África do Sul enfrenta problemas quatro anos após a Copa, diz jornalista

Segundo Niren Tolsi, arenas construídas para receber partidas do Mundial estão subutilizadas (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Segundo Niren Tolsi, arenas construídas para receber partidas do Mundial estão subutilizadas (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Helena Martins – Enviada Especial da Agência Brasil

Joanesburgo, maior cidade da África do Sul, viveu por anos a expectativa de melhoras na condição de vida da população, com a realização da primeira Copa do Mundo no Continente Africano, em 2010. Quatro anos depois, no entanto, o país enfrenta problemas, como o endividamento público e estádios ociosos, de acordo com o jornalista sul-africano Niren Tolsi.

Ele conta que as duas arenas construídas para receber partidas do Mundial, o Ellis Park Stadium e o Soccer City, estão subutilizadas. O último recebe atualmente mais atividades musicais e políticas do que partidas de futebol.

Tolsi veio ao Brasil para participar do Encontro dos Atingidos – Quem Perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos, em Belo Horizonte.

O jornalista relata que os moradores esperavam que a preparação para a Copa projetasse Joanesburgo internacionalmente e proporcionasse mudanças na infraestrutura urbana, com o alargamento de estradas e a multiplicação de opções de transporte coletivo. Continue lendo “África do Sul enfrenta problemas quatro anos após a Copa, diz jornalista”

Ler maisÁfrica do Sul enfrenta problemas quatro anos após a Copa, diz jornalista

‘A Copa do Mundo contribuiu para o aumento da desigualdade na sociedade sul-africana’

André Antunes (Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz)

No início de fevereiro, jornais da grande mídia noticiaram que a Presidência da República, preocupada com a possibilidade de que ocorram protestos durante a Copa do Mundo, em junho – e com seus eventuais reflexos nas eleições de outubro – prepara uma campanha para tentar convencer a população dos benefícios da Copa para o país. Mas é pouco provável que a campanha adote como estratégia mirar-se no exemplo da África do Sul, que sediou o evento há quatro anos. Isso porque, como afirma o sindicalista sul-africano Eddie Cottle, diretor de políticas e de campanhas para a África e Oriente Médio da Internacional dos Trabalhadores da Construção e da Madeira (BWI, na sigla em inglês), ao contrário do que foi prometido antes do evento, a Copa do Mundo foi um desastre para o país africano, acarretando um rombo bilionário nos cofres públicos, superexploração de trabalhadores e aumento da desigualdade social. Nesta entrevista, Eddie fala sobre o verdadeiro legado que a Copa de 2010 deixou para os sul-africanos, tema de seu livro South Africa’s World Cup: A Legacy For Whom? (em português, Copa do Mundo da África do Sul: legado para quem?).

O termo “legado” é usado frequentemente para justificar os altos investimentos em infraestrutura nas cidades-sede da Copa do Mundo. Qual foi o legado da Copa de 2010 para a África do Sul?

Quando o termo ‘legado’ é usado pelos Comitês das Propostas, FIFA, Comitês Organizadores Locais, autoridades governamentais e think tanks econômicos tradicionais, presume-se ser inteiramente positivo, como se os benefícios do crescimento econômico e da reordenação urbana fluíssem naturalmente para as comunidades. São mentiras deslavadas, envoltas numa retórica de desenvolvimento. Continue lendo “‘A Copa do Mundo contribuiu para o aumento da desigualdade na sociedade sul-africana’”

Ler mais‘A Copa do Mundo contribuiu para o aumento da desigualdade na sociedade sul-africana’

Indígenas Munduruku divulgam novo comunicado sobre displicência do governo

munudurukuNo último dia 27 de abril, os indígenas munduruku da região de Jacareacanga, sudoeste do Pará, divulgaram uma convocação ao governo federal, à Funai, à Eletrobrás e ao Ministério Público Federal para uma conversa, no dia 1 de maio, sobre projetos que ameaçam suas áreas. Nenhuma das instâncias convocadas deu retorno aos indígenas.

Localizado às margens do rio Tapajós, onde o governo planeja construir um novo complexo hidrelétrico, o território munduruku é ameaçado ainda por projetos de mineração e carece de ato final de demarcação, prometido pela Funai.

