Por Felipe Milanez, para Rolling Stones
Paraíso perdido na Amazônia, a região de Nova Olinda vive em conflito: de um lado, comunidades a favor da extração da madeira; de outro aquelas que querem manter suas terras. O impasse continua
O excesso de céu e águas que se abre à minha frente a partir da proa do barco é deslumbrante. A floresta é uma linha verdejante suave no horizonte, que marca a distinção entre o azul cósmico e o azul mais escuro do rio. Nas margens, praias com areias brancas. Dinael Cardoso, liderançaindígena e uma das personalidades mais ativas no Movimento, me acompanha. Chegando a uma pequena comunidade estendida na beira do rio Arapiuns, ele aponta para uma dessas margens paradisíacas, que poderiam estar no Caribe, escoltadas pelo verde da mata: “Foi ali, ano passado. Vai fazer um ano agora que as balsas queimaram”.
É apenas uma ponta de areia, chamada São Pedro, que marca uma confluência. A partir daqui,cada vez mais o Arapiuns, afluente do Tapajós, se fecha, até culminar em uma bifurcação.De um lado, o Maró. Do outro, o Aruã. Essa terra em frente, para onde sigo, se chama GlebaNova Olinda. O fogo de um ano antes selou a ligação política entre a insurgência presente naNova Olinda e as comunidades ribeirinhas ao longo do Arapiuns, criando o Movimento em Defesada Vida e da Cultura do Rio Arapiuns. Em oposição estariam os empresários que comercializam madeira da região, as comunidades que são ligadas a esses empresários e os agentes econômicos com interesse mais amplo: a mineradora Alcoa, que explora bauxita e faz prospecção em toda a área, e os produtores de soja. Continue lendo “Gleba Nova Olinda, Santarém, PA – “Medo e tensão no Oeste””