Mineradora realiza campanha para retomar atividades contra a vontade de comunidades peruanas

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Adital

A comunidade camponesa de Segunda e Cajas, em Huancabamba (Departamento de Piura), no noroeste do Peru, vem sendo alvo de ações da empresa mineradora Río Blanco, como campanhas escolares e entrevistas de percepção com dirigentes e ex-dirigentes locais sobre os impactos ambientais da mineração no região. Tais iniciativas estão sendo entendidas pela comunidade como uma possível retomada das atividades da companhia.

O projeto minerador Río Blanco, da empresa Río Blanco Copper S.A. (antes denominada Majaz S.A), subsidiária da empresa chinesa Zijin Tongguan, dispõe da concessão sobre os territórios das comunidades de Segunda e Cajas (Huancabamba) e de Yanta (Ayabaca). Em 2007, o projeto passou por Consulta Popular, na qual 30 mil moradores de Ayabaca, Pacaipampa e Carmen de la Frontera puderam se manifestar a favor ou contra. Como resultado, o projeto foi rejeitado por 97% da população, que defenderam um modelo de desenvolvimento baseado na agricultura.

A atividade de mineração é considerada pela comunidade e dirigentes locais como uma grave ameaça ao ecossistema andino, que irriga as bacias da região de Piura e abriga espécies endêmicas da fauna e da flora. Na fase de exploração, por exemplo, a atividade gera impactos sobre a vegetação, a fauna, as águas subterrâneas, o solo. Provoca ainda alteração do perfil topográfico, agressão visual, poluição do ar, comprometimento da água devido à contaminação por produtos químicos, além de interferência sobre o patrimônio espeleológico (cavernas) e arqueológico local.

Dirigentes de Ayabaca e Huancabamba se reuniram com a delegada do Departamento de Prevenção de Conflitos Sociais da Promotoria Pública, Fabiola Albuquerque, para manifestarem sua preocupação com as ações e com a presença ativa da empresa Río Blanco. “Mais uma vez, a Río Blanco quer se impor à força na região.”, declaram. Na ocasião da reunião, comentou-se também sobre a preocupação com as perseguições e intimidações contra os dirigentes, a exemplo do presidente da Frente do Meio Ambiente de Huancabamba, Dom Pedro Aponte Guