Militares e policiais brasileiros torturaram presos no Estádio Nacional do Chile

O professor Nielsen de Paula Pires contou sobre a tortura no Estádio Nacional de Chile à CNV. Foto: Bárbara Cruz / ASCOM - CNV
O professor Nielsen de Paula Pires contou sobre a tortura no Estádio Nacional de Chile à CNV. Foto: Bárbara Cruz / ASCOM – CNV

Além de participar das sessões de tortura, agentes brasileiros teriam ensinado técnicas de tortura e levado máquinas de choque elétrico para Santiago

Comissão Nacional da Verdade – “A tortura aos brasileiros e demais estrangeiros presos ocorria nos vestiários do estádio. Para a maioria, a tortura é só pau-de-arara e choque, mas é bem mais que isso. É o terror psicológico também. O interrogatório é ofensivo. Sem contar as vezes que os agentes te batem, batem e não perguntam nada, apenas para te derrubar”, contou à CNV o professor universitário Nielsen de Paula Pires, um dos oito brasileiros que prestaram depoimento, ontem, à Subcomissão da Memória, Verdade e Justiça do Senado sobre ações ilegais de agentes da repressão brasileira no Chile após o golpe de 11 de setembro de 1973 contra Salvador Allende.

Nos testemunhos realizados no Senado, os depoentes acusaram militares e policiais brasileiros de participar de sessões de tortura no Estádio Nacional do Chile, transformado em campo de concentração entre setembro e novembro de 1973, em Santiago, mas também de terem ensinado técnicas de sevícias e de terem levado máquinas de choque que os chilenos ainda não dispunham àquela altura. Continue lendo “Militares e policiais brasileiros torturaram presos no Estádio Nacional do Chile”

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UFGD lança “Capitalismo Verde e Transgressões: Amazônia no Espelho de Caliban”, de Elder Andrade de Paula

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Tania Pacheco- Combate Racismo Ambiental

Capitalismo Verde e Transgressões, de  Elder Andrade de Paula, está sendo lançado pela Editora da Universidade Federal da Grande Dourados, UFGD. O livro, que tem como subtítulo “Amazônia no Espelho de Caliban”, é resultado do pós-doutorado de seu autor. Nas palavras de Ana Esther Ceceña, que assina um Prólogo que é excelente convite à leitura da obra, Elder elege como personagem central a tríplice fronteira formada por Brasil, Peru e Bolívia. Três países Amazônicos sob ataque de um desenvolvimentismo suicida, produto do que ela chama de “capitalismo senil, llamado verde”. Leia mais, pois vale a pena e apresenta de forma precisa o conteúdo do livro. 

Prologo, por Ana Esther Ceceña*

Una triple frontera, de esas que no logran reconocerse en sus diferencias sino más bien en sus interlocuciones y sus historias compartidas, es el personaje que permite a Elder Andrade de Paula poner en debate la urdimbre del capitalismo del siglo XXI, al tiempo que se develan sus entretelones locales y los entramados en que las oligarquías domésticas conectan con los grandes poderes del mundo. Continue lendo “UFGD lança “Capitalismo Verde e Transgressões: Amazônia no Espelho de Caliban”, de Elder Andrade de Paula”

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Bang, Bang, Pow, Pow – Faroeste e futebol em terra Guarani-Kaiowá

Cacique Lide Solano Lopes ameaçado de morte por pistoleiros
Cacique Lide Solano Lopes ameaçado de morte por pistoleiros

“O senhor pode chamar a Polícia Federal aqui? Estão atirando em nós.” Quase um ano e meio depois da histeria em torno da carta que anunciou a morte coletiva, a vida pouco mudou para as famílias indígenas do Pyelito Kue

Bruno Morais, Le Monde Diplomatique Brasil

Era a tarde do domingo de carnaval e do outro lado da linha estava Lide Solano Lopes, cacique do acampamento Pyelito Kue. No dia 12 de fevereiro, cerca de 250 indígenas Kaiowá e Guarani haviam retomado a Fazenda Cambará, propriedade de Osmar Bonamigo, e levantaram barracos ao redor da casa que servia sede. Ao fundo da ligação, se escutava o tiroteio.

