Na luta, movimentos sociais se reúnem com o Arcebispo de Campo Grande

Movimentos também prestaram total solidariedade ao Cimi (Conselho Indigenista Missionário)

A Crítica

Cerca de 30 representantes de movimentos sociais, sindicais e populares, se reuniram, na sexta-feira (25), com o arcebispo de Campo Grande, Dom Dimas Lara, na Cúria Diocesana, com o intuito de prestar solidariedade ao Cimi (Conselho Indigenista Missionário), que está sendo investigado por uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Assembleia Legislativa. Além disso, os representantes também expuseram a iniciativa que estão encampando para que a Casa de Leis também instaure a CPI do genocídio para investigar a morte de 390 indígenas em doze anos de conflitos de terra no Estado.

De acordo com Dom Dimas, a CPI do CIMI é para desviar o foco e jogar o real problema em segundo plano. “A demarcação é a questão principal. Concordo com a indenização dos fazendeiros, mas a CPI do CIMI  é para usar o Conselho como ‘bode expiatório’ e desviar o assunto sobre os territórios indígenas”, disse.

Outra preocupação que o arcebispo levantou foi sobre a situação alarmante em que se encontram os indígenas em Mato Grosso do Sul. “A preocupação maior é com relação à situação de miséria e insegurança em que vive a população indígena”, pontua.

Por fim, Dom Dimas, ressaltou que tem feito esforços no sentido de dialogar sobre a questão dos conflitos entre indígenas e fazendeiros. “Tenho feito o esforço de diálogo. É importante que o estado retome as negociações, embora saibamos que a responsabilidade é, sobretudo, do Governo Federal. Em determinados momentos há também uma responsabilidade do Governo Estadual com relação a questões, como saúde e segurança, por exemplo”, ressalta.

Na ocasião vários movimentos usaram a fala e ressaltaram a importância do arcebispo, Dom Dimas, se pronunciar a respeito da perseguição ao CIMI, juntamente com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pediram apoio para a batalha que estão travando pelos direitos dos povos indígenas de MS. O arcebispo se comprometeu a dialogar mais vezes com uma comissão dos movimentos e a ser um intermediador com algumas instâncias necessárias para tentar resolver o problema instaurado no Estado.

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