Em dia de festa, indígenas dizem que não há muitos motivos para comemorar

Falta de estrutura nas aledias tira alegria de ser indígena Foto: Marcelo Victor/Arquivo Capital News
Falta de estrutura nas aldeias tira alegria de ser indígena
Foto: Marcelo Victor/Arquivo Capital News

Por Aline Machado, em Capital News

Com o índice de violência cada vez mais crescente, impasse na decisão em relação às terras e diferenças sociais, o dia 19 de abril, quando tradicionalmente celebra-se o “Dia do Índio”, embora seja marcado por festas e jogos, os indígenas reclamam e dizem que não há muitos motivos para comemorar.

O cacique Vilmar Machado da Silva, da Aldeia Jaguapiru, em Dourados, comanda mais de sete mil indígenas e lamenta que neste dia as comemorações sejam poucas diante dos problemas na comunidade que conta com três etnias diferentes: Guarani, Kaiowá e Terena.

“Nesta data não comemoramos, não temos muitos motivos. Existe muito descaso por parte do poder público, estamos abandonos. Apenas passamos o dia. Reunimos as duas comunidades, realizamos jogos, palestras e servimos um churrasco”, contou. Continue lendo “Em dia de festa, indígenas dizem que não há muitos motivos para comemorar”

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MS – Relatório [Figueiredo] é esperança de índios na luta por terras perdidas na ditadura

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Relatório traz recorte de revista que já denunciava violência contra índios (Foto: Reprodução)

Por Aliny Mary Dias, do Campo Grande News/Pantanal News

Um documento de 7 mil páginas descoberto em junho do ano passado é a mais nova esperança de comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul para reforçar as lutas judiciais sobre reconhecimento e posse de terras que hoje pertencem a fazendeiros e produtores rurais. Encontrado no Museu do Índio no Rio de Janeiro, o Relatório Figueiredo, produzido em 1967, traz relatos de violência, abusos e atrocidades cometidas contra índios durante a ditadura militar no Brasil.

O relatório chefiado pelo então procurador da república Jader de Figueiredo Correia foi solicitado depois de denúncias apuradas por duas CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) nos anos 1955 e 1962 que apontaram irregularidades cometidas pelo SPI (serviço de Proteção ao Índio), órgão que antecedeu a Funai (Fundação Nacional do Índio).

Para apurar as denúncias, Figueiredo na companhia de dois funcionários do Ministério do Interior foram a campo e passaram meses visitando comunidades indígenas e colhendo relatos de índios que falavam sobre as violências sofridas, principalmente por servidores do SPI e militares. Continue lendo “MS – Relatório [Figueiredo] é esperança de índios na luta por terras perdidas na ditadura”

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Marcos Tupã: Dia do Índio para quem?

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Hoje é a data que os brancos chamam de Dia do Índio. Todo ano, é só em 19 de abril que somos lembrados. Nas escolas, falam de nós como se fôssemos algo apenas do passado, lamentando o mal que foi feito aos nossos povos, mas fazendo as crianças brancas se conformarem com nosso extermínio, acreditando que não haja mais espaço para nós, que os índios não existem nem devem mais existir.

Os governos, por sua vez, tentam promover festas neste dia nas nossas aldeias, querendo fazer a gente comemorar, quando não há motivo para isso. Não aceitaremos mais.

Não aceitaremos que lamentem o mal que fizeram aos nossos antepassados só neste dia e no resto do ano continuem a se orgulhar dos bandeirantes que nos massacraram e que dão nome a monumentos, estradas e até ao palácio do governador. Não aceitaremos que finjam lamentar, enquanto tratam por santo um padre como José de Anchieta, que manifestava orgulho em colocar nossos parentes uns contra os outros e aprendia nossa língua para tentar destruir nossa cultura.

Foi por isso que, na última quarta-feira, nós indígenas guarani-mbya de todas as aldeias de São Paulo retomamos pacificamente o Pateo do Collegio, local onde os brancos se fixaram para começar a tomar posse das terras que eram do nosso povo. Continue lendo “Marcos Tupã: Dia do Índio para quem?”

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O espetáculo da maldade, por Laura Capriglione

Cena do vídeo divulgado no Facebook.
Cena do vídeo divulgado no Facebook.

Por Laura Capriglione, em Yahoo Notícias

A virada do século 18 para o 19 na Europa marcou uma transmutação essencial na forma de lidar com o criminoso. Desapareceram os grandes e sangrentos espetáculos da punição física, que atraíam multidões ruidosas às praças; o corpo supliciado foi escondido; o castigo não mais previa a encenação da dor. “Penetramos na época da sobriedade punitiva”, descreveu o filósofo francês Michel Foucault (1926-84) na sua magistral obra “Vigiar e Punir”, de 1975.

