Acusado de matar cacique Guarani-Kaiowá é absolvido

Por Daniel Mello*

Após cinco dias de julgamento, os jurados decidiram no fim da noite de sexta-feira 25 absolver Carlos Roberto dos Santos acusado da morte do cacique Guarani-Kaiowá Marcos Veron. Ele e mais Jorge Cristaldo Insabralde e Estevão Romero eram réus no processo que apura os crimes contra o grupo de índios que ocupou a Fazenda Brasília do Sul, em Juti, Mato Grosso do Sul, em fevereiro de 2003.

Os três funcionários da fazenda, no entanto, foram condenados por seis sequestros, tortura e formação de quadrilha armada. A pena estipulada pela juíza da 1ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Paula Mantovani, foi de 12 anos e três meses de prisão. Estevão Romero foi condenado também a mais seis meses em regime aberto por fraude processual.

Todos os réus já passaram quatro anos e oito meses sob prisão preventiva. Como a sentença ainda não transitou em julgado, eles deixaram o tribunal em liberdade. Continue lendo “Acusado de matar cacique Guarani-Kaiowá é absolvido”

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OAB de SP leva à OEA maus tratos de seguranças do Extra

S. Paulo – O caso do menino T., o garoto negro de 11 anos, vítima de violência e maus tratos numa loja do supermercado Extra, da marginal Tietê, na Penha, Zona Leste de S. Paulo, já chegou à Comissão de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos), por iniciativa da Comissão de Direitos Humanos da OAB de S. Paulo. A sede da Comissão fica em Washington, nos Estados Unidos.

O presidente da Comissão da OAB paulista, Martim Almeida Sampaio, enviou ofício ao Presidente da Comissão da OEA, Felipe Gonzalez Morales, relatando o episódio em que o garoto, após passar pelo caixa, onde pagou regularmente as mercadorias, foi humilhado, sendo levado a uma salinha, onde foi revistado, obrigado a tirar a roupa e ameaçado de receber chicotadas, além de ser chamado de “negrinho sujo” e “negro fedido”.

Dois outros adolescentes também estavam no quartinho, segundo o relato do garoto e também foram obrigados a tirar a roupa e sofreram violência física além das ameaças. Continue lendo “OAB de SP leva à OEA maus tratos de seguranças do Extra”

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Investimento na adolescência pode romper ciclos da pobreza e iniquidade

Camila Queiroz

Investir na proteção e no desenvolvimento da população mundial de 1,2 bilhão de adolescentes pode romper ciclos de pobreza e iniquidade, segundo o relatório global do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) “Situação Mundial da Infância 2011 – Adolescência: Uma fase de oportunidades”.

O relatório aborda a adolescência como um período de oportunidades, invertendo a lógica que costuma reduzi-la a uma fase de riscos e vulnerabilidades. O estudo, que contou com a participação de jovens e adultos interessados na temática, traça um panorama da adolescência hoje, abordando direitos e desafios enfrentados pelos jovens e apontando áreas em que os adolescentes mais precisam de investimentos, como saúde e educação.

Nove em cada dez jovens vivem no mundo em desenvolvimento e enfrentam desafios particularmente graves, que vão desde adquirir educação até simplesmente sobreviver. As dificuldades são ainda mais exacerbadas para meninas e mulheres jovens. Continue lendo “Investimento na adolescência pode romper ciclos da pobreza e iniquidade”

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Aluno enfrenta “maratona” para chegar até o IFMS em Nova Andradina

Maciel percorre cerca de 70 quilômetros para chegar até o IFMS

Com o alojamento do campus do IFMS desativado, aluno tem que percorrer diariamente mais de 140 quilômetros, 12 deles de bicicleta

Marcos Daniel Santi

Com 16 anos de idade, Maciel Ottersbach de França, aluno do curso de Técnico em Informática do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), enfrenta há mais de um ano uma verdadeira maratona para chegar até o campus do Instituto em Nova Andradina.

No primeiro ano do curso, o aluno que mora no assentamento Peroba, levantava às 3h30 para conseguir chegar a tempo no ponto de ônibus que leva os demais estudantes, às 6h15.

Nessas quase três horas, ele percorre aproximadamente seis quilômetros de bicicleta para chegar até o distrito de Nova Casa Verde, onde após pagar a passagem, pega um ônibus para Nova Andradina, a cerca de 50 quilômetros. Continue lendo “Aluno enfrenta “maratona” para chegar até o IFMS em Nova Andradina”

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SE – Tudo pronto para o I Encontro Interdisciplinar de Comunicação Ambiental

O Laboratório Interdisciplinar de Comunicação Ambiental (LICA) e o Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema), ambos da Universidade Federal de Sergipe, realizarão o I Encontro Interdisciplinar de Comunicação Ambiental (EICA). O objetivo é aglutinar, debater e divulgar pesquisas e experiências relacionadas ao papel da informação, da comunicação e da mídia no enfrentamento dos problemas ambientais contemporâneos.

