Vai sair Revista Alumeia 2, da CPT BA, sobre Terra e Território. Baixe a n°1, sobre Mineração

A CPT Bahia está anunciando o lançamento do segundo volume da Revista Alumeia, agora sobre Terra e Território. O primeiro número, sobre Mineração, continua tristemente atual, entretanto, talvez até de forma piorada, dois anos depois. Por isso mesmo, aí vai ele para ser baixado. Antes, porém, postamos abaixo a Apresentação de Alumeia, que também vale ler. (TP)

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“Pela luz que me alumeia”, diz o povo para introduzir uma coisa séria… ALUMEIA é o nome que escolhemos para a revista da Comissão Pastoral da Terra / Bahia. Não tem maiores pretensões do que trazer à luz o que descobrimos escondido no trabalho popular que fazemos, já há 37 anos, junto aos camponeses e camponesas da Bahia.

Contraditoriamente, ao mesmo tempo em que avançam as tecnologias de comunicação, somos cada vez mais desinformados ou mal informados. Produz-se hoje um discurso geral, veiculado pela mídia, de que o “crescimento econômico” está beneficiando a todos. Como se os numerosos empreendimentos públicos e privados da Bahia afora fossem geradores apenas de “emprego e renda”. Como se não estivessem impactando desastrada e desastrosamente comunidades camponesas, seus territórios e todo o meio ambiente. Ou fossem mínimos e suficientemente compensados esses impactos.

ALUMEIA quer mostrar o outro lado desse“progresso”. Para isso, trará em cada edição um assunto desse contexto neodesenvolvimentista  do ponto de vista de suas vítimas no campo e dos que com elas se solidarizam.Não é pouca gente: a Bahia tem a maior população rural do Brasil, quase quatro milhões, que correspondem a quase 30% de todo o Estado. E os projetos pipocam por toda parte.Este primeiro número enfoca a mineração. Trazemos relatos do sofrimento de pessoas ecomunidades diante da devastação impostapor essa atividade. São histórias que desmistificam o tão propagado “progresso” gerado pela exploração minerária e revelam as dores, angústias, conflitos e impactos de quem está do lado das minas e das empresas em operação no Estado.

Fazendo eco às falas dos camponeses e camponesas, uma série de artigos aprofunda as reflexões sobre os impactos nefastos da mineração. O texto Código de Minas: o novo já nasce velho? aborda as modificações propostas para a legislação mineral no Brasil, em comparação com a atual, chamando a atenção para os vários silêncios relativos a questões fundamentais, como os direitos dos(as) camponeses(as) que têm suas terras, comunitárias ou familiares, e seus modos devida afetados irreversivelmente pela exploração mineral privatista. Mineração na Bahia: a“maldição dos recursos naturais”? mostra o avanço da mineração no Estado, as empresas em operação, os investimentos de recursos públicos em infraestrutura.

Os impactos da exploração minerária na saúde têm destaque nesta edição no artigo: Impactos de atividades mineradoras na saúde humana e ambiental, com o caso da mineração de amianto em Poções-BA, entre 1937 e 1967, que deixou um rastro de devastação ambiental e humana. Uma cratera de um quilômetro atingiu o lençol freático e contaminou toda a água da região. Boa parte da população do entorno, sobretudo operários da mina, sofre de doenças pulmonares, como a silicose, e gastrointestinais, inclusive cânceres.

Saindo da Bahia, a revista traz o texto Gandarela: o Avatar, que aborda a importância da Serra do Gandarela, em Minas Gerais, última grande reserva natural intacta no Quadrilátero Aquífero, e a luta pela preservação contra a mineração, que pode destruir o pouco que ainda resta das formações de canga e da reserva de água que garante o abastecimento futuro da Região Metropolitana de Belo Horizonte. No artigo Mineração no México: conflitos e desapropriação dos povos indígenas, a experiência do México, que, mesmo tendo a mineração como setor de grande importância econômica, já revela uma percepção da sociedade sobre os problemas gerados pela atividade.

Esperamos que as vozes presentes neste número contribuam para a reflexão e o debate: Mineração: progresso ou destruição?, conquistando novos parceiros no apoio aos camponeses e camponesas impactados por essa atividade.

“A mesma luz e a mesma candeia ao longe vê-se, ao perto alumeia.” Padre Antônio Vieira.

Boa leitura e muitas luzes!

Os/as agentes da CPT Bahia.

Baixe o volume 1 de ALUMEIA aqui.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Ruben Siqueira.

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