Pois bem. A Polícia Militar de São Paulo do século 21, ou pelo menos parte de sua soldadesca, parece estar seriamente empenhada em fazer a história retroagir. Agora publicado em forma de vídeo no Facebook, milhares de vezes compartilhado, recomendado, repudiado e comentado, volta o espetáculo de dor, sangue e agonia, encenado a céu aberto, sol alto, em rua de  grande movimento.

Foi no último 8 de abril, uma terça-feira, dia de aula, ao lado da Escola Municipal de Ensino Fundamental Madre Maria Imilda do Santíssimo Sacramento, na Vila Curuçá, zona leste da capital. Depois de perseguição policial, três homens estão jogados na rua, rentes ao meio fio, buracos de bala espalhados pelo corpo.

Um deles não para de gemer. Faz movimentos involuntários com as mãos. “Meus filhos”, consegue balbuciar. Os outros dois permanecem imóveis –um com os olhos vidrados voltados para o céu, o outro emborcado, como se olhasse através do chão. Uma imensa e grossa mancha de sangue cresce no asfalto.

Ouve-se uma voz masculina: “Vai ficar famoso, ladrão, morrendo.” E logo outra emenda: “Vai demorar aí, caralho? É pra morrer.” Continue lendo “O espetáculo da maldade, por Laura Capriglione”

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Por uma mesa sem veneno: “O Veneno está na Mesa 2?, de Sílvio Tendler, estreou no Rio com plateia de mais de 600 pessoas

estreia o veneno 2

Agora, o filme segue pelo Brasil em exibições organizadas pela Campanha Contra os Agrotóxicos

Por Camila Nobrega e Rogério Daflon

A cada 90 minutos, alguém é envenenado por um agrotóxico no Brasil. O filme “O veneno está na mesa 2? traz à tona uma encruzilhada. Para o diretor do documentário, Silvio Tendler – que tem no currículo trabalhos como “Jango” e “Cidadão do mundo”, sobre Josué de Castro – está mais do que na hora de o pais fazer uma escolha entre dois caminhos: uma alimentação saudável fruto de uma agricultura familiar ou um modelo com base no agronegócio calcado no trinômio monocultura, baixa empregabilidade e agrotóxicos.

“Eu comecei a entender o peso da alimentação na vida das pessoas quando soube que tenho diabetes. A partir daí, me dei conta de como o a comida pode levar doenças às pessoas. O  filme “O veneno está na mesa 1?  foi um alerta, mas o de agora traz uma alternativa. Ele te leva a escolher em que mundo você quer viver.  É agora ou nunca mais.”

Em sessão lotada por mais de 600 pessoas no Teatro Casa Grande, no Rio, nesta quarta-feira (16/4), o documentário de Tendler foi exibido pela primeira vez. A sessão foi dedicada às 5000 vítimas do despejo ocorrido no terreno da empresa Oi, no dia 11 abril, e que até hoje estão sem moradia. Continue lendo “Por uma mesa sem veneno: “O Veneno está na Mesa 2?, de Sílvio Tendler, estreou no Rio com plateia de mais de 600 pessoas”

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Termina desintrusão da terra indígena Awá-Guajá, no Maranhão

Indígenas Awá-Guajá mostram o Auto de Desintrusão. Foto: Secretaria Geral da Presidência
Indígenas Awá-Guajá mostram o Auto de Desintrusão. Foto: Secretaria Geral da Presidência

Secretaria-Geral da Presidência da República

Os indígenas do povo Awá-Guajá receberam nesta terça-feira (15/4) o “auto de desintrusão” das mãos dos oficiais da Justiça Federal do Maranhão. Desta forma, o Estado brasileiro assegurou a posse definitiva da terra indígena para o povo Awá-Guajá, muitos deles isolados e de recente contato.  O território com mais de cem mil hectares retornou aos habitantes originais após a decisão judicial no final do ano passado. Para cumprir a decisão da justiça, o governo federal iniciou em 5/1/14 a operação de desintrusão, ou seja, a retirada de não índios da área. A operação, coordenada pela Secretaria-Geral da Presidência da República e Fundação Nacional do Índio (Funai), tem a participação de vários ministérios e órgãos do governo federal.

A devolução simbólica da terra aos Awá aconteceu na aldeia Juriti, com a presença do juiz José Carlos do Vale Madeira, da Justiça Federal do Maranhão e autor da sentença judicial que determinou a desintrusão e do procurador federal Alexandre Silva Soares (MPF/MA), além dos representantes do governo federal e coordenadores da operação – Nilton Tubino (Secretaria-Geral) e Leonardo Lenin (Funai).  A Operação Awá-Guajá continua até o dia 30/4 com a permanência da Força Nacional de Segurança Pública e apoio das Forças Armadas. Continue lendo “Termina desintrusão da terra indígena Awá-Guajá, no Maranhão”

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DF – “Governo vai indenizar agricultores para deixarem terras indígenas em Buerarema”

Cartaz ruralista, defendendo a violência contra os Tupinambá
Cartaz ruralista, defendendo a violência contra os Tupinambá