De acordo com os indígenas, obrigado pela Justiça a realizar as oitivas constitucionais e a consulta prevista na Convenção 169 da OIT, o governo tem afirmado que estaria encontrando dificuldades em dialogar com os Munduruku, o que poderia justificar a adoção de medidas unilaterais no sentido de dar encaminhamento aos processos de licenciamento do complexo hidrelétrico. “Queremos que a Justiça saiba que estamos tentando encaminhar o diálogo, mas que é o governo que nos ignora. Também estamos deixando claro que é nosso direito definir a forma como queremos dialogar, já que somos nós os ameaçados”, afirmou uma liderança do Movimento Munduruku Iperêg Ayu. Continue lendo “Indígenas Munduruku divulgam novo comunicado sobre displicência do governo”

Ler maisIndígenas Munduruku divulgam novo comunicado sobre displicência do governo

Licença-maternidade impede o progresso. Que a mãe trabalhe e o bebê também, por Leonardo Sakamoto

por Leonardo Sakamoto

Tive a oportunidade de ver, com estes olhos que a terra há de comer, um debate na TV em que um grupo de “especialistas” discutia a Consolidação das Leis do Trabalho.

Instados por um apresentador (que, com muita dificuldade, disfarçava os pelinhos ouriçados do braço e da nuca e aquele arrepio louco de prazer que subia a coluna a cada vez que um dos convidados falava de desregulamentação), questionaram o porquê de tantas “regalias” que travam a competitividade.

O melhor é que não havia uma voz dissonante sequer, mas o apresentador insistia no autoelogio da pluralidade com base no fato de que algum deles, se fosse muito pressionado, talvez-quiçá discordasse de trabalho infantil.

Até que um deles disse algo como “nos Estados Unidos, não há essa situação de licença-maternidade de quatro a seis meses como no Brasil – o que é um problema não apenas para a empresa mas para a própria carreira da trabalhadora”.

Errrr…oi?

Daí, fiquei confuso. Afinal de contas, o programa do Marcelo Adnet e do Marcius Melhem é só na madrugada de quinta para sexta. Então, o que aqueles humoristas estavam fazendo tão cedo na TV? E o respeito à classificação indicativa? Dizer essas coisas com as criança na sala? Continue lendo “Licença-maternidade impede o progresso. Que a mãe trabalhe e o bebê também, por Leonardo Sakamoto”

Ler maisLicença-maternidade impede o progresso. Que a mãe trabalhe e o bebê também, por Leonardo Sakamoto

Quilombolas reivindicam reconhecimento de territórios

No Encontro dos Atingidos – Quem Perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos, o avanço de grupos econômicos sobre territórios tradicionais foi denunciado por moradores dessas comunidades (Antonio Cruz/Agência Brasil)
No Encontro dos Atingidos – Quem Perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos, o avanço de grupos econômicos sobre territórios tradicionais foi denunciado por moradores dessas comunidades (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Helena Martins – Enviada Especial da Agência Brasil

O avanço de grupos econômicos sobre territórios tradicionais foi denunciado por moradores dessas comunidades, durante o Encontro dos Atingidos – Quem Perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos, que ocorre em Belo Horizonte. Integrante da Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas, Juarez Negrão considera as empresas do agronegócio como principais opositoras e produtoras de conflitos no campo.

“O Brasil tem o projeto do agronegócio, que é o de ser um dos maiores produtores dos grãos do mundo, para isso vai precisar de muita terra. Para colocar em prática esse projeto, ele vai atingir territórios indígenas e comunidades quilombolas”, diz Negrão. Continue lendo “Quilombolas reivindicam reconhecimento de territórios”

Ler maisQuilombolas reivindicam reconhecimento de territórios

Ambulância que levava índia grávida a hospital é alvo de tiros no sul da BA

crimes-de-pistolagemCasal era transportado em ambulância quando foi surpreendido pelos tiros. Crime aconteceu após saída da aldeia Boca da Mata durante a madrugada.

Do G1 BA

Uma ambulância da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) foi atingida por tiros ao sair da aldeia Boca da Mata, perto de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. O crime foi cometido durante a madrugada deste sábado (3).

Segundo a polícia, um casal de índios era transportado pela ambuância, sendo que a mulher estava grávida. Eles e o motorista, que também é indígena, foram surpreendidos pelos tiros quando passavam por uma estrada de terra.

Não há relação confirmada do crime com a situação da disputa por terras, mas o coordenador do Movimento Indígena da Bahia afirma que, recentemente, os indígenas retomaram as terras daquela região e, por isso, têm sofrido ameaça de produtores rurais, segundo conta.

