O futuro da internet em debate no Brasil

Gilberto Gil, destaque na reunião da ONU que debateu em Túnis (2005) futuro da internet. Espaço do Brasil tornou-se ponto de encontro de intelectuais, ativistas e membros de governos
Gilberto Gil, destaque na reunião da ONU que debateu em Túnis (2005) futuro da internet. Espaço do Brasil tornou-se ponto de encontro de intelectuais, ativistas e membros de governos

Dois eventos globais paralelos tentam, esta semana, assegurar liberdade na rede, num mundo ameaçado por autoritarismos, vigilância e censura. Será possível?

Por Maurício Ayer Antonio Martins – Outras Palavras

O sociólogo catalão Manuel Castells, autor de A Sociedade da Informação; o engenheiro inglês sir Tim Berners-Lee, que criou a World Wide Web; o músico e ex-ministro brasileiro Gilberto Gil, cujo currículo inclui participação destacada na conferência internacional que debateu, em Túnis (2005) o futuro da internet, têm uma tarefa árdua, esta semana, em São Paulo. Junto com oitocentos representantes (de duzentos países) e com outros intelectuais e ativistas destacados, eles tentarão afastar sombras que pairam sobre o futuro da rede mundial de computadores – e, em muitos sentidos, da democracia.

Como permitir que a internet continue a alimentar a esperança de comunicação direta, sem intermediários e fundamentalmente desmercantilizada, entre os seres humanos? De que modo evitar que ela seja contaminada pela espionagem maciça, censurada por governos autoritários ou reduzida a um espaço mercantil, em que o grande poder econômico controla os fluxos de informação relevantes? Estes são alguns dos temas da Net Mundial e Arena Net Mundial, eventos marcados para 22 a 24 de abril, no Hotel Grand Hyatt e Centro Cultural de São Paulo. Continue lendo “O futuro da internet em debate no Brasil”

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Feminismo negro: sobre minorias dentro da minoria (por Jarid Arraes)

fem-neg

As necessidades das mulheres negras são muito peculiares e sem que seja feita uma profunda análise do racismo brasileiro, é impossível atender às urgências do grupo

Por Jarid Arraes – Sul21

A origem

O Feminismo Negro é um movimento social e um segmento protagonizado por mulheres negras, com o objetivo de promover e trazer visibilidade às suas pautas e reivindicar seus direitos. No Brasil, seu início se deu no final da década de 1970, a partir de uma forte demanda das mulheres negras feministas: o Movimento Negro tinha sua face sexista, as relações de gênero funcionavam como fortes repressoras da autonomia feminina e impediam que as ativistas negras ocupassem posições de igualdade junto aos homens negros; por outro lado, o Movimento Feminista tinha sua face racista, preterindo as discussões de recorte racial e privilegiando as pautas que contemplavam somente as mulheres brancas. Continue lendo “Feminismo negro: sobre minorias dentro da minoria (por Jarid Arraes)”

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Os Amarildos, firmes!

foto: Celso Martins
foto: Celso Martins

Elaine Tavares – Palavras Insurgentes

Os textos, ditos sagrados, para mim sempre foram metáforas da vida mesma. Um jeito de contar histórias que pudessem ser entendidas pelas pessoas simples. Arquétipos de nós mesmos, de situações históricas, de passagens da vida que sempre se repetem, dando conta de nossa condição humana. Por isso, me encantam, e a eles dispendo tempo. Gosto, particularmente, no novo testamento, das parábolas de Jesus, o jovem galileu, nascido no espaço do que hoje é a Palestina ocupada. Histórico ou não, ele tinha esse dom de falar por metáforas, buscando encontrar o centro do amor humano. Então, é a ele que recorro para pensar meu mundo, nessa segunda-feira gris.

Ontem voltei a ver um velho filme que tocou minha alma na infância: Ben-Hur, com o inesquecível Charlton Heston. É sobre um homem que passa por todas as agruras de um tempo de invasão estrangeira em sua terra, que perde tudo, e que arma toda uma vingança. Mas, tocado pela figura e pelo exemplo de um “ninguém”, um andarilho, um rebelde – o homem que mais tarde veio a saber que era Jesus –  ele volta a ser o que era, generoso e bom, recebendo assim, outras bênçãos. Uma metáfora dentro da metáfora. Só o amor pelo outro – caído – pode salvar a nós mesmos. Continue lendo “Os Amarildos, firmes!”

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Usina de Jirau registra mortandade de peixes durante testes de turbinas

Usina de Jirau não soube informar quais espécies de peixes morreram (Foto: Rondôniavip)
Usina de Jirau não soube informar quais espécies de peixes morreram (Foto: Rondôniavip)

Kátia Brasil – Amazônia Real

Milhares de peixes morreram durante testes de turbinas realizados na segunda-feira, dia 14 de abril, em uma das casas de força da hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, a 120 quilômetros de distância de Porto Velho (RO). A notícia só foi divulgada nesta semana após uma fotografia dos peixes mortos ser publicada com exclusividade pelo site Rondôniavip.

