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Nestlé admite envolvimento em trabalho escravo

Capitalismo e degradação globalizados: pescadores asiáticos trabalham, na Tailândia, em condições desumanas e em regime de servidão — para coletar mariscos usados nos pacotes de comida para cães e gatos

Na Esquerda.net / Outras Palavras

As denúncias feitas por ONG e pela imprensa levaram a multinacional  a investigar alegadas práticas de escravidão na pesca de marisco usado em produtos para animais de estimação.

Esta decisão resulta de uma investigação interna levada a cabo pela Nestlé desde dezembro do ano passado, depois de ter sido tornada pública a existência de práticas brutais e condições de trabalho não reguladas na pesca de marisco que entra na produção de algumas das marcas da Purina.

Trabalhadores do Camboja e Myanmar são vendidos ou atraídos com falsas promessas de trabalho para a pesca de marisco na Tailândia através de agentes que lhes cobram elevadas somas para lhes arranjar trabalho. Os trabalhadores são depois obrigados a trabalhar sem condições de segurança, em barcos-fábrica durante vários meses para arranjarem dinheiro para pagar aos traficantes.

A investigação levada a cabo pela Nestlé revela que praticamente todas as empresas europeias e norte-americanas que compram marisco na Tailândia podem estar adquirindo produtos fabricados por migrantes escravizados.

A multinacional suiça não é um dos maiores compradores de marisco nesta região, mas o marisco que compra na Tailândia é usado na gama de comida para gato, Fancy Feast [Friskies, no Brasil], da Purina.

Estas denúncias permitiram já a libertação de, pelo menos, 2 mil trabalhadores que se encontravam nestas condições.

As exportações resultantes da pesca de marisco rendem à Tailândia cerca de 7 bilhões de dólares por ano.

Recorde-se que no passado mês de agosto, vários compradores de comida para animais de estimação e o distribuidor de comida congelada Thai Frozen Products processaram a Nestlé por causa das condições a que estão sujeitos os trabalhadores.

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