“Eles estavam saindo da aldeia, por volta das 3h, e foram recebidos a tiros, sem saber de onde estavam vindo. Estava escuro. O motorista tentou dar ré e acabou caindo na ribanceira. Os dois ficaram escondidos na mata e, por volta das 4h30, policiais militares encontraram eles e levaram ao hospital. Ninguém viu quem foi, mas devem ter em torno de 50 pessoas escondidos na mata, eles chamam de segurança armado, mas nós chamamos de pistoleiros”, relata o Cacique Zeca Pataxó, também liderança da aldeia Coroa Vermelha.

Continue lendo “Ambulância que levava índia grávida a hospital é alvo de tiros no sul da BA”

Ler maisAmbulância que levava índia grávida a hospital é alvo de tiros no sul da BA

Ruben Siqueira: “Obrigado, pai véi!”

Chegou a hora sabida, mas que queríamos adiada: a da partida de dom Tomás!

Nosso Tomás, patriarca, “pai véi” – como eu o chamava, ao lhe pedir a bênção, e ele gostava – marcou de maneira ímpar nossa vida, como igreja, país, CPT, Cimi e pessoas.

Uma vida luminosa e resplandecente, que soube encontrar e criar e lançar mão do que fosse possível, útil, essencial para levar à frente a missão, a construção do Reino, que é primeiro dos pobres, depois de quem com eles se solidariza – lições certeiras que ele ensinou, mais porque as viveu.

Sempre me admirou sua alegre firmeza: raízes profundas, cerne duro, tronco frondoso e copa imensa, florida, frutífera, sombra acolhedora e revitalizadora, que eu mesmo busquei quando foi preciso.

Não ficamos órfãos e órfãs, porque continuaremos a tê-lo conosco, no encantamento pascal – Xikrin e Kayapó: exemplo, luz, ternura e força para seguirmos em frente e tornar nossa vida, luta e missão o mais possível produtivas e libertadoras, como foi a dele!

tomas - ruben

Obrigado, Tomás, pai véi! Dói, mas foi bom demais tê-lo aqui conosco! Ajude-nos na fidelidade difícil, em tempo de perdas várias. A gente se vê por aí…

Ruben.

Ler maisRuben Siqueira: “Obrigado, pai véi!”

Forças paralelas perseguem indígenas e acirram clima de tensão no norte do RS

Cimi-40anosCimi Regional Sul

Na tarde de quarta feira, dia 30 de março, quatro indígenas da etnia Kaingang que trafegavam pelo município de Barão de Cotegipe, no norte do Rio Grande do Sul, foram abordados de forma inesperada e truculenta por oito policiais da Brigada Militar e quatro policias do BOE – Batalhão de Operações Especiais.

Os Kaingang retornavam à sua aldeia, que está localizada no município de Sananduva, há mais de 100 km de distância de Faxinalzinho, onde ocorreu o conflito entre indígenas e agricultores. Mesmo se identificando como moradores de uma região distante do lugar do conflito eles foram abordados e sofreram intimidações. Ao que parece a intenção dos agentes policiais era a de amedrontar os indígenas.

De acordo com o cacique Leonir Franco (de Passo Grande do Rio Forquilha e um dos que sofreu as intimidações) os Kaingang foram duramente abordados pelos agentes do BOE que não estavam identificados. Segundo Leonir, um dos policias falou que a “justiça” será feita agora do lado de fora das aldeias, pelas estradas e campos, de maneira direta e que todos os indígenas terão, daqui para frente, tratamento semelhante aos dos agricultores mortos em Faxinalzinho. Os policias ainda disseram que eles mesmos tinham vontade de aplicar tal tratamento em cada índio da região.  Continue lendo “Forças paralelas perseguem indígenas e acirram clima de tensão no norte do RS”

Ler maisForças paralelas perseguem indígenas e acirram clima de tensão no norte do RS

Liderança indígena culpa ministro da Justiça por derramamento de sangue em Faxinalzinho (RS)

Carlos Latuff

Valério de Oliveira, liderança Kaingang de Faxinalzinho, extremo norte do Rio Grande do Sul, alerta para o risco de novos conflitos com agricultores caso o governo federal na pessoa do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo não determine a imediata demarcação de terras indígenas. Na segunda-feira dois agricultores morreram em confronto com índios nessa região. O clima continua tenso na área.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Onir Araújo.

Ler maisLiderança indígena culpa ministro da Justiça por derramamento de sangue em Faxinalzinho (RS)