DOCUMENTO – BASE
Nós, quilombolas reunidos em Planaltina – DF, nos dias 26 a 29 de maio de 2014, compartilhando nossas resistências e lutas rumo à uma sociedade construída no respeito às diversidades étnicas, religiosas, culturais e de gêneros consolidamos a organização da Articulação Nacional de Quilombos e convidamos outros irmãos e irmãs quilombolas para se integrarem a este processo.
Considerando:
- Que o Modelo de Desenvolvimento implementado pelo Estado Brasileiro tem como eixo principal a produção agrícola, pecuária, energética e mineral para a exportação causando graves consequências à mãe-natureza, aos povos e comunidades tradicionais.
- Que o governo tem priorizado as grandes obras, a exemplo do Porto Canaã, município de Barrinha – Rio de Janeiro, e eventos constantes na programação dos acordos de integração regional sul-americana que tem resultado no deslocamento forçado de povos originários e comunidades tradicionais e populações das periferias das grandes cidades, reciclando o processo de colonização.
- Que nesse processo o Estado brasileiro, a serviço dos latifundiários e empresários, tem sido o grande proponente, indutor e financiador do projeto desenvolvimentista.
- Que o Estado e os governos precarizam a situação dos povos nos territórios quilombolas e nas periferias, fecham escolas, não investem em saúde pública, não investem em saneamento básico, água tratada, em melhoria de estradas, em eletrificação, em transportes públicos, enquanto repassam bilhões de reais para banqueiros, empreiteiros, mineradoras, papeleiras, para o agronegócio e para megaeventos, como a copa do mundo.
- Que o estado tem se utilizado de instrumentos legais para criminalizar lideranças e lutas visando à quebra das resistências populares, a exemplo do que acontece com a comunidade quilombola Brejo dos Crioulos – Minas Gerais; Santa Maria dos Moreiras – Maranhão; Forte Príncipe – Rondônia; quilombo urbanos da Família Silva e Família Machado – Rio Grande do Sul; quilombo São Roque – Santa Catarina.
- Que a não titulação dos territórios quilombolas pelo governo federal, constitui-se em gravíssima ameaça para a nossa existência física, cultural e religiosa, além de constituir-se em afronta à Constituição Federal /1988.
- Que processo de extermínio e genocídio semelhantes sofrem os negros e negras nas periferias das cidades com a ocupação militar nas comunidades das periferias, a exemplo do que acontece no Complexo da Maré, Rio de Janeiro, bem como a utilização da Força Nacional contra Comunidades Indígenas e Quilombolas.
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