A programação do Encontro, que tem apoio da Fapitec – Fundação de Amparo à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe, incluirá quatro mesas-redondas com especialistas de todas as regiões do país e apresentação de trabalhos. Continue lendo “SE – Tudo pronto para o I Encontro Interdisciplinar de Comunicação Ambiental”

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Individualismo e felicidade

Lixão de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, é o cenário de documentário que concorre ao Oscar

O documentário Lixo extraordinário oferece ao público oportuna lição de solidariedade e transcendência. O artista Vik Muniz e o catador Tião Santos têm muito a ensinar ao Brasil

Inez Lemos

O filme Lixo extraordinário narra a trajetória do artista plástico Vik Muniz entre os catadores do aterro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias (RJ). Muniz resolve pintar a vida dos trabalhadores do lixão – personagens de um cotidiano entre urubus e a sujeira que os urbanos industrializados produzem e descartam, sem sequer se dar ao trabalho de separá-la. O documentário nos fala de uma outra vertente da felicidade, pois saímos do cinema com uma inveja danada de Vik Muniz e de Sebastião Carlos dos Santos, o Tião, presidente da Associação dos Catadores do Jardim Gramacho. Não digo isso apenas pelo sucesso do filme, prêmios e indicação ao Oscar, mas pela emoção de algumas cenas, como o abraço sincero, comovido e pleno de gratidão que Tião dá em Vik depois do leilão de uma das obras. Esse abraço metaforiza o momento de suprema felicidade, a aliança com o outro que possibilitou o instante em que, emocionados, ambos expressem alegria pela parceria que ultrapassa a marginalidade e se consolida no reconhecimento. A alegria dos catadores chega sob luzes e holofotes, tal como sonham as garotas candidatas a modelo e artista. Alegria gestada entre mosquitos e pobreza, frustrações e humilhações. O laço social foi moldado no sofrimento – emergiu de um trabalho de parceria, cooperação e amizade. Continue lendo “Individualismo e felicidade”

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Quando a vida não vale nada

João Paulo*

Renilson e Jefinho morreram há uma semana. Foram assassinados em sua comunidade por policiais que buscavam propina do tráfico. Eram pessoas de bem e a execução covarde acendeu o rastilho de indignação que tomou conta do Aglomerado da Serra. Há hoje um consenso, que carrega concordância de muitos especialistas em segurança pública na cidade: a Rotam precisa ser dissolvida, em função de sua estrutura, história e composição. A ideia por trás desse propósito é que maus policiais mancham a corporação. A polícia de Minas já foi considerada a melhor do país. A melhor polícia do país mata inocentes por motivos torpes. Está tudo errado.

A situação em Belo Horizonte merece muita reflexão. Parece que estamos atravessando a linha imaginária perigosa que separava a cidade em dois polos quase incomunicáveis. A violência não é de hoje, o que a torna mais preocupante é sua percepção pela classe média. Metáfora estranha que ao mesmo tempo anestesia e diagnostica, o Aglomerado da Serra pertence à cidade, mas é tomado como apêndice, uma área de exclusão tolerada. Quando a violência contra as pessoas se concentrava no interior de seu perímetro real e imaginário, parecia ser coisa de pobre, acerto de contas, lei da selva. Quando as pessoas, tomadas de indignação, reagiram à polícia e protestaram fora dos limites definidos, a situação de medo se estabeleceu. E é nesse caldo que estamos metidos até o pescoço.

Há questões reais, como a corrupção, o achaque, o arreglo. Nessa prática estão metidos criminosos e policiais, com a população funcionando como escudo, uma espécie de refém que só tem a perder. Em certo sentido, a situação se parece com a dos guetos durante a 2ª Guerra Mundial: os judeus eram impedidos de quase tudo que significasse uma vida digna. No entanto, parecia a eles que, seguindo as determinações da polícia, estariam preservados. Havia uma espécie de pacto, alimentado pelo medo, que parecia apontar sempre o outro como a vítima preferencial. Em nossa realidade, esse álibi imaginário passa pela noção de “honestidade”. O trabalhador, desde que se mantenha fora da linha de tiro, pode ficar tranquilo. A violência é sempre dos outros. Continue lendo “Quando a vida não vale nada”

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Temuco Sábado 26 Febrero: Cierre de Gira Wallüng y Pre Lanzamiento Sexta Producción Musical de Wechekeche Ñi Trawun “Racismo Ambiental”

Temuco Sábado 26 Febrero: Cierre de Gira Wallüng y Pre Lanzamiento Sexta Producción Musical de Wechekeche Ñi Trawun “Racismo Ambiental”

¿Te interesa nuestro Planeta, nuestra Madre Tierra, la Naturaleza o el Medio Ambiente como le llaman? ¿Te interesan nuestros territorios, sus bosques, montañas, ríos, mares, volcanes? ¿Te interesan los Derechos de los Pueblos, sus culturas, cosmovisión? ¿Te importa la contaminación y destrucción que diversas industrias extractivas y energéticas vienen ocasionando a los territorios de estas regiones?…

…Entonces, se extiende una cordial invitación para el Cierre de la Gira Wallüng 2011 de la banda Wechekeche Ñi Trawun y al pre estreno de su sexta producción musical “Racismo Ambiental” .

