Mães contam como transformaram dor da perda de filhos em luta por justiça

Na foto, a presidente da associação Anjos de Realengo, Adriana Silveira Machado. Foto: Tomaz Silva
Na foto, a presidente da associação Anjos de Realengo, Adriana Silveira Machado. Foto: Tomaz Silva

Por Alana Gandra e Flavia Villela, Repórteres da Agência Brasil
Edição: Carolina Pimentel e Juliana Andrade

A violência que assola as cidades brasileiras tem deixado mais marcas e vítimas do que as registradas nos boletins de ocorrência. Junto com o número cada vez mais alto de crianças e jovens vítimas de assassinatos cresce também, em uma estatística silenciosa, o número de mães que sofrem com a perda, o luto e, em vários momentos, com a sensação de impunidade.

Neste Dia das Mães, a Agência Brasil conta a história dessas mulheres que transformaram a dor e a perda em um motivo a mais para lutar por justiça.

É o caso da advogada Alessandra Soares, mãe de João Roberto Amorim Soares, morto em 2008, com dois tiros. À época com 3 anos, João estava no carro com a mãe e o irmão mais velho, Vinicius. Na noite do dia 6 de junho de 2008, o veículo foi metralhado por policiais militares na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro.

Os militares deram 17 tiros no veículo ao confundirem o carro com o de criminosos em fuga. Alessandra estava grávida de Amanda, hoje com 5 anos, quando ocorreu a tragédia, mas ainda não sabia. Ela e Vinícius foram feridos por estilhaços de vidro. Nos quase seis anos sem João, Alessandra luta por justiça, não apenas pela morte do filho, como também dos filhos de vários brasileiros que perderam a vida para a violência.

“Continuamos participando dos movimentos em prol da paz e da justiça, pois o que ocorreu conosco continua ocorrendo. Pouca coisa ou nada mudou”, lamentou, ao ressaltar que os dois policiais militares envolvidos no caso foram absolvidos pelo júri. Continue lendo “Mães contam como transformaram dor da perda de filhos em luta por justiça”

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MG – Grupo armado/encapuzado ataca Acampamento 1º de Maio/OITRA, em Uberlândia, duas noites seguidas

Nas madrugadas dos dias 5 e 6/05/2014, um grupo armado e encapuzado, mais de 15 jagunços, atacou o Acampamento 1º de Maio, do OITRA, no município de Uberlândia, triângulo mineiro. Resultado: mais de 18 feridos e todo o Acampamento – 48 barracas de lona preta – foi queimado e destruído.

Denúncia em entrevista a frei Gilvander Moreira. Belo Horizonte, MG, Brasil, 10/05/2014, 34 anos do assassinato do padre Josimo Tavares.

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A mãe que posso ser

Vanessa - filhosPor Vanessa Rodrigues, em Brasil Post

Dia desses, meu filho caçula, fascinado por trens e metrôs, saiu pra passear com o pai. Da porta, me olhou e disse com todos os esses e erres: “eu não quero que você vá. Só vamos o papai e eu”.

Antes de sair, me cobriu de beijos. E pensei: “‘desaplaudida, sim. Mas cheia de amor!” Segundos depois, sem ironias mas ainda com um leve despeito da minha parte, de verdade o que me veio à cabeça foi: eu não sou a pessoa preferida dos meus filhos. Não o tempo todo. E isso me conforta e me alivia.

Conforta-me saber que o pai ocupa o seu espaço nesse nosso rolê familiar. Conforta-me saber que a demanda ou a expectativa sobre mim é a real, a possível, a que posso dar. A que quero dar. Sem atitudes heroicas ou sublimes, sem esperar um sacrifício mais forte do que o inevitável. A gente sabe, não é fácil. Não é cor de rosa ou azul. Há lindezas. Mas também há (muitas) escolhas e perdas.

Quando o mais velho era pequeno e chorava procurando o consolo do pai em primeiro lugar, as pessoas me olhavam acusatórias, como se eu fosse menos mãe (“menas main”, como o meme que corre por aí. O que, no caso, eu sou mesmo). E eu tinha que ouvir piadinhas e ironias de um monte de gente que não se dava conta da loucura que é pressupor que uma mulher deixa de ser boa cuidadora quando o pai o é! Como se ela “perdesse pontos”.

