muitos problemas. Por 525 Km, o projeto Minas-Rio, da Anglo American, vai unir, por meio de um mineroduto, a extração de minério de ferro, em Minas Gerais, ao porto, no Rio de Janeiro. O mineroduto é o maior do mundo e o complexo só espera a concessão das licenças de operação para começar a funcionar, o que deve acontecer até o fim do ano. Enquanto os tubos do projeto vão sendo enterrados, um rastro de insatisfação vai se abrindo entre os atingidos, que se sentem abandonados pela empresa.

Veja, abaixo, o vídeo síntese. Para ler a Reportagem Especial, clique AQUI. Vale a pena! Continue lendo “Rastro crescente de destruição: Minas-Rio – “Um mineroduto que passou em minha vida””

Ler maisRastro crescente de destruição: Minas-Rio – “Um mineroduto que passou em minha vida”

Contra a origem do mal

Pesce de arrudaCoronel e professor universitário defende formação mais humanizada em escolas de PMs

Por Tory Oliveira, em Carta Capital

O coronel da reserva Luiz Eduardo Pesce de Arruda não é um policial militar comum. Aos 56 anos, 36 deles nas fileiras da Polícia Militar de São Paulo, é também professor universitário, formado em Comunicação e Direito. Especialista em liberdades públicas e segurança interior pela École Nacionale d’Administration, em Paris, fala francês e respalda suas respostas em pensadores como Hannah Arendt, Karl Marx e Max Weber. Não raro, recorre a termos inusuais para demonstrar seu conhecimento. Segundo conta, já devolveu em francês ao desacato de uma motorista em uma perícia de trânsito. Ela o havia chamado de ignorante. Em sua trajetória como policial, conheceu, nos anos 1990, o indigenista Orlando Villas-Boas, com quem aprendeu mais sobre os povos do Xingu e a huka-huka, luta marcial indígena que ele trouxe para a Escola Superior de Soldados. Como acadêmico, publicou em 2013 o artigo “Polícia e Direitos Humanos: A responsabilidade das escolas”, na revista do Laboratório de Estudos da Violência da Unesp de Marília. No texto, defende que a formação policial seja mais calcada nas humanidades. Em uma tarde quente de janeiro e vestido com roupas civis (está aposentado da PM desde março de 2013), Arruda conversou com Carta na Escola sobre a responsabilidade das escolas de formação de policiais, a atuação da polícia nas manifestações de junho e os desafios da instituição diante das transformações da sociedade.   Continue lendo “Contra a origem do mal”

Ler maisContra a origem do mal

Golpes, perseguições, feridas e cicatrizes

Greve de Osasco, em 1968
Greve de Osasco, em 1968

Os camponeses que viviam ali, naquele sertão da Bahia, jamais haviam testemunhado tamanha barbárie. O que se passou dentro de casa foi um suplício familiar

Por Thaís Barreto, em Carta Capital

Preso político? O que é isso? Eu nasci em 1984 e devia ter uns 6 anos de idade quando escutei essa denominação em uma estranha conversa dos meus pais. Meu pai teve o cuidado de me convencer que eu não entenderia naquele momento. Guardei aquele dia como se fosse hoje e, aos poucos, a expressão ganhou contornos. Lembro de ter acompanhado diversos jornalistas indo entrevistá-lo lá naquele sertão, em Brotas de Macaúbas, na Bahia. Por que tantas entrevistas? Carlos Lamarca, José Campos Barreto (Zequinha), Iara Iavelberg, Otoniel Barreto, Luiz Antônio Santa Bárbara, quem eram essas pessoas?

A grande oportunidade para entender melhor veio quando eu tinha 9 anos, pois foi lançado o filme Lamarca dirigido por Sérgio Rezende com base no livro Lamarca: O Capitão da Guerrilha escrito pelos jornalistas Emiliano José e Oldack Miranda. Nas cenas do filme vizualizei um cenário de guerra no entorno e dentro da casa dos meus avós no povoado de Buriti Cristalino. Aqueles torturadores assassinos buscavam Lamarca e Zequinha. Um era capitão do Exército que recusou servir à ditadura saindo em 1969 e o segundo era um operário que esteve sob tortura do Dops de São Paulo por estar à frente da greve da Cobrasma, em 1968. Os dois passaram a viver na clandestinidade e suas vidas se cruzaram decisivamente. Continue lendo “Golpes, perseguições, feridas e cicatrizes”

Ler maisGolpes, perseguições, feridas e cicatrizes

Roraima – Curso para Técnicos de Enfermagem Indígenas começa no segundo semestre de 2014

cirO projeto deste curso para Técnicos de Enfermagem Indígenas foi elaborado pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR) em 2007, com a participação de enfermeiras, pedagogas e profissionais de saúde que atuavam no convênio de saúde implementado pelo CIR em parceria com a FUNASA (Fundação Nacional de Saúde). O projeto e o orçamento para o curso foram aprovados na época pelo Conselho Distrital de Saúde (CONDISI), Escola Técnica de Saúde do SUS (ETSUS), Ministério da Educação (MEC) e Conselho Estadual de Saúde, mas com o fim do convênio ficou parado por falta de interesse da SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena), que assumiu a gestão da saúde indígena no estado e no país. Foi aprovado também na mesma época o curso para Técnicos de Higiene Dental Indígenas, também elaborado pelo CIR, e que até hoje não foi operacionalizado pela SESAI ou ETSUS.