Todo ciclo tiene un comienzo y un final… La conocida banda Wechekeche Ñi Trawun ha tenido durante el mes de febrero diversas presentaciones en distintos puntos del WallMapu. Recientemente, acaba de finalizar sus presentaciones en Puelmapu (Argentina) y está próxima a cerrar su Gira Wallüng 2011 en Temuco este Sábado 26 de Febrero a las 21.30 Horas, siendo una muy buena ocasión para escuchar, bailar, cantar y tomar conciencia con el pre lanzamiento de su sexta producción musical “Racismo Ambiental” frente a los diversos problemas que afectan a la Ñuke Mapu, a la Madre Tierra, a causa de un atroz modelo que viene destruyendo gran parte de estos territorios ocasionados por nefastas industrias extractivas y energéticas. Continue lendo “Temuco Sábado 26 Febrero: Cierre de Gira Wallüng y Pre Lanzamiento Sexta Producción Musical de Wechekeche Ñi Trawun “Racismo Ambiental””

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Repórter Brasil completa 10 anos e apresenta novidades

Evento internacional, novos sites, documentário e programa televisivo. Para celebrar uma década de atividades, organização anuncia série de lançamentos para ajudar a refletir sobre o país que temos e o país que queremos

Por Leonardo Sakamoto*

A Repórter Brasil foi fundada em 2001 por jornalistas, cientistas sociais e educadores com o objetivo de fomentar a reflexão e ação sobre a violação aos direitos fundamentais dos povos e trabalhadores do campo no Brasil através da garantia de informação de qualidade.

Logo no início, sentimos que apenas relatar graves situações de desrespeito aos direitos humanos seria impossível. Diante de uma realidade como essa, o silêncio das ações, mais do que apenas das palavras, é um ato de conivência. Ao rodar o país, escrevendo e mostrando a gente simples e humilde, que se soma aos milhões, mas que simplesmente não existe, pois dificilmente consegue fazer parte de planos dos governos ou dos debates da opinião pública acabamos por nos tornar atores diretos de transformação social. A Repórter Brasil tomou uma clara e inequívoca opção pelos empobrecidos e marginalizados, no que se refere à realidade política, econômica, social, cultural e ambiental do país.

A organização se tornou uma das mais importantes fontes de informação sobre trabalho escravo no país. Suas reportagens, investigações jornalísticas, pesquisas e metodologias educacionais têm sido usadas por lideranças do poder público, do setor empresarial e da sociedade civil como instrumentos de combate à escravidão contemporânea, um problema que afeta milhares de pessoas. Continue lendo “Repórter Brasil completa 10 anos e apresenta novidades”

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A longa Luta dos Guarani do Araça’í

História, Resistência e Esperança

Os Guarani do Araça’í vivem, há vários anos, confinados em áreas do povo Kaingang. Nestes espaços, alimentam o constante desejo de recuperar sua terra tradicional. Reivindicam o direito de retornar para o “Araçá’í”, terra aonde viram nascer alguns anciãos Guarani, que hoje lutam pela demarcação. Reivindicam apenas uma pequena parte de uma área de seus antepassados.

Na luta pela justiça e pela dignidade, alimentada no sonho da “Terra sem Males”, os Guarani decidiram retomar as suas terras. Na madrugada de 10 de julho de 2000, cerca de duzentos guarani, homens, mulheres e crianças regressaram para sua terra tradicional, localizada nos municípios de Cunha Porá e Saudades, no oeste do estado de Santa Catarina.

A retomada do Araçá’í significou, para os Guarani, a possibilidade de viver sua cultura e suas tradições, educando as crianças dentro de um espaço conhecido, reconstruindo o seu tekohá. Para tanto, enfrentaram muitas dificuldades, tempestades, geada e todo o frio do inverno em barracos improvisados. Suportaram a escassez de alimentos. Também resistiram às ameaças constantes, vindas de pessoas que rondavam o acampamento e disparavam tiros para intimidá-los, além de toda a pressão liderada por prefeitos e políticos da região que não aceitavam a presença deles naquele local. Assistiram a uma massiva campanha contra a presença indígena naquele espaço, fundada em argumentos preconceituosos e ofensivos. Continue lendo “A longa Luta dos Guarani do Araça’í”

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