Polícia investiga ameaça contra LGBTs na internet

Em publicação, agressor disse que iria matar as vítimas com facadas na rua

Bárbara Ferreira, O Tempo

Preconceito, violência e ameaças são uma infeliz realidade na vida das minorias, sejam elas por gênero, raça ou classe social. Com a internet, essas agressões tomaram outra proporção, com um alcance muito maior. Foi o que aconteceu contra um jovem homossexual e uma travesti da capital mineira nesta semana.

Na segunda-feira, o estudante Ravel Brasileiro, 27, se deparou com uma ameaça em sua página do Facebook. Anônima, ela veio de um perfil falso e usava um tom agressivo para intimidar a vítima. “Eu já te manjei de bobeira na zona boêmia da Guaicurus. Tô de olho em você e naquela macaca, Cristal Lopez. Vou fazer um furo de faca na primeira que aparecer na minha reta. Vocês são apenas aberrações que merecem morrer da maneira mais dolorosa possível. Abre o olho, vai ser na rua mesmo”, dizia a mensagem do agressor.

Com medo, a dupla tem mudado a rotina e tentado se prevenir. “Ameaçada dessa maneira nunca fui. Já vivi muito preconceito, mas nada dessa forma. Estou apavorada, tentando sair sempre de táxi e acompanhada de amigos. A única coisa que não vou deixar acontecer é isso impactar meu trabalho e minha arte. Mas é assustador”, comenta a dançarina e atriz Cristal Lopez, 32, que foi citada na ameaça.

Exposição

Brasileiro não é transgênero, mas se veste como mulher em algumas ocasiões e há dois anos e meio tem um personagem para eventos noturnos que assume o caráter feminino. “Acho que, à medida que você se aproxima da ideia do feminino, esses ataques vão aumentando. As mulheres são objeto de uso”, denuncia. Para ele, além do preconceito, essas ameaças têm origem no machismo.

Os dois decidiram vir a público e denunciar as ameaças também pela internet, em uma publicação que já tem quase 500 compartilhamentos. Eles acreditam que isso pode ser uma defesa, já que o caso se torna público. “A história fica mais aberta, e me sinto mais protegido”, explica Brasileiro. O delegado de crimes cibernéticos Felipe Falles, no entanto, discorda. Para ele, a saída são as denúncias para a polícia, que é responsável por apurar o caso e descobrir de onde chegam as ameaças.

Apurações já começaram

A Polícia Civil confirmou o recebimento da denúncia sobre as ameaças e informou que o caso está sendo investigado pela 2ª delegacia especializada em crimes cibernéticos. De acordo com a Polícia Civil, as investigações ainda estão na fase inicial, e não há nenhum suspeito identificado.

Eles informaram que as investigações preliminares já estão sendo feitas, buscando levantar algumas informações que possam levar ao perfil do Facebook que fez as ameaças. As vítimas também irão fazer uma denúncia ao Ministério Público.

Entenda o protocolo das denúncias

Denúncia. O delegado especializado em crimes cibernéticos Felipe Falles explica que, em casos de ameaças desse tipo, não há como prevenir o crime, e a solução é a repressão. Quem precisar registrar alguma ocorrência do tipo pode procurar a delegacia especializada, na avenida Nossa Senhora de Fátima, 2.855, Carlos Prates, na região Noroeste de Belo Horizonte.

Investigação. Em casos de ameaças anônimas, a polícia pede a liberação das informações do perfil ao Facebook, e, em seguida, ao provedor da internet, solicita o número do IP (Internet Protocol) usado pelo suspeito, a partir da data e hora da ameaça. Depois, eles notificam o servidor da rede e conseguem o número cadastrado com o endereço.

Casos. O delegado Felipe Falles garante que a maioria das ocorrências recebidas na delegacia é de ameaças semelhantes às relatadas ao lado e que o índice de resolução dos casos é de quase 100%.

Denúncias. O Disque Direitos Humanos (Disque 100) recebeu, nos primeiros seis meses deste ano, 532 denúncias contra agressões, ameaças e violência contra a comunidade LGBT.

Imagem: Medo. Nas imagens, Ravel Brasileiro e Cristal Lopez; os dois mudaram a rotina após a ameaça (Divulgação Facebook)

Enviada para Combate Racismo Ambiental por José Carlos.

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