MG – Movimento dos Atingidos por Barragens denuncia ao MPF ameaça contra liderança Geraizeira

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

O Movimento dos Atingidos por Barragens de Minas Gerais encaminhou carta ao Ministério Público Federal no estado denunciando ameaças contra a liderança geraizeira Adair Pereira de Almeida. No último sábado, dia 1º de agosto, ele foi procurado em casa por três homens sem farda ou identificação, que se disseram policiais preocupados com a segurança da comunidade. Segundo eles, os Geraizeiros poderiam ser atacados por “seguranças armados” contratados por uma fazenda da região.

A Coordenação do MAB pediu ao procurador da República Marcelo Malheiros Cerqueira providências contra a empresa que detém a propriedade da fazenda “junto ao serviço de proteção à Pessoa Humana da Secretaria Geral da Presidência da República e da Polícia Federal”.  Solicitou também apoio junto aos Órgãos Ambientais, quanto ao “uso irregular e desmedido de agrotóxicos na região”.

Abaixo, a carta do MAB, seguida de vídeo feito durante a ‘conversa’ e de link para o B.O. registrando o fato, lavrado pelo 2° Pelotão da Polícia Militar de Grão Mongol.

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MAB logoMOVIMENTO DOS ATINGIDOS POR BARRAGENS – MAB

ÁGUA E ENERGIA COM SOBERANIA, DISTRIBUIÇÃO

DE RIQUEZA E CONTROLE POPULAR!!!

 

 Belo Horizonte, 05 de agosto de 2015.

Excelentíssimo Dr. Procurador Marcelo Malheiros Cerqueira

Vimos denunciar a esta procuradoria o fato de ameaça de morte contra o militante Adair Pereira de Almeida, representante do povo Geraizeiros das comunidades tradicionais do Vale das Cancelas do município de Grão Mongol – MG.

No dia 01° de agosto de 2015 (sábado) por voltas das 07H30 Adair foi abordado em sua casa por três indivíduos que vieram num carro fiesta preto com placa de Santa Luzia – MG declarando ser da polícia, porém não estavam fardados nem apresentaram documento. Utilizaram tons de ameaça e acusações de que este seria ele o líder dos Gerazeiros, e que tinham o objetivo de deixar o recado às comunidades de São Francisco e Lamarão: “ninguém destas comunidades deveria entrar na Fazenda São Francisco, caso contrário levariam tiros”. A fazenda pertence à empresa AJR Energética do grupo da Floresta Minas.

Tais ameaças demonstram uma tentativa explicita de coagir e intimidar as comunidades usando da ameaça de morte e de violência. Desta forma, entende-se que Adair, bem como outros integrantes do movimento, estão com a VIDA em risco.

Além das ameaças e intimidações, a empresa vem cometendo uma série de crimes Ambientais e violações dos Direitos Humanos, como exemplo: a pulverização aérea de agrotóxicos sobre as nascentes e corpos d’águas das comunidades em questão, e também o descumprimento de normas e leis que garantem o direito a consulta prévia e informada. Desta forma colocam em risco a vida desta população tradicional, bem como do meio ambiente.

Solicitamos da procuradoria providências junto ao serviço de proteção à Pessoa Humana da Secretaria Geral da Presidência da República e da Polícia Federal. Além disso, encaminhar aos Órgãos Ambientais que tomem providência sobre ao uso irregular e desmedido de agrotóxicos na região.

Tais fatos foram lavrados no Boletim de Ocorrência M9505-2015-0000890 de 01 de agosto de 2015 da 2° Pelotão da Polícia Militar de Grão Mongol.

Coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens de Minas Gerais

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O Boletim de Ocorrência pode ser baixado AQUI.

Destaque: [email protected] em greve de sede e fome em Brasília. pela criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Nascente dos Gerais. Junho de 2014.

Enviado para Combate Racismo Ambiental por Carlos Alberto Dayrell.

 

 

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