Indígenas caminham por 3 km em cortejo de liderança morta em conflito

Por Priscilla Peres e Antonio Marques, no Campo Grande News

Cerca de 40 índios fazem neste momento, uma cerimônia fúnebre em torno do corpo do indígena Kaiowá Guarani Semião Fernandes Vilhalva, 24, morto ontem durante conflito por disputa de terra em Antônio João – distante 279 km de Campo Grande.

O corpo está sendo levado por um carro da funerária para a fazenda Fronteira, onde ele foi morto. Os indígenas acompanham o veículo em caminhada, sob um sol de 35°C por cerca de 3 quilômetros, enquanto fazem suas orações.

Um veículo da Força Nacional acompanha o cortejo para garantir a segurança dos indígenas. O corpo de Semião será velado hoje na fazenda Fronteira e enterrado amanhã, provavelmente no local onde ele foi morto, próximo a um córrego.

Desde ontem, o corpo passava por perícia feita pela Polícia Civil. Polícia Militar, DOF (Departamento de Operações de Fronteira), Força Nacional e Exercito fazem a segurança do local, a fim de evitar novos conflitos entre índios e proprietários rurais.

História

A reserva dos guarani-kaiowá em Antonio João foi homologada em 2005 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de duas décadas de luta entre índios e fazendeiros. Naquele mesmo ano, no entanto, o STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu a homologação e o caso está parado há uma década. Conforme o Cimi, os índios já ergueram acampamentos nas fazendas Primavera, Pedro, Fronteira, Barra e Soberania.

“Restam apenas duas para Ñanderu Marangatu ser ocupada na íntegra pelos indígenas. Os guarani-kaiowá exigem do governo a presença da Força Nacional na região”, afirma o órgão. As fazendas pertencem ao ex-prefeito de Antonio João, Dácio Queiroz Silva e seus irmãos.

Índios velam corpo em fazenda onde ele morreu. Foto: Marcos Ermínio
Índios velam corpo em fazenda onde ele morreu. Foto: Marcos Ermínio

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Isabel Carmi Trajber.

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