Rosário: Novembro Negro


Que o meu grito possa se somar ao vosso grito, que o vosso grito seja o meu grito

A ameaça ao território é uma ameaça à vida. É uma ameaça ao sentido de pertencimento. É uma ameaça à cultura. É uma ameaça à religiosidade. É uma ameaça aos valores humanos. As consequências sociais, ambientais, culturais e históricas dos crimes de desterritorialização têm sido desastrosas  e dizem respeito a todos nós.

Em apoio à causa do quilombo Rio dos Macacos, dos índios Guarani Kaiowá, dos índios Caiapós, e de tantas outras etnias indígenas e comunidades quilombolas, e de tantos povos no Brasil e no mundo, que vêm sendo massacrados, dizimados e arrancados de suas terras, é que trazemos no mês de novembro mais uma temporada do espetáculo Rosário. Este é um momento especial de reflexão em que se celebra a consciência negra, é momento em que podemos nos voltar para refletir nossos processos identitários, e chamar a nossa responsabilidade de brasileiros para com outros brasileiros.

Rosário é uma fábula pessoal de mulheres, deusas e animais, preparada para o espectador na forma de um ritual. O espetáculo se inspira, em especial, na simbologia da coroação de reis negros, sempre viva nos Congados Mineiros e em outros folguedos brasileiros. Essa experiência cênica revela aspectos das formações identitárias brasileiras sob a perspectiva do feminino, do encontro de culturas diversas em novo território, e da religiosidade como estratégia de resistência e sobrevivência numa realidade hostil. Ancorado no contato com manifestações populares como os reisados e romarias da região do Cariri, na pesquisa vocal e na força dos cantos tradicionais, o espetáculo solo da atriz Felícia de Castro manifesta um ritual feminino e poético. Através de canções e explosões de textos, a atriz traz à cena um rosário de mulheres em uma única prece. Um corpo dilacerado pelo trauma da desterritorialização traduz no acontecimento cênico um ciclo de crueldade, criatividade, luta e reinvenção de si mesmo pelo sagrado, pela beleza e pela fé. Uma fábula pessoal que recria imagens de terra, mar, mãe, rainhas, coroações, cortes e catarses.

O espetáculo é um solo que une o canto, o teatro e a dança, traduzindo em uma obra dez anos de vivências da atriz Felícia de Castro em manifestações populares brasileiras e pesquisas da arte do ator. Através de um olhar que partiu da Bahia e alcançou as culturas do Ceará e de Minas Gerais, a pesquisa realizou uma interlocução entre estados que refletiu sobre as mestiçagens culturais que formam tantos povos e histórias.  Rosário teve pré-estreia na 10ª Mostra SESC Cariri de Cultura em 2008 no Ceará, estreou em 20 de novembro de 2009, Dia Nacional da Consciência Negra, no Teatro do ICBA em Salvador. Em 2010 fez nova temporada no mesmo teatro contemplada pelo Prêmio Culturas Negras da Fundação Pedro Calmon (SECULT), na Bahia. A trajetória criativa resultou na dissertação de mestrado da atriz Felícia de Castro pelo Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia (PPGAC-UFBA) intitulada Ventos que Animam a Terra – Voz e Criação na Trajetória do espetáculo Rosário. Em 2011, o espetáculo participou de festivais e cumpriu sua terceira temporada. Em 2012, integrou a programação do FILTE – Festival Latino Americano de Teatro.

SERVIÇO:

ONDE: TEATRO GAMBOA NOVA (Rua Gamboa de Cima, n° 3, Largo dos Aflitos)
DIAS: 09, 10, 23, 24 DE NOVEMBRO
QUANDO: SEXTAS E SÁBADOS às 20 h.
QUANTO: R$ 20 E 10.

http://espetaculorosario.blogspot.com.br/2012/11/rosario-novembro-negro.html

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