Entre a cerca e a estrada

Para se chegar ao Pyelito Kue vindo do município de Amambai é preciso entrar a esquerda em um acesso de terra na rodovia MS-386, logo antes da cidade de Iguatemi. Vinte quilômetros adiante se avista um amontoado de barracos de lona e estacas de madeira, espremidos entre uma cerca e uma estrada vicinal – ao final do ano de 2012, Polícia Federal e Funai acompanharam os funcionários da fazenda que assentaram os postes e passaram os arames, cumprindo a ordem judicial que reservava um hectare de terra para permanência dos indígenas enquanto se concluía o processo de demarcação. Até a retomada da Fazenda Cambará, era esta a sina das famílias do Pyelito: sempre entre a cerca e a estrada. Continue lendo “Bang, Bang, Pow, Pow – Faroeste e futebol em terra Guarani-Kaiowá”

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Ditadura usou aparato bélico contra os povos indígenas, diz Padre Ton

Padre Ton“A Comissão sustenta que os militares usaram um aparato bélico contra os índios”, disse.

Rondônia Dinâmica

Ao registrar ontem (15) em plenário os 50 anos do Golpe Militar, o deputado federal Padre Ton (PT-RO) fez um recorte para falar da situação dos povos indígenas que, segundo ele, foram mais vítimas do regime instaurado em 1964 do que as vítimas de outros grupos.

“A Comissão da Verdade, que investiga crimes cometidos pelo governo ou agentes do regime autoritário, suspeita que tenham sido mil mortos ou desaparecidos políticos entre 1964 e 1985. A construção de estradas na Amazônia, no governo do general Garrastazu de 1969 de 1973, matou 8 mil índios, segundo estima a comissão”, disse Padre Ton, parlamentar que coordena, desde novembro de 2011 a Frente Parlamentar de Apoio aos Povos Indígenas.

Na época, segundo relatório produzido pela Comissão Nacional da Verdade, a ordem dos militares para levar à frente grandes projetos de desenvolvimento na Amazônia, especialmente a abertura de estradas, era eliminar a presença e resistência dos indígenas existentes. Continue lendo “Ditadura usou aparato bélico contra os povos indígenas, diz Padre Ton”

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RJ – Lançamento do livro “Um homem torturado: Nos passos de frei Tito de Alencar”: 17/4, às 19h, na Livraria Travessa do Leblon

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O livro de Leneide Duarte-Plon e Clarisse Meireles teve lançamento ontem em São Paulo. Leia, abaixo, o Prefácio de Vladimir Safatle  e um trecho de Xavier Plassat

Prefácio

Um homem torturado é a reconstrução da militância de uma das figuras mais trágicas da resistência à ditadura militar: frei Tito. Frade dominicano, preso e torturado junto com outros religiosos que deram apoio logístico à ALN de Carlos Marighella, Tito suicidou-se anos depois em um convento francês. A tortura havia conseguido quebrá-lo psicologicamente, transformando sua vida posterior em um inferno de delírios e alucinações.

Sua história é uma das representações mais bem acabadas do engajamento da esquerda católica na luta contra as ditaduras latino-americanas, engajamento que foi apenas um capítulo da longa história de setores da Igreja Católica em sua aliança com movimentos operários e comunistas no século XX. Na América Latina, solo para o desenvolvimento da teologia da Libertação, tal aliança chegou a levar religiosos, como o colombiano Camilo torres, a entrar diretamente na luta armada. Neste sentido, o livro de Leneide Duarte-Plon e Clarisse Meireles é documento importante para o esclarecimento de um processo político fundamental na compreensão da história recente latino-americana. Ele reconstrói contextos históricos esquecidos e distantes, principalmente após a guinada conservadora produzida no interior da Igreja Católica a partir de João Paulo II. Continue lendo “RJ – Lançamento do livro “Um homem torturado: Nos passos de frei Tito de Alencar”: 17/4, às 19h, na Livraria Travessa do Leblon”

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Bacia do Jequitinhonha é devastada pelo garimpo ilegal em Minas

Da mina de água cristalina que sustenta animais e seres humanos à mina de ouro que ainda está espalhada pelo leito e atrai garimpeiros, o Jequitinhonha sofre pelo que oferece a uma região de contrastes (Leandro Couri)
Da mina de água cristalina que sustenta animais e seres humanos à mina de ouro que ainda está espalhada pelo leito e atrai garimpeiros, o Jequitinhonha sofre pelo que oferece a uma região de contrastes (Leandro Couri)

Garimpeiros revolvem leitos atrás de ouro e diamantes, sem critérios nem fiscalização e fazem as águas se degradarem com mais rapidez em Minas

