Medo do Ebola jogou dois adolescentes africanos nas ruas de SP

Lagos, Nigéria
Lagos, Nigéria

Justiça negou acolhimento em abrigo e meninos foram colocados em instituição para adultos com dependência química e problemas mentais. Com medo, fugiram novamente. Um deles continua perdido na selva de pedra. Sem controle de saúde

Por Bruno Paes Manso, em Ponte

O Brasil se tornou um ponto de chegada para migrantes em fuga do mundo todo. São Paulo, apesar de ser uma cidade dura, é muitas vezes a única oportunidade para os perseguidos que estariam fadados à morte violenta em seus países de origem. Chegam em média na capital 19 pessoas por dia, a maioria correndo de guerras, regimes ditatoriais ou de crises aterradoras. Atualmente, as vítimas da guerra civil na Síria lideram os pedidos de reconhecimento de sua condição de refugiados. O governo brasileiro, por questões humanitárias, agilizou o processo de concessão de vistos aos sírios.

A boa vontade da burocracia não é a mesma com os migrantes de países africanos, que também chegam em peso. Homens, mulheres, famílias  inteiras, além de crianças e adolescentes solitários, já atravessaram as fronteiras brasileiras em busca de proteção. A cidade até que tem se esforçado para atender a maioria. Para melhor acolher os menores estrangeiros, pelo menos nos últimos 4 anos, a Vara da Infância tem se mostrado diligente na autorização dos encaminhamentos aos abrigos estaduais.

Só que a situação começou a mudar em agosto, depois de sucessivas notícias temerárias sobre a contaminação pelo vírus Ebola em países da África. Há cerca de quinze dias,  nesse ambiente de medo, a Justiça deixou de encaminhar 2 jovens africanos de 15 e 16 anos ao abrigo, alegando receio  de  contaminação  do vírus. Um jovem veio da República Democrática do Congo; o outro, da Nigéria. Eles não tinham a companhia de nenhum adulto e chegaram ao Porto de Santos escondidos em um navio. Continue lendo “Medo do Ebola jogou dois adolescentes africanos nas ruas de SP”

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Polícia de SP mata sempre nos mesmos lugares: nos mais pobres

Ilustração: Junião / Ponte Jornalismo
Ilustração: Junião / Ponte Jornalismo

Zonas leste e sul da capital são os lugares onde mais ocorreram mortes durante intervenções policiais nos primeiros semestres de 2013 e 2014

Por William Cardoso, em Ponte

A polícia mata sempre no mesmo lugar: perto dos mais pobres. É o que mostram os mapas feitos pela Ponte com supostos confrontos mortais envolvendo agentes de segurança do estado, na capital paulista, nos primeiros semestres de 2013 e 2014. Os dados foram obtidos pela Lei de Acesso à Informação. Continue lendo “Polícia de SP mata sempre nos mesmos lugares: nos mais pobres”

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“A intolerância racial mostra a falência da escola”, analisa historiador

Goleiro Aranha, vítima de racismo durante jogo entre Santos e Grêmio
Goleiro Aranha, vítima de racismo durante jogo entre Santos e Grêmio

Por Louise Rodrigues*, no Jornal do Brasil

O preconceito racial voltou a ser assunto essa semana nas redes sociais e na mídia. Em cinco dias, foram divulgados massivamente três casos de racismo. Na quarta-feira (27), ganhou repercussão a história de um casal de Muriaé (MG) que publicou uma foto nas redes socias. A menina, negra, foi alvo de comentários com conteúdo racista, como “onde comprou essa escrava? Me vende ela”, “parece até que tão (sic)… na senzala”, “seu dono?”, “tipo assim tia, eu acho que você roubou o branco para tirar foto”. Na quinta-feira (28), o goleiro do Santos, Aranha, foi vítima de xingamentos racistas por parte da torcida do Grêmio, durante o jogo entre os clubes, em Porto Alegre. Na sexta-feira (29), um rapaz negro foi acusado de roubo em um shopping em Salvador (BA). Revoltado, ele se despiu e abriu sua mochila, enquanto os seguranças insistiam no crime. Nada foi encontrado com ele.

O historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Francisco Carlos Teixeira, faz uma constatação: “51% da população brasileira é formada por negros e mestiços. Ou seja, o preconceito racial atinge a estrutura da sociedade”. Ele acredita que os 500 anos de escravidão estão ligados ao racismo, mas ressalta que “a abolição foi em 1888, estamos em 2014”. Para Francisco existem dois fatores fundamentais para a existência do racismo: a escola e a ascensão das classes mais baixas.

Ele explica dizendo que “a intolerância racial mostra a falência da escola. O que se vê nas escolas públicas é que não existe convivência entre as diferenças. Os programas escolares também estão errados porque não estão conseguindo fazer com clareza o processo que construiu esse país. Não existe convívio entre diferentes. O currículo escolar está mal feito. A escola não está formando pessoas menos racistas do que há 50 anos. É preciso que a escola ensine. Enquanto houver uma escola para o pobre negro e outro para a elite branca, não haverá respeito à diversidade”. Continue lendo ““A intolerância racial mostra a falência da escola”, analisa historiador”

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Sem representatividade no Congresso, eleições têm 85 candidatos indígenas

Mario Juruna, líder xavante e primeiro deputado federal indígena. Foto: Agência Câmara - Divulgação
Mario Juruna, líder xavante e primeiro deputado federal indígena. Foto: Agência Câmara

Líderes de diferentes etnias buscam na política a oportunidade de dar voz às aldeias; índios são mais de 800 mil no Brasil

Por Carolina Garcia iG São Paulo

A política indigenista ganha novo fôlego nas eleições 2014. Com 85 candidatos a cargos públicos, de acordo com as estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), indígenas buscam retomar o legado de líderes do passado, fortalecer a própria cultura e mostrar o caminho das aldeias para as políticas públicas. Para sociólogos e antropólogos, o índio busca representação nas esferas federal e estadual para falar a vontade do próprio povo, sem intermediários. Atualmente, não existe candidato de origem indígena no Congresso, em Brasília.

O Censo Demográfico realizado pelo IBGE em 2010 mostrou que a comunidade indígena do Brasil é formada por 817.963 pessoas de 305 diferentes etnias, que estão presentes em todos os Estados. No dia 5 de outubro, índios disputarão cargos de vice-governador (1), senador (3), deputado federal (25), deputado estadual (52), deputado distrital (2), senador 1º suplente (1) e senador 2º suplente (1).

Pela primeira vez, o TSE realizou o mapeamento dos candidatos usando o critério “cargo/cor ou raça”. Entre as cinco raças citadas no estudo, a indígena ficou em último lugar, com a menor porcentagem de representantes (0,33%). Atrás de outras minorias como negros (9,27%), com 2.420 políticos, e amarelos (0,46%), com 116. Continue lendo “Sem representatividade no Congresso, eleições têm 85 candidatos indígenas”

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Nota – CPT Araguaia Tocantins destaca luta das famílias que ocuparam o Incra em Araguaína (TO)

Ocupação do incra

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) Regional Araguaia – Tocantins vem por meio desta parabenizar e destacar a força das famílias integrantes da Articulação Camponesa de Luta Pela Terra e Defesa dos Territórios, que ocuparam a unidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Araguaína (TO) entre os dias 18 e 22 de agosto.

Ainda que completamente ignoradas pelo Incra e pelo Programa Terra Legal, as famílias camponesas resistiram aos dias de ocupação e conquistaram, como fruto do protagonismo de sua própria luta, uma nova audiência pública entre 17 e 19 de setembro, após acordo mediado pelo Juiz Federal Rafael Tadeu Rocha da Silva.

Pela primeira vez, conforme reivindicação da articulação, a reunião contará com a participação da presidência nacional do Incra, além da superintendência nacional do Programa Terra Legal, da Ouvidoria Agrária Nacional e Regional, da presidência do Itertins e de representantes do Ibama, do Naturatins, da Advocacia Geral da União e do Ministério Público Federal.

Durante o encontro será debatida a pauta reivindicada há anos em cinco audiências públicas já realizadas dos 16 grupos de acampados, ocupantes, posseiros, assentados e quilombolas membros da Articulação Camponesa.