“Normalmente este tipo de mortandade indica falta de oxigênio, mas não sabemos por que”, disse o ecólogo Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

A mortandade de peixes na usina Jirau aconteceu seis dias após a hidrelétrica retomar, no dia 8 de abril, o funcionamento da Linha de Transmissão entre Porto Velho e Araraquara (SP), conforme aprovação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Em nota divulgada à imprensa de Rondônia, a Empresa Energia Sustentável do Brasil (ESBR), responsável pela construção e operação da usina de Jirau, tratou a mortandade de peixes de “incidente”. Segundo a empresa, não se sabe a quantidade certa de “espécimes perdidas”. Continue lendo “Usina de Jirau registra mortandade de peixes durante testes de turbinas”

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Uma análise séria, crítica e imperdível dos efeitos da Copa do Capital: “A Copa já era!”

Charge encontrada na internet
Charge encontrada na internet. TP.

“Na verdade, a humilhação internacional, a qual não se quer submeter o Brasil, é a de que o mundo saiba como o capitalismo aqui se desenvolve, ainda marcado pelos resquícios culturais de quase 400 anos de escravidão e sem sequer os limites concretos da eficácia dos Direitos Humanos e dos direitos sociais, promovendo, em concreto, uma das sociedades mais injustas da terra”. [destaque nosso. TP.]

Por Jorge Luiz Souto Maior*, no Blog do Juca Kfouri

O presente texto tem o propósito de apresentar onze argumentos, do goleiro ao ponta-esquerda, para demonstrar que a Copa já era! Ou seja, que já não terá nenhum valor para a sociedade brasileira e, em especial para a classe trabalhadora, restando-nos ser diligentes para que os danos gerados não se arrastem para o período posterior à Copa.

1. A perda do sentido humano

O debate entre os que defendem a causa “não vai ter copa” e os que afirmam “vai ter copa” está superado. Afinal, haja o que houver, o evento não vai acontecer, ao menos no sentido originariamente imaginado, como instrumento apto a gerar lucros e dividendos políticos “limpinhos”, como se costuma dizer, pois não é mais possível apagar os efeitos deletérios que a Copa já produziu para a classe trabalhadora brasileira. É certo, por exemplo, que para José Afonso de Oliveira Rodrigues, Raimundo Nonato Lima Costa, Fábio Luiz Pereira, Ronaldo Oliveira dos Santos, Marcleudo de Melo Ferreira, José Antônio do Nascimento, Antônio José Pitta Martins e Fabio Hamilton da Cruz, mortos nas obras dos estádios, já não vai ter Copa!

Aliás, a Copa já não tem o menor valor para mais de 8.350 famílias que foram removidas de suas casas no Rio de Janeiro, em procedimento que, como adverte o jornalista Juca Kfouri, no documentário, A Caminho da Copa, de Carolina Caffé e Florence Rodrigues, “lembram práticas nazistas de casas que são marcadas num dia para serem demolidas no dia seguinte, gente passando com tratores por cima das casas”. Essas práticas, segundo relatos dos moradores, expressos no mesmo documentário, incluíram invasões nas residências, para medir, pichar e tirar fotos, estabelecendo uma lógica de pressão a fim de que moradores assinassem laudos que atestavam que a casa estava em área de risco, sob o argumento de que na ausência de assinatura nada receberiam de indenização, o que foi completado com o uso da Polícia para reprimir, com extrema violência, os atos de resistência legítima organizados pelos moradores, colimando com demolições que se realizaram, inclusive, com pessoas ainda dentro das casas. Continue lendo “Uma análise séria, crítica e imperdível dos efeitos da Copa do Capital: “A Copa já era!””

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Justiça Global denuncia à ONU despejo de moradores da Favela da Telerj

Terreno da operadora de telefonia Oi, na zona norte da cidade, foi desocupado em uma operação policial no dia 11 de abril. Foto: Tânia Rêgo - Agência Brasil
Terreno da operadora de telefonia Oi, na zona norte da cidade, foi desocupado em uma operação policial no dia 11 de abril. Foto: Tânia Rêgo – Agência Brasil

Por Nielmar de Oliveira – Repórter da Agência Brasil; Edição: Fábio Massalli

A organização não governamental (ONG) Justiça Global formalizou denuncia à Relatoria Especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Moradia Adequada sobre a violência policial no despejo dos moradores da Favela da Telerj, que foi construída no terreno da Oi. Para a ONG, houve negligência da prefeitura Rio de Janeiro no reassentamento das famílias.

Na denúncia, a Justiça Global solicita à ONU que “exija” do governo brasileiro explicações sobre os fatos descritos e que tome medidas urgentes para prevenir a ocorrência “de mais violações de direitos humanos”. No entendimento da Justiça Global, a desocupação do terreno – ocorrida no dia 11 de abril – “foi arbitrária, com uso exclusivo do aparato militar e sem a presença de oficiais de Justiça no local, caracterizando a ilegalidade da ação”.

