Ensaio sobre a cegueira hídrica

Como a negação eleitoreira da crise colocou SP à beira de um racionamento selvagem ou do retrocesso bizarro aos caminhões-pipas (Marússia Whately, entrevistada pelo Coletivo Conta D’Agua*) 

Inês Castilho – Outras Palavras

A falta d’água afeta a dignidade humana, tem implicações de saúde pública, desespera, paralisa a atividade econômica. Pois prepare-se: 2015 começou sob a sombra da crise hídrica. O cenário que se está montando é gravíssimo.

Já quase terminado janeiro, contata-se que choveu muito menos do que era esperado. No Sistema Cantareira, choveu 35% da média histórica. No Sistema Alto Tietê, meros 26% da média histórica. E o quadro não encontra alívio nos demais mananciais, também deficitários. Continue lendo “Ensaio sobre a cegueira hídrica”

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O discurso da “meritocracia” esconde o nosso passado mal resolvido, por Leonardo Sakamoto

Leonardo Sakamoto

A palavra “meritocracia” funciona em um debate como um coringa num jogo de buraco: quando falta carta para bater, ela aparece para salvar uma sequência incompleta. Não fica lá a coisa mais bonita do mundo, mas resolve sua vida porque todo mundo aceita que aquela carta pode preencher um vazio.

“Discordo de cotas étnicas, sociais ou por cor de pele no vestibular porque defendo a meritocracia.”

“A preferência para pessoas com deficiência em seleções de contratação é, a meu ver, um erro porque não segue a meritocracia.” Continue lendo “O discurso da “meritocracia” esconde o nosso passado mal resolvido, por Leonardo Sakamoto”

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Governo federal segue amarrado aos velhos modelos de geração de energia. Entrevista especial com Telma Monteiro

“O mundo já saiu na frente, buscando as alternativas para a questão da diversificação de fontes genuinamente limpas para gerar energia elétrica. E o Brasil? Não saiu do lugar”, diz a especialista

Por Ricardo Machado e João Vitor Santos – IHU On-Line

Na mesma proporção que cresce o risco de um apagão no Brasil, o governo federal se agarra à velha política energética: se há risco de faltar energia, constrói-se mais hidrelétrica. Na prática, não se percebe um aumento substancial de energia nos sistema para atender à demanda que cresce a cada ano. E o impacto das novas hidrelétricas é negativo, velho e conhecido, pago apenas pelas comunidades vizinhas aos empreendimentos – e que ainda assim também são assombradas pelo fantasma do apagão. Continue lendo “Governo federal segue amarrado aos velhos modelos de geração de energia. Entrevista especial com Telma Monteiro”

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A crise é hídrica, não energética, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)*

EcoDebate

Desde o apagão de 2002 no governo Fernando Henrique, ficou provado que o sistema brasileiro de geração de energia a partir da água não se sustenta mais. Modificamos o regime das chuvas, os volumes de água reservados estão sujeitos a estiagens mais prolongadas e mais constantes todos os anos. Tanto é que o nível de 85% dos reservatórios brasileiros em janeiro de 2015 é considerado mais baixo que o do apagão de 2002. Não é por acaso que temos problemas de abastecimento de água até para consumo humano e industrial, quanto mais para gerar energia.

O Brasil insiste em construir hidrelétricas para resolver seus problemas de energia. Hoje o cidadão comum tem claro que quem impõe a agenda de obras no Brasil são as empreiteiras. Elas financiam as eleições e depois recebem o cêntuplo com os investimentos em grandes obras. As hidrelétricas estão entre as maiores obras desse país. Continue lendo “A crise é hídrica, não energética, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)*”

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Em duas décadas, fiscais resgataram do trabalho escravo quase 50 mil pessoas

Ivan Richard – Repórter da Agência Brasil

As operações de fiscalização para combater o trabalho escravo ou análogo à escravidão resgataram, em duas décadas, mais de 47 mil trabalhadores submetidos a condições degradantes e a jornadas exaustivas em propriedade rurais e em empresas localizadas nos centros urbanos.