A ideia inicial aprovada pelas lideranças indígenas era usar como sede do curso o Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFCRSS), localizado na etnorregião do Surumu, Terra Indígena Raposa Serra do Sol, e as dependências da Casa de Cura, pertencente à Diocese de Roraima e localizada em Boa Vista, pois alguns módulos precisam ser feitos nos hospitais da cidade. O curso deveria dar prioridade aos 374 Agentes Indígenas de Saúde formados pelo CIR e certificados pela própria ETSUS no ano de 2007, tendo como critérios as indicações dos conselhos locais de saúde, de acordo com uma distribuição geográfica que contemple todas as etnorregiões do estado. Continue lendo “Roraima – Curso para Técnicos de Enfermagem Indígenas começa no segundo semestre de 2014”

Ler maisRoraima – Curso para Técnicos de Enfermagem Indígenas começa no segundo semestre de 2014

Rio Madeira ultrapassa 19,40 m, cota prevista para abril pela Defesa Civil

Caminhões ainda se arriscavam em Trecho alagado na BR-364. Foto: Josenir Melo. A imagem é de anteontem, dia 21 de março.
Caminhões ainda se arriscavam em Trecho alagado na BR-364. Foto: Josenir Melo. A imagem é de anteontem, dia 21 de março.

Nível do rio aumentou 31 centímetros em uma semana. Neste sábado (22) nível registrado pela ANA foi de 19,46 metros.

Por Ivanete Damasceno, no G1 RO

O Rio Madeira atingiu neste sábado (22) a cota de 19,46 metros, segundo a aferição da Agência Nacional de Águas (ANA). A Defesa Civil Estadual estimava, há uma semana, que o rio alcançaria a media de 19,40 metros somente no dia 2 de abril. Na ocasião, o Madeira tinha o nível em 19,15 metros. Em sete dias, houve um aumento de 31 centímetros. Já são mais de 2,5 mil famílias desabrigadas pela enchente em Rondônia.

O nível do Rio Madeira já bateu o recorde histórico de 17,52 metros – de 17 anos atrás –  e, apesar de a Defesa Civil afirmar que havia uma tendência de estabilização, o nível continua subindo. O órgão não sabe dizer quando ou se as famílias desabrigadas poderão retornar às suas casas. Oficialmente nenhuma morte relacionada à cheia foi confirmada. Continue lendo “Rio Madeira ultrapassa 19,40 m, cota prevista para abril pela Defesa Civil”

Ler maisRio Madeira ultrapassa 19,40 m, cota prevista para abril pela Defesa Civil

Manifesto dos povos da floresta do Vale do Juruá: “O petróleo é nosso”! Deixem-no na terra! Fora da Amazônia, petroleiras!

Foto retirada da internet, sem identificação exceto "Vale do Juruá". TP.
Foto retirada da internet, sem identificação exceto “Vale do Juruá”. TP.

No blog Lindomar Padilha

Nós, povos da floresta do Vale do Juruá, reunidos no Seminário “Petróleo, você compra a natureza é quem paga: Vale do Juruá, construindo alternativas”, organizado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e realizado de 19 a 21 de março de 2014, viemos manifestar nossa prioridade de defender a todo custo a vida, estando portanto preocupados com a exploração de petróleo e gás na nossa região, bem como com a implementação de projetos de pagamentos por serviços ambientais, a exemplo do REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal).

Depois de debatermos e trocarmos experiências e opiniões não apenas entre os povos da floresta, mas com universitários, estudantes de Ensino Médio e representantes de movimentos sociais localizados na cidade, pudemos perceber que, ao contrário do que nos tem sido passado, o chamado ‘desenvolvimento sustentável’ tem contribuído significativamente para a degradação não apenas do meio em que vivemos, como dos nossos modos de vida, excluindo-nos de participação efetiva nesses processos. Os “Plano (s) de Manejo Florestal Sustentável” nos servem como claro exemplo da falência deste conceito, ao reprimir e criminalizar os povos da floresta, enquanto de fato barganham seus meios de subsistência, pois entrega os bens naturais para consumo das sociedades industrializadas, em troca do lucro de poucos empresários. Continue lendo “Manifesto dos povos da floresta do Vale do Juruá: “O petróleo é nosso”! Deixem-no na terra! Fora da Amazônia, petroleiras!”

Ler maisManifesto dos povos da floresta do Vale do Juruá: “O petróleo é nosso”! Deixem-no na terra! Fora da Amazônia, petroleiras!