CPT Araguaia | Tocantins

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El proyecto minero Conga desde la mirada de los pueblos originarios

Material recoge declaraciones de Teodosia Mayta Murga, quien en febrero de este año fue víctima de ataques por parte de efectivos de la Dinoes.

Servindi

El Instituto Internacional de Derecho y Sociedad (IIDS) puso en circulación el foto ensayo “Conga: El grito del pueblo”, que explica el daño que ocasionará la ejecución del proyecto minero Conga en Cajamarca. Compartimos el material que contó para su realización con el apoyo de las comunidades y rondas campesinas de las zonas en riesgo.

Con la difusión de este material, el Instituto da inicio a una campaña de solidaridad a favor de los pueblos que sufren el constante asedio de las fuerzas del orden que brindan servicio a Yanacocha, empresa a cargo del proyecto.

El peligro para estos pueblos tiene sustento en las obras del proyecto que impactarán de manera significativa e irreversible en la cabecera de cuenca de donde proviene el agua que utilizan para el desarrollo de sus principales actividades. Continue lendo “El proyecto minero Conga desde la mirada de los pueblos originarios”

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Plebiscito pela reforma política passa por ajustes finais. Votação é de 1 a 7 de setembro

Movimentos consideram que principal reivindicação das manifestações de junho segue em aberto. Foto: Pedro Ladeira, Folhapress
Movimentos consideram que principal reivindicação das manifestações de junho segue em aberto. Foto: Pedro Ladeira, Folhapress

Expectativa de 400 entidades é de conseguir aproximadamente 10 milhões de votos na consulta em apoio à mudança no atual sistema político-eleitoral. Resultados serão levados ao Congresso e ao STF

por Hylda Cavalcanti, da RBA

Brasília – Aproximadamente 400 entidades da sociedade civil organizada de todo o país preparam, para o período entre a próxima segunda-feira (1º) e sexta-feira (7), a chamada Semana Nacional de Luta pela Reforma Política Democrática, que terá atos públicos e a coleta de votos e assinaturas para o plebiscito popular – no qual o povo dirá se quer ou não mudanças no sistema político brasileiro. As ações também serão feitas pela internet, de forma a contar com a adesão de pessoas que não possam participar das votações nos lugares especialmente montados para este fim.

Dentre os temas a serem abordados estão a discussão sobre financiamento de campanhas, mudanças no sistema eleitoral, maior participação social nas políticas públicas do país, o fortalecimento dos mecanismos de democracia direta e maior representatividade de grupos considerados subrepresentados no sistema político e nos espaços de poder – tais como mulheres, negros e indígenas, entre outros. Continue lendo “Plebiscito pela reforma política passa por ajustes finais. Votação é de 1 a 7 de setembro”

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Dois dos Quilombos Urbanos do Rio: A Atual Situação da Luta dos Afro-descendentes pelo Direito à Terra

Quilombos-Estado-RJ
Quilombos do Estado do Rio de Janeiro – 3 estão na Cidade do Rio: Pedra do Sal, Sacopã e Camorim

Rio on Watch

Historicamente definidos como comunidades de escravos fugitivos, os quilombos representaram, no ultimo país do hemisfério ocidental a abolir a escravidão, áreas de resistência e liberdade para afro-descendentes brasileiros. De acordo com a Constituição de 1988 e atendendo a pedidos de ativistas negros pelo reconhecimento e reparações, descendentes dos quilombos ganharam o direito à terra que eles têm ocupado historicamente. Apesar disso, a luta pelos direitos territoriais ainda está em andamento nos dois quilombos urbanos oficiais do Rio.

Embora amplamente pensado como um gesto simbólico, designado para apaziguar o movimento negro, a legislação preparou o terreno para milhares de pedidos de reconhecimcento a direitos territoriais, embasados no surgimento de uma nova identidade legal designada “quilombola“, transformada em lei em 2003, durante o governo Lula. Não mais restrita às comunidades que podiam provar-se historicamente como assentamentos de escravos fugitivos, mas uma identidade coletiva enraizada na ancestralidade negra, na resistência e território, tornou-se a chave pela qual os grupos puderam reivindicar o status de quilombo. Continue lendo “Dois dos Quilombos Urbanos do Rio: A Atual Situação da Luta dos Afro-descendentes pelo Direito à Terra”

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