Ele vive de caçar torturadores. Jair Krischke persegue ex-agentes há 4 décadas
Por Leonencio Nossam em O Estado de S.Paulo
O historiador gaúcho Jair Krischke, 74 anos, é um caçador de criminosos das ditaduras latino-americanas. Referência da luta por direitos humanos no continente, ele está por trás dos processos de extradição de ex-agentes uruguaios e argentinos julgados pelo Supremo Tribunal Federal.
Tido como ativista independente e rigoroso, conhecedor das legislações estrangeiras, Krischke – que desde o período de repressão no Brasil já defende as vítimas de agentes da ditadura – tem acionado a Polícia Federal e outros órgãos de governo para que entreguem a Buenos Aires e Montevidéu os acusados de crimes contra a humanidade. Em conversa com o Estado, ele revela que, no momento, está à caça de um ex-agente uruguaio refugiado em uma cidade brasileira.
Krischke sabe que, para garantir a extradição, precisa provar que o homem que procura sequestrou algum militante político. Na interpretação do STF, o crime de sequestro de uma pessoa ainda desaparecida não prescreve. Os crimes de tortura e homicídio prescrevem em 20 anos. “Se a pessoa não for acusada por desaparecimento, que é crime permanente, o resto prescreve”, lamenta o historiador. Segundo ele, o Brasil “é o país da impunidade, por isso que eles (ex-agentes) vêm para cá”. Continue lendo “Historiador caça torturadores baseado na decisão do STF de que enquanto sequestrado não aparecer crime não prescreve”