Horas antes de ser informado pela Polícia Federal de que não poderia viajar para o Vaticano, ao encontro do Papa, por conta de três mandados de prisão revogados pela Justiça em 2010 (ver AQUI), Babau esteve com diversas autoridades, em Brasília, e foi informado pelo Ministério da Justiça de que José Eduardo Cardozo havia determinado o início da regularização das Terras Indígenas Tupinambá. Aliás, a Polícia Federal é subordinada a quem? (Tania Pacheco)   

Jornal da Mídia

Salvador – O Ministério da Justiça, através do assessor do ministro José Eduardo Cardozo, Marcelo Veiga, anunciou o início do pagamento das indenizações aos agricultores instalados nas terras indígenas, em Buerarema, no sul da Bahia. O processo terá início em maio. O anúncio foi feito por Veiga em uma reunião, ontem, em Brasília, com o cacique Babau, da tribo Tupinambá. O cacique, que está em Brasília, informa ainda que o exército voltará à região, de onde saiu há cerca de 15 dias.

O cacique Babau, que foi recebido também por representantes da FUNAI, ressalta que o início das indenizações é apenas o primeiro passo para pacificar a região de quase 48 mil hectares. Segundo o líder indígena, as chamadas “indenizações de boa fé”, não serão suficientes para resolver definitivamente a situação de conflito em que vivem os índios e agricultores instalados na área. Continue lendo “DF – “Governo vai indenizar agricultores para deixarem terras indígenas em Buerarema””

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Com mandados de prisão, Polícia Federal tenta impedir ida de Babau Tupinambá ao Vaticano. Nojo!

Foto: Valter Campanato – Abr
Foto: Valter Campanato – Abr

Por Renato Santana, de Brasília, no Cimi

Menos de 24 horas depois de receber um passaporte para viajar ao Vaticano e se encontrar, durante celebração, com o papa Francisco, a convite da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Rosivaldo Ferreira da Silva, o cacique Babau Tupinambá, da Bahia, está sendo impedido pela Polícia Federal (PF) de sair do país por conta de três mandados de prisão. Porém, as ordens judiciais estão arquivadas desde 2010. A PF diz que tais mandados não estão revogados.

Para a liderança indígena, o governo federal, por intermédio de sua polícia, tenta impedir o encontro dele com o papa Francisco. “O governo não quer que eu denuncie o que vem acontecendo com os povos indígenas no Brasil. A Polícia Federal não sabe que os três mandados foram arquivados e nem processo existe? Claro que sabe! O governo sabe disso!”, protesta cacique Babau.

Outro mandado de prisão teria sido expedido contra Babau nesta quinta. De acordo com informações extra-oficiais, obtidas junto a PF, em Brasília, a Polícia Civil do município de Una (BA) pediu apoio aos agentes federais na Capital Federal para efetuar a prisão de Babau. Este suposto mandado de prisão, emitido pela Justiça Estadual de Una, pede a prisão temporária do cacique. Porém, não há confirmação no sistema judicial dessa ordem e a que processo ela se refere. Continue lendo “Com mandados de prisão, Polícia Federal tenta impedir ida de Babau Tupinambá ao Vaticano. Nojo!”

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Uma história revoltante, com um final que esperamos seja de fato feliz

Daize e Isabelle

 

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

O vídeo começou a correr hoje cedo no facebook, passível apenas de ser compartilhado. Nele, durante cerca de 11 minutos, é possível ver uma mulher negra deitada numa calçada, as pernas abertas, em visível trabalho de parto. Um ou dois metros acima de sua cabeça está um portão de ferro trabalhado. É a entrada do hospital de Santo Amaro da Purificação, Bahia, fechado aos gritos de dor da quase menina de sorriso doce que agora vemos acima, horas mais tarde. Aos pedaços, fui descobrindo que o nome dela seria Daize, uma jovem quilombola de Kaonge.

Na foto do final que esperamos feliz, ela já tem nos braços Isabelle, a menina que nasceu praticamente sozinha, como pode ser visto no vídeo abaixo, nos braços de mulheres anônimas que foram se juntando e buscando ser solidárias.

A Samu chegou quando Daize já confortava a menina junto ao peito, ainda ligadas pelo cordão umbilical. A assepsia das luvas serviu para cortá-lo, pegar Isabelle para os primeiros cuidados, passar a parturiente para uma maca de remoção e, em seguida, para a ambulância.

O vídeo abaixo é uma edição curta de três minutos, mas que sintetiza muitíssimo bem o que aconteceu na calçada quase em frente ao portão por onde elas deveriam ter entrado e sido atendidas. Optei começar este texto pelo final feliz e deixá-lo por último para preservar Daize, acima de tudo. Porque esta história repugnante tem mais é que correr o País e o mundo, mostrando a que ponto chegamos em termos de desumanização…

A carne mais barata do mercado não pode continuar a ser a carne negra/indígena, como gritou Elza Soares!

 

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