Estadão, 10/09: “Continua limpeza nas praias de Maresias inundadas por óleo diesel”

O acidente aconteceu, segundo o Estadão, no dia 6 de setembro, véspera do feriadão. A notícia só mereceu, entretanto, uma pequena nota sábado, dia 8, e outra na segunda, dia 10, depois de o fim de semana prolongado ter terminado. E por aí ficou. Entretanto, o derramamento de petróleo não aconteceu numa praia ainda não privatizada pela indústria do turismo no litoral do Nordeste. Ao contrário: foi bem pertinho, em Maresias, cantinho do litoral paulista onde @s [email protected] começaram alugando quartos em suas casas à beira mar e de onde provavelmente devem ter sido expulsos há muito, assim como seus barcos e casas. A notícia – descoberta e enviada por Sonia Mariza Martuscelli – merece o registro, de qualquer forma. Até para pensarmos um pouquinho nos motivos que a levaram a ser ignorada pela “grande mídia”. TP.

Caminhão que carregava combustível tombou na última quinta-feira na Rodovia Rio-Santos, litoral norte de São Paulo

Reginaldo Pupo – Especial para o Estado de S. Paulo

SÃO SEBASTIÃO – Equipes da Defesa Civil, voluntários, técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e moradores da Praia de Maresias, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, continuaram durante todo o dia desta segunda-feira, 10, tentando remover da areia da praia, do mar e de cursos d’água, manchas de óleo diesel. O material é provenientes de um caminhão que tombou na tarde da última quinta-feira na Rodovia Rio-Santos, no trecho conhecido como Serra de Boiçucanga.

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O acidente provocou a interdição da via, causando a paralisação do trânsito durante toda a madrugada. O produto escorreu por córregos, atingiu o Rio Canto do Moreira e chegou até o mar. Nesta segunda, quatro dias após o acidente, o secretário municipal do Meio Ambiente, Eduardo Hipolito do Rego, afirmou que ainda havia resquícios de óleo, animais marinhos mortos e um forte odor. Banhistas relataram ter sentido a presença do óleo durante o feriado nas praias de Paúba e Toque-Toque Pequeno.

“O acidente foi muito grave e o trabalho de contenção que está sendo feito pela empresa não se mostra suficiente, pois o produto está passando pelas barreiras de contenção e absorção. Estamos constatando, quatro dias após o acidente, a mortandade de peixes e crustáceos nos cursos d’água e no mar”, relatou o secretário, que acompanhou os trabalhos juntamente com sua equipe técnica e da Cetesb.

Rego informou que além das duas multas que serão aplicadas à empresa transportadora do caminhão que causou o acidente (uma por danos ao ecossistema e outro por danos ao mar), sua secretaria estuda a possibilidade de aplicar uma terceira multa. “Vamos aplicar o valor máximo previsto na nossa legislação municipal, que é de R$ 5 mil cada. O valor total, porém, é insuficiente para arcar com os custos de limpeza das praias e da vegetação atingida pelo óleo”.

Ainda segundo Rego, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente irá coletar durante esta semana amostras da água do mar e, de acordo com os resultados, a pasta irá estudar outras providências contra a empresa responsável pelo acidente. “O trabalho de recuperação parcial deverá levar ao menos mais 15 dias. As consequências, porém, irão durar por vários anos”.

Consequências. Segundo a prefeitura de São Sebastião, a Defesa Civil teria encaminhado no último fim de semana duas crianças ao pronto-socorro da Praia de Boiçucanga, ao lado de Maresias, com irritação na pele e ardência nos olhos. Apesar de o acidente ter sido causado por uma empresa terceirizada que transportava o produto com bandeira Petrobrás, a prefeitura afirmou que a empresa petrolífera não repassou nenhum tipo de aviso com relação aos efeitos causados pela inalação e contato com o produto.

Em informe divulgado pela prefeitura, moradores da praia estariam contabilizando prejuízos por causa do acidente, especialmente os que dependem do mar e de atividades aquáticas. Mesmo após o acidente, turistas frequentaram a praia normalmente durante o feriado prolongado. O local não foi interditado e não havia placas informando sobre a contaminação.

De acordo com o engenheiro agrônomo, André Mota Waetge, que acompanha o trabalho como membro da associação de amigos do Canto do Moreira, “milhares de peixes de água doce, pitus e toda forma de vida que existia nos cursos d’água foram exterminados, tanto no oceano como na área de preamar”. Para ele, os danos ambientais vão permanecer durante vários anos.

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,continua-limpeza-nas-praias-de-maresias-inundadas-por-oleo-diesel,928586,0.htm

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