Encíclica Verde de Francisco e a crise climática: reflexões e ações para o Ceará

Adital

Movimentos sociais e pastorais sociais da Arquidiocese de Fortaleza realizam o debate “Encíclica Verde de Francisco e crise climática: reflexões e ações para o Ceará”, tendo como centro da discussão a nova carta ecológica do Papa Francisco, a Laudato Si’ [Louvado sejas, em português]. O evento acontece nesta quinta-feira, 03 de setembro, com programação a partir das 14h, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza [Estado do Ceará] e integra o calendário de atividades que antecede o Grito dos Excluídos, tradicional marcha dos movimentos sociais no Dia da Independência, 07 de setembro.

Lançada em junho deste ano, a nova encíclica tem causado agitação para além do mundo católico. Com críticas ao modelo de desenvolvimento capitalista, o documento chama a atenção para crise climática planetária e reforça a necessidade de mudanças nas formas de produção e de consumo. Considerada a primeira encíclica totalmente produzida pelo Papa Francisco, a Laudato Si’ se aproxima do que os cientistas do clima têm alertado nas últimas décadas, enfatizando a gravidade, os riscos e a urgência do problema ambiental.

De acordo com os organizadores do debate, o objetivo é contribuir para a conscientização da sociedade acerca da crise climática, reunindo os esforços de movimentos sociais, ambientalistas, cientistas, povos originários e comunidades tradicionais ao clamor do Papa Francisco. No Ceará, a ocorrência de anos consecutivos de chuvas abaixo da média revelou um grave cenário de crise hídrica e os efeitos do colapso climático que estão sendo sentidos principalmente pelas populações que vivem fora da Região Metropolitana de Fortaleza. Num contexto em que, dos 184 municípios cearenses, 67 estão em estado de emergência e 23 em colapso hídrico, a Encíclica Verde desperta atenção por relacionar a questão da água com a crise ecológica global.

A programação tem início com a abertura da exposição “Relicários da grande seca”, do artista plástico Zé Tarcísio, no Espaço Mix do Centro Dragão do Mar. À noite, às 18h30, acontece, no auditório do Dragão, o debate. Compõem a mesa o filósofo e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) padre Manfredo de Oliveira, que também é presidente da Agência de Informação Frei Tito para a América Latina (Adital); a mestra em Políticas Públicas Vânia Vasconcelos; o físico Alexandre Araújo Costa; e a liderança indígena Clécia Pitaguary.

O evento é resultado da articulação entre as Pastorais Sociais da Arquidiocese de Fortaleza, Rede Jubileu Sul Brasil, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Centro de Estudos Bíblicos (Cebi), O Grupo, Cáritas Arquidiocesana de Fortaleza, Curso de Verão na Terra do Sol, Fórum Ceará no Clima, Adital, Coletivo Agroflorestar, Observatório Socioambiental, Comitê Permanente em Apoio à Causa Indígena e a Setorial Ecossocialista do PSOL [Partido Socialismo e Liberdade], com apoio do Mandato Ecos da Cidade, do vereador de Fortaleza João Alfredo.

SOBRE A ENCÍCLICA

A carta papal é a segunda publicada durante pontificado do Papa Francisco, sendo considerada a primeira totalmente produzida por ele. Laudato Si’; aborda as dimensões da crise ecológica global (como a questão hídrica e a produção de lixo) e mostra como os modos de vida, produção e consumo vigentes se opõem aos limites planetários. O texto evidencia a opção do Papa pelo combate à cultura da ostentação, do consumismo, da descartabilidade e convoca a sociedade a mudanças profundas na economia, na política, na relação do ser humano com a natureza e com seu semelhante, com vistas a proteger e salvar a “Casa Comum”.

SOBRE A EXPOSIÇÃO

O artista plástico Zé Tarcísio apresenta a montagem “Relicários da grande seca”, trabalho com pedras produzido em alusão aos 100 anos da Seca de 1915. Nascido em 1941, em Fortaleza, o artista plástico é reconhecido por sua obra. Já participou de mostras no Brasil e Europa, sendo premiado pelo XIII Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, e homenageado pelo Museu de Arte da Universidade do Ceará (Mauc). Em 2001, recebeu a Medalha Boticário Ferreira, mais alta comenda da Câmara Municipal de Fortaleza.

PROGRAMAÇÃO:

– 14h às 18h30: Exposição “100 anos da grande seca”

– 18h30: Debate “Encíclica Verde de Francisco e a Crise Climática: reflexões e ações para o Ceará”, com Manfredo de Oliveira, Vânia Vasconcelos, Alexandre Araújo Costa e Clécia Pitaguary.

Comments (1)

  1. Civilização humana em estágio de extinção
    – Professor Negreiros
    Considerando que:

    i. a vida na Terra será insuportável aos seres humanos até 2100, e insustentável a todos os seres vivos caso não ocorram grandes mudanças comportamentais humanas;

    ii. até 2100 a população mundial vai diminuir drasticamente, podendo chega a metade do que é hoje e as pessoas sobreviventes serão forçadas a voltar à vida como simples caçadores-coletores ou horticultores nos poucos espaços que possam sobrar capaz de conter vida. A civilização humana será extinta caso a natureza não seja reconstituída e preservada urgentemente;

    iii. pouco mais de 10% só da biomassa da terra foi destruída apenas no século XX. E que nos últimos 2.000 anos os seres humanos reduziram esse montante pela metade. E quanto mais biomassa é destruída pelas nossas ações, o planeta Terra tem menos energia armazenada para se auto sustentar, e que ele precisa, pois lhe é vital para manter teias alimentares complexas da Terra e saldos biogeoquímicos para manter-se como planeta Terra;

    iv. as grandes maiorias das perdas vêm do desmatamento acelerado pelo advento da agricultura mecanizada em larga escala e a necessidade de alimentar mais e mais uma população consumista em rápido crescimento;

    v. À medida que o planeta se torna menos hospitaleiro e mais pessoas tem menos opções energéticas disponíveis, o padrão de vida e a própria sobrevivência se tornarão cada vez mais vulneráveis a problemas como secas, epidemias de doenças, a distúrbios sociais, etc;

    vi. Se não revertermos drasticamente essa tendência, vamos finalmente chegar a um ponto em que a vida na terra será insustentável e entrará em extinção.

    A única solução preventiva e corretiva é retardarmos e impedirmos urgentemente a destruição da vida vegetal da Terra. Mas as medidas necessárias para interromper essa progressão terão de ser coercitivas e drásticas. Temos efetivamente nos preparado para isso?! Ainda há tempo seguro para ao menos retardarmos isso?‼

    Querer pode-se querer tudo. Daí… Passar do pensamento para a ação implica em fazer uma escolha. E cada escolha resulta em uma renúncia. O problema não é mirar o que se quer, mas abandonar todo o resto que às vezes também se quer.

    “Desmatamento zero ficou como o desenvolvimento sustentável e a camiseta do Che Guevara. Todo mundo usa ou é a favor, sem saber direito o significado.” Carlos Minc

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