Mateus Parreiras (textos) e Leandro Couri (fotos), Estado de Minas

Diamantina, Couto de Magalhães de Minas e Serro – A estreita faixa de mata ciliar que protege a nascente do Rio Jequitinhonha é tão densa que as tramas de espinhos e árvores do cerrado impedem até identificá-la de fora da vegetação. Para ter acesso ao ponto onde a água aflora, é preciso subir pela calha do córrego até a cabeceira. O esforço é recompensado pela paisagem lacrada na vegetação agreste. Nela, pássaros pousam nas margens e bebem da água límpida que desce pelo leito de seixos brancos e redondos. Mas toda essa pureza dura pouco, já que o Jequitinhonha é o rio que mais tem sido degradado nos últimos anos em Minas. O trecho mais preocupante fica a 140 quilômetros da cabeceira, entre os municípios de Diamantina e Couto de Magalhães de Minas, no garimpo ilegal de Areinha. Um lugar tão devastado que as margens são de areia extraída do fundo do manancial, o curso natural foi seguidas vezes desviado e as águas se tornaram tão vermelhas que lembram sangue. Continue lendo “Bacia do Jequitinhonha é devastada pelo garimpo ilegal em Minas”

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Campanha pela demarcação das terras guarani em São Paulo

petiçao terras guarani sp

Por Coletivo Verde América

Assine a petição que exige do Ministério da Justiça a demarcação das Terras Indígenas Guarani na Grande São Paulo:.

Participe, também, do ato no dia 24/4, com a concentração no Vão Livre do MASP, às 17h, com a presença de várias comitivas de guaranis das diferentes aldeias deste povo na região. Acompanhe AQUI.

Mais informações: resistenciaguaranisp@yvyrupa.org.br e Comissão Guarani Yvyrupa – CGY.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Lara Schneider.

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Belo Monte: Justiça ordena cumprimento de condicionante para proteger Terras Indígenas

União em Belo Monte. Foto - Lunae Parracho (REUTERS)
União em Belo Monte. Foto – Lunae Parracho (REUTERS)

Juiz obriga a empresa a garantir o funcionamento das unidades de proteção territorial nas terras indígenas ameaçadas pelo intenso fluxo migratório atraído pela obra da usina

A Justiça Federal obrigou a Norte Energia S.A a cumprir uma das condicionantes indígenas da usina de Belo Monte, que trata da proteção territorial das Terras Indígenas impactadas pelo intenso fluxo de migrantes que a obra atraiu para a região. Essa condicionante está com várias pendências e, de acordo com o juiz Frederico de Barros Viana, a falta de proteção territorial pode “ocasionar prejuízos irreversíveis às comunidades indígenas afetadas pelo empreendimento hidrelétrico”. Ele impôs multa de R$ 50 mil por dia à empresa em caso de descumprimento da decisão. Continue lendo “Belo Monte: Justiça ordena cumprimento de condicionante para proteger Terras Indígenas”

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As muitas mortes de um curso d’agua

Vale do Arrudas, em Contagem, poluição atinge curso d'água alguns quilômetros depois da nascente
Vale do Arrudas, em Contagem, poluição atinge curso d’água alguns quilômetros depois da nascente

Degradada pela mineração de quartzito e recuperada por reflorestamento do entorno, nascente do Rio das Velhas tem águas poluídas menos de mil metros após área de preservação

Mateus Parreiras, Estado de Minas

Ouro Preto, Sabará, Santa Luzia – Debaixo das pedras de um dique para conter erosões empoça uma água limpa, que mal tem forças para escorrer morro abaixo, entre degraus e lajes de uma jazida de quartzito que funcionou por 200 anos. A área, reflorestada e cercada em 2003, no Bairro São Sebastião, em Ouro Preto, na Região Central de Minas, preserva a nascente primária do Rio das Velhas, como parte do projeto “Flores e Águas do Velhas”, financiado pelo Fundo Estadual de Proteção de Bacias (Fhidro)

Mas o esforço para conservar a nascente do manancial que dá água a Belo Horizonte e é um dos principais tributários do Rio São Francisco se vê frustrado a menos de mil metros, ainda no bairro, onde o esgoto polui o curso d’água. Exames de laboratório feitos em amostras colhidas pela reportagem naquele ponto mostram que o Velhas praticamente nasce com 594% mais coliformes termotolerantes do que o aceito pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Continue lendo “As muitas mortes de um curso d’agua”

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