Sem Terra se mobilizam em Arapiraca para denunciar especulação imobiliária

Os Sem Terra denunciam a entrega do terreno de uma ocupação de 13 anos para uma empreiteira, que construirá um condomínio de luxo no local

Da Página do MST

Na manhã desta terça-feira (15), os Sem Terra da cidade de Arapiraca, a segunda maior cidade de Alagoas, vão às ruas para denunciar o leilão do terreno da ocupação Dandara, que passou às mãos de uma empreiteira para construção de um condomínio de luxo.

Os trabalhadores rurais consideram o leilão ilegítimo, já que no local havia um acordo com o governo estadual para que fosse construída uma escola técnica para a juventude com foco na agroecologia.

Para José Roberto Silva, da direção nacional do MST, “o vilão da especulação imobiliária está vitimando o povo de Arapiraca, com um crescimento para todos os lados guiado pelos lucros”.

Silva diz que os Sem Terra estão nas ruas de Arapiraca “para exigir a anulação imediata do leilão que entregou uma área já conquistada pelos trabalhadores”.

As denúncias trazem um panorama dos ataques da especulação imobiliária no município. Um dos casos trazidos pelo MST é a ameaça de expulsão dos pescadores do Lago da Perucaba, também tensionados por empreiteiras e pelo poder público.

“As empresas imobiliárias querem a remoção dos pescadores que vivem à beira do Lago da Perucaba, e nós estamos em unidade com os trabalhadores nessa resistência”, afirma Silva.

A marcha dos trabalhadores percorre as ruas de Arapiraca num diálogo com população e instituições, num ato em frente ao Tribunal de Justiça do Trabalho para exigir a anulação do leilão. A mobilização tem ainda a participação do movimento Via do Trabalho e dos pescadores do Lago da Perucaba.

A área leiloada está ocupada pelos trabalhadores há 13 anos, após a desativação da Estação de Pesquisa Agropecuária de Alagoas (Epeal).

Com todo esse tempo, os trabalhadores sempre estabeleceram o espaço do Acampamento Dandara como um exemplo em organização, espaço para estudos e, principalmente, produção de alimentos saudáveis. Esta área, em acordo com participação do Ministério da Educação, seria desocupada para construção de uma Escola de Formação Agroecológica.

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