De acordo com dados da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo, obtidos pela Agência Brasil com exclusividade, desde 1995, quando o país reformulou seu sistema de combate ao trabalho escravo contemporâneo, foram realizadas 1.724 operações em 3.995 propriedades e aplicadas multas indenizatórias cujo valor supera os R$ 92 milhões. Continue lendo “Em duas décadas, fiscais resgataram do trabalho escravo quase 50 mil pessoas”

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Mulher de auditor morto em Unaí diz que sente vergonha por “mendigar” justiça

Ivan Richard – Repórter da Agência Brasil

Há 11 anos à espera do julgamento dos responsáveis pelo assassinato do marido, o auditor fiscal do trabalho Nelson José da Silva, morto no episódio que ficou conhecido como a chacina de Unaí, a secretária Helba Soares da Silva diz estar envergonhada e desanimada pela demora no desfecho do caso e por ter que “mendigar” justiça.

Em 2004, em meio a uma fiscalização em fazendas na cidade mineira de Unaí, a 170 quilômetros de Brasília, com indícios de prática de trabalho escravo, três auditores fiscais do trabalho – Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson – além do motorista do Ministério do Trabalho Ailton Pereira de Oliveira, foram brutalmente assassinados por pistoleiros. Em memória dos servidores,  28 de janeiro foi instituído como Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Continue lendo “Mulher de auditor morto em Unaí diz que sente vergonha por “mendigar” justiça”

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MPF recorre contra soltura de integrantes da maior quadrilha de desmatadores da Amazônia

Desmatadores haviam sido presos em 2014 durante a operação Castanheira

MPF PA

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou na última quinta-feira, 22 de janeiro, recurso contra a revogação dos mandados de prisão preventiva contra líderes da quadrilha de desmatadores desbaratada pela operação Castanheira em agosto de 2014 na região de Novo Progresso, no sudoeste do Pará.

Além de recorrer contra a revogação do mandado de prisão dos líderes da quadrilha, desde a realização da operação Castanheira o MPF já recorreu contra a soltura de nove presos integrantes da quadrilha que tiveram resposta positiva da Justiça Federal a seus pedidos de habeas corpus.

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Aruká, o último guerreiro Juma na Amazônia

Por Katia Brasil, em Amazônia Real

Os indígenas Aruká e suas filhas Borehá, Maitá e Mandeí são os últimos sobreviventes da etnia Juma, povo de filiação linguística Tupi-Guarani denominado Kagwahiva.

Os índios Juma sofreram sucessivos massacres e quase foram dizimados ao defender o território da invasão de seringalistas e comerciantes de castanha na década de 60. Hoje, os Juma estão em alta vulnerabilidade social e cultural. Continue lendo “Aruká, o último guerreiro Juma na Amazônia”

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Depois de garantir acesso à terra, Xavantes pedem mais atenção à saúde

Por Michèlle Canes, da Agência Brasil

Há dois anos, terminava em Mato Grosso o processo de desintrusão (retirada de não índios), que permitiu a volta dos índios xavantes para a terra da qual saíram na década de 1960. Hoje, quem vive na Terra Indígena Marãwaitsédé enfrenta outras dificuldades. Em entrevista exclusiva à equipe da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o cacique Damião Paridzané relatou que a população sofre com a falta de assistência à saúde.

“Eu, como cacique, já cobrei muito. Esse recurso que o governo repassa para o Ministério da Saúde foi para onde? Todo mês morrem 20, 30 na área indígena. Cadê o atendimento da saúde? Cadê a recuperação da saúde do índio?”, questiona. Continue lendo “Depois de garantir acesso à terra, Xavantes pedem mais atenção à saúde”

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Causado por desmatamento, desequilíbrio em clima amazônico afeta regime de chuvas no resto do país

Amazônia é ‘bomba de água’ para toda a América do Sul e a seca que afeta parte do Brasil estaria relacionada a alterações neste bioma; pesquisadores veem risco de que floresta não consiga produzir chuva para suprir as próprias necessidades

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A Amazônia não é apenas a maior floresta tropical que restou no mundo. Este sem-fim de verde entrecortado por rios serpenteantes de tamanhos e cores variadas também não se limita a ser a morada de uma incrível diversidade de animais e plantas. A floresta amazônica é também um motor capaz de alterar o sentido dos ventos e uma bomba que suga água do ar sobre o oceano Atlântico e do solo e a faz circular pela América do Sul, causando em regiões distantes as chuvas pelas quais os paulistas hoje anseiam. Mas o funcionamento dessa bomba depende da manutenção da floresta, cuja porção brasileira, até 2013, perdeu 763 mil quilômetros quadrados de sua área original, o equivalente a três estados de São Paulo. Continue lendo “Causado por desmatamento, desequilíbrio em clima amazônico afeta regime de chuvas no resto do país”

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