Ainda no entendimento da Justiça Global, a remoção começou às 5h da manhã, em desacordo com a normativa que afirma que tais procedimentos só podem ser feitos a partir das 6h, e se deu sem que houvesse qualquer assessoria jurídica durante o despejo, não tendo sido garantida a ampla defesa aos moradores. Continue lendo “Justiça Global denuncia à ONU despejo de moradores da Favela da Telerj”

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Aos Quilombolas do Brejo dos Crioulos

A Comunidade quilombola do Brejo dos Crioulos está localizada entre os municípios de Varzelândia, Verdelândia e São João das Pontes, no norte de Minas Gerais. Eles lutam para retomar as terras ocupadas por seus antepassados, escravos que se refugiaram na região há cerca de 200 anos.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Ruben Siqueira.

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Quatro fotos de onde passa(va) o Velho Chico, em Pirapora, Minas Gerais

Velho Chico ponte seca

Vanessa Rodrigues: “Fotos da minha prima Rejany Lustosa, tiradas ontem, 20 de abril. As duas primeiras, embaixo da ponte Marechal Hermes, onde corria o rio São Francisco. As duas últimas, nas duchas, onde havia corredeiras… E há quem ainda insista em negar…”

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FIFA proíbe protesto de indígena brasileiro contra Coca-Cola em Londres

Nixiwaka Yawanawá, indígena brasileño en la presentación del Mundial de fútbol en Londres. FIFA fue impedido de mostrar el mensaje completo en su polo mientras estuvo junto a la copa
Nixiwaka Yawanawá, indígena brasileño en la presentación del Mundial de fútbol en Londres. FIFA fue impedido de mostrar el mensaje completo en su polo mientras estuvo junto a la copa

La Marea/Servindi – “Brasil, deja de destruir a los indígenas”, decía la camiseta del indígena amazónico Nixiwaka Yawanawá en la recepción del trofeo de la Copa del Mundo en Londres, a mediados de marzo. A pesar de que su intención era posar junto a él para denunciar que los indígenas de Brasil siguen siendo asesinados para que las grandes multinacionales y los terratenientes puedan ocupar sus tierras y explotar sus recursos, ni la FIFA ni Coca-Cola, patrocinadora del Mundial, le permitieron mostrar el mensaje completo mientras estuvo junto a la copa.

Precisamente Coca-Cola, que además de ser una de las mayores patrocinadoras del evento deportivo también es una de las empresas promotoras del tour que está haciendo la Copa del Mundo antes de llegar a Brasil, está involucrada en varias de estas luchas territoriales de los indígenas.

Y es que, según denunció Oxfam en un informe publicado a finales de 2013, la empresa de refrescos compra el azúcar para elaborar sus bebidas a compañías que la producen en tierras expropiadas a los indígenas: Bunge y Usina Trapiche. A pesar de esta colaboración, en uno de los anuncios con los que promociona el Mundial aparece un indígena sonriente que consume esta bebida; algo que un grupo de activistas ha querido denunciar mediante la elaboración de un cartel en el que sustituyen la fotografía del feliz protagonista por el de un policía que se está llevando detenido a un indígena. Continue lendo “FIFA proíbe protesto de indígena brasileiro contra Coca-Cola em Londres”

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E flutuou no ar como se fosse um pássaro…

“Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima”

Chico Buarque de Holanda

escada da fifa

Rel-UITA

O Brasil acumula mortos na construção de seus estádios.

Em apenas alguns meses nove pessoas, que trabalhavam na construção de estádios para o próximo campeonato mundial de futebol, morreram em consequência da escassa segurança existente nas obras e das jornadas de trabalho de mais de 15 horas.

O último operário falecido no Brasil na construção de um estádio se chamava Fábio Hamilton da Cruz. Tinha 23 anos e morreu no dia 29 de março em São Paulo, quando caiu de oito metros de altura enquanto tentava terminar umas arquibancadas da Arena Corinthians.
Antes do Fábio, oito trabalhadores morreram: seis em condições mais ou menos similares às do jovem paulista, em um acidente, e dois por infarto.
Os trabalhadores são pressionados pelas empresas responsáveis pelas obras que, por sua vez, são pressionadas pelas autoridades estaduais e federais, e estas últimas pelos burocratas da FIFA, a Federação Internacional de Futebol.
“A atitude irresponsável das autoridades estatais, federais e do futebol brasileiro fez com que as obras começassem muito tarde e quem pagou por isso foram os operários, com a sua vida ou com acidentes e lesões que provavelmente lhes deixarão sequelas permanentes, por causa de atrasos que eles não têm nada que ver”, denunciou Antônio de Souza Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sintracon- SP).
As condições de trabalho são ruins e é péssima a segurança, afirmou.
 
Na Arena Corinthians, alguns meses antes, um guindaste desabou, matando dois operários. Para economizar tempo e dinheiro, não fizeram uma base adequada para sustentá-la.
 
Os trabalhadores e os engenheiros de segurança já tinham advertido do perigo, mas os empresários preferiram seguir assim mesmo, disse Antônio de Souza Ramalho para a agência de notícias IPS.

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