Mãe não é onipresente, onipotente e onisciente. E quanto me doi ouvir frases do tipo: “onde está a mãe dessa criança que não viu isso?”, não apenas pra mim, mas pra todas as mulheres. Nem sempre a culpa é nossa, minha gente! Há mais pessoas nessa equação. Mais pessoas que podem e devem olhar, cuidar, proteger. E o quanto ainda temos que caminhar pra que essa rede se reconheça e se consolide, hein? Para que os cuidados não recaiam, invariavelmente, nos ombros da mesma e única pessoa, no caso, a mãe. Continue lendo “A mãe que posso ser”

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Dia das Mães: Precisamos mesmo destruir o passado para poder ir adiante?, por Leonardo Sakamoto

Compartilhando o sentimento de Sakamoto, uma camélia para dona Ermelinda, que fazia croché, também foi 'expulsa' e, mais que avó, foi minha mãe. (Tania Pacheco)
Compartilhando o sentimento de Sakamoto, uma camélia para dona Ermelinda, que fazia croché, também foi ‘expulsa’ e, mais que avó, foi minha mãe. (Tania Pacheco)

Por décadas, minha avó morou de aluguel em uma casinha, onde passava os dias entre a máquina de costura e os cuidados com o cachorro. Hoje, a casa, bem como minha avó, são apenas lembranças de um outro tempo.

Dia desses, andando por aquela rua, parei por uns momentos diante do prédio imponente que foi erguido no lugar. Seu número é o mesmo da casinha, coisa que não dá para esquecer porque minha mãe o havia usado como senha de sua conta – coisa que decorei pela eternidade por conta das vezes que tive que ir até o banco tirar um extrato para ela.

Mas só. O lugar é chique, com tudo muito bem arrumadinho, em nada lembrando a bagunça que sempre havia na frente da casa da velha italiana de cabeça quente. Em pouco tempo, seguranças me mediram da cabeça aos pés e diante de um “estou apenas olhando, minha vó morava aqui”, franziram a testa, perguntando com sobrancelhas arqueadas em qual apartamento ela residia. Talvez querendo checar a incongruência da declaração. Como se a história daquele lugar tivesse começado com o nascimento do prédio.

Despeço-me com um sorriso curto mas ainda em tempo de ver um morador conversando com o segurança através de um alto-falante, sem precisar (ou desejar) abrir a janela de seu carro, na entrada da garagem.

O sapateiro que ficava em frente não existe mais. Muito menos a avícola no canto da rua, o clube onde os mais velhos se reuniam para jogar bocha e o tintureiro japonês e gente boa. A loja de armarinhos onde eu ia comprar linhas para a minha avó também sumiu, bem como o boteco que vendia ovo azul e sarapatel. Hoje, há um caro restaurante. Velhas senhoras que ficavam fofocando na rua, gritando com seus netos que corriam atrás de bolas, também se foram. E, com a quantidade de prédios altos que se ergueram, o céu e o horizonte também tiveram que se mudar para outro lugar. Continue lendo “Dia das Mães: Precisamos mesmo destruir o passado para poder ir adiante?, por Leonardo Sakamoto”

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PF investiga retirada ilegal de madeira em terras indígenas do Mato Grosso e Rondônia

 

Foto: Tiago Jara. Arquivo Ibama
Foto: Tiago Jara. Arquivo Ibama

Crime nas áreas indígenas Arara Rio Branco e Aripuanã era acobertada após a transferência de créditos florestais fictícios

Portal Amazônia/Ariquemes On Line

CUIABÁ – Policiais federais participam de uma operação de combate à exploração ilegal de madeira em duas áreas indígenas do noroeste de Mato Grosso nesta quarta-feira (7). Mandados judiciais também estão sendo cumpridos, pelos 236 agentes, nos Estados de Rondônia, São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina.
Ao todo, a Justiça Federal de Juína (MT) expediu 67 mandados de busca e apreensão; 28 de condução coercitiva e nove de prisão preventiva (sete deles em Mato Grosso e dois em Rondônia). A Operação Kalupsis (do grego acobertar, encobrir) também conta com a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), cujos servidores estão fiscalizando algumas das madeireiras onde policiais cumprem os mandados judiciais.
Segundo a assessoria da PF, a operação é resultado de investigações iniciadas pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra o Meio Ambiente, em fevereiro de 2013. Durante a apuração, PF e Ibama identificaram que a madeira vinha sendo ilegalmente cortada e retirada do interior de duas áreas indígenas (Arara Rio Branco e Aripuanã) do noroeste mato-grossense. A operação criminosa era acobertada mediante a transferência de créditos florestais fictícios e fraudulentos.

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Escola do Judiciário tem até camarão no cardápio

Ilustração da monografia "Que es la justicia. Ensayo y análisis", de Leslie Salazar Medina
Ilustração da monografia “Que es la justicia. Ensayo y análisis”, de Leslie Salazar Medina

Por Isabella Souto, em EM

Nem todo estudante brasileiro come mal. Pelo menos é o que se verifica no cardápio da Escola Judiciária do Mato Grosso do Sul – voltada para a formação de juízes e cursos de qualificação. A presidência do Tribunal de Justiça assinou no ano passado um contrato de R$ 201 mil para custear cafés, almoços, jantares e coquetéis realizados pela escola. O cardápio incluiu pratos de dar água na boca de qualquer um: peixes ao molho de maracujá, com camarão, molho tailandês, amêndoas e salada de bacalhau. Além disso, o contrato inclui canapés, salgadinhos, sanduíches, carnes, massas e bebidas em geral, como sucos, refrigerantes, água mineral e café. O gasto foi aprovado a despeito de os magistrados terem direito a uma diária de R$ 600 para participar de cursos de aperfeiçoamento.

Os alunos e professores do curso de pós-graduação em direito processual constitucional promovido pela Escola Superior da Magistratura de Goiás – realizado de junho a novembro de 2013 às sextas-feiras à noite e aos sábados – não podem se queixar. Foram gastos pelo Judiciário goiano R$ 61.084,80 para a compra de vários tipos de pães, recheios (frios, patês e carne), 26 tipos de salgadinhos, biscoitos, refrigerantes e sucos e oito tipos de tortas doces. No mesmo edital, também foi incluída a compra de 15 tipos de frutas para os magistrados do Tribunal de Justiça, com um gasto de R$ 63.376,20. Na lista, abacaxi, pinha, banana-maçã, caqui, kiwi, laranja, maçã nacional, manga, mamão papaia, mamão formosa, melancia, melão, morango, pera e uva rosada.

No Judiciário, são vários os exemplos de “boa mesa”. O Tribunal de Justiça de Alagoas assinou no ano passado contrato para lanches aos magistrados e integrantes do Tribunal de Júri – que são obrigados a ficar sob os cuidados do Judiciário enquanto durar o julgamento, sem poder voltar para casa. Na lista de alimentos, cheeseburguer, hambúrguer, misto e queijo quente, salada de frutas, sucos e refrigerantes. No TJ mineiro, os magistrados têm direito a biscoitos variados, sucos, achocolatados, iogurte, leite desnatado e integral, queijos, refrigerantes, carne, linguiça, frango e gelatina.  Continue lendo “Escola do Judiciário tem até camarão no cardápio”

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Com os recursos contados, escolas públicas limitam a merenda a um prato por criança

Na hora da merenda, alunos de uma escola pública Pirapora, no Norte de Minas, pedem mais macarrão diante da panela vazia
Na hora da merenda, alunos de uma escola pública Pirapora, no Norte de Minas, pedem mais macarrão diante da panela vazia

Em muitos casos, prefeituras complementam valores. Ainda assim, alimentação é insuficiente

Por Isabella Souto, Luiz Ribeiro e Daniela Garcia, em EM

Saiba mais…O orçamento deste ano prevê a destinação de R$ 3,4 bilhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para atender a 43 milhões de alunos de escolas públicas em todo o país. Esse dinheiro é repassado pela União a estados e municípios – que ficam encarregados de promover as licitações e comprar os alimentos que devem ser servidos diariamente. Os valores per capita vão de R$ 0,30 a R$ 1. E não é preciso saber muito de matemática para imaginar que o dinheiro é pouco. Muitas prefeituras acabam tendo que complementar, o que significa aperto ainda maior para os cofres que já sofrem com as quedas no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), principal fonte de renda dos pequenos municípios.

A reportagem do Estado de Minas visitou na semana passada uma comunidade rural em Francisco Sá – cidade de 23,6 mil habitantes, a 472 quilômetros de Belo Horizonte, no Norte de Minas – e presenciou a merenda dos alunos: macarrão com ovo. No dia anterior, tinha sido fornecido feijão com arroz, segundo relatos dos alunos. As reclamações estão na ponta da língua: a vontade de comer carne e frutas e o simples ato de repetir o prato. “Quase todo dia, a merenda é a mesma. Fruta só aparece de vez em quando”, lamenta um estudante de 13 anos, matriculado no ensino fundamental. “A gente não pode repetir”, completa um colega de sala. Outro aluno se desloca por 22 quilômetros para chegar à escola. Ele sai de casa às 10h e almoça no colégio.  Continue lendo “Com os recursos contados, escolas públicas limitam a merenda a um prato por criança”

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Contribuinte paga lanche farto para autoridades e merenda escolar deficiente para alunos

aluno e merenda
O prato dos estudantes
autoridades e merenda
O prato das autoridades

Enquanto o contribuinte paga lanches fartos e caros para autoridades de todos os poderes, nas escolas públicas os alunos têm de se contentar com refeições que custam míseros R$ 0,30

Por Isabella Souto, em EM

Todos os dias a cena se repete numa escola pública de Francisco Sá, pequena cidade do Norte de Minas: por volta das 15h30, crianças fazem uma enorme fila para receber a merenda preparada na cantina. Nas panelas, arroz temperado com salsicha ou macarrão sem molho com ovo. Mais ou menos no mesmo horário, em Vitória, Espírito Santo, os 31 deputados estaduais têm à disposição durante as reuniões de plenário frutas da estação, sucos, bolos e sanduíches recheados com queijo branco e peito de peru light, entre outras guloseimas. Os cardápios tão diferentes são apenas um exemplo da disparidade encontrada entre a merenda escolar servida aos estudantes do ensino público de todo o Brasil e o lanche degustado pelas autoridades em diversos órgãos públicos. Se para as crianças o custo per capita de cada refeição varia de R$ 0,30 a R$ 1 – de acordo com a idade e tempo de permanência na escola –, para autoridades pode chegar a valor bem superior, como R$ 22 no caso de cada parlamentar capixaba.

Do bolso do contribuinte para o prato das autoridades vão milhares de reais a cada mês. No Espírito Santo, pregão lançado no início deste ano prevê um gasto de R$ 81.872,28 para fornecimento de refeições para “suprir as demandas das sessões plenárias ordinárias e eventuais sessões plenárias extraordinárias, principalmente em ocasiões em que os parlamentares, por questões regimentais, permanecem por longo período em plenário sem poder se ausentar”, diz o edital. Continue lendo “Contribuinte paga lanche farto para autoridades e merenda escolar deficiente para alunos”

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Toxic Amazon (filme completo) – lembrando que no dia 24 serão três anos desde o assassinato de José Cláudio e Maria do Espírito Santo

No dia 24 de maio de 2011, enquanto a Câmara dos Deputados aprovava o Código Florestal ruralista, José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo eram executados no Pará. Toxic Amazon foi produzido pela VICE Media com direção de Thomas Morton e ‘participação’ de Felipe Milanez, em Marabá (ou  Marabala, mistura de Marabá com bala, como dizem muitos) e adjacências, semanas após o assassinato.

Para marcar o terceiro aniversário da morte do casal, a irmã de José Cláudio, Claudelice Santos, está organizando o ato “A Floresta vai gritar”. Mais detalhes AQUI.

Para ver o filme em tela cheia, clique para iniciar e, em seguida, nas setas na parte de baixo escura da tela, à direita. Os trechos da narração em inglês são legendados.

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Terra dos Índios, de Zelito Viana. Repetindo, por que vale!

Postado por Sander Barbosa Pereira

Depoimentos rarímos do grande líder indígena Guarani Marçal de Souza Tupã, onde ele próprio relata as sua preocupações futuras tendo em vista o advento do nascimento de novas lideranças que continuarão esta luta insana em busca dos territórios de ocupação tradicional aqui no Mato Grosso do Sul. Marçal neste filme relata ainda seu sofrimento, fala do seu espancamento na aldeia de Dourados onde fora expulso e tendo sua moradia e local de trabalho destruídos.

Dentro deste grandioso filme temos ainda depoimentos de Angelo Kretã Kaingang em sua luta pela retomada de seus territórios no Rio Grande do Sul e também de Mario Juruna, da etnia Xavante, que anos depois se tornaria deputado federal pelo estado do Rio de janeiro. Este filme continua atual, pois com o passar dos tempos a luta parece cada vez mais desigual e as lideranças continuam em suas buscas frenéticas e insanas nos tempos atuais. Este filme resgata de forma verdadeira a memória daqueles que tombaram e derramaram seu sangue na terra que sempre lhes pertenceu e que tornou-se motivos de genocídios e extermínios de grandes populações indígenas por esse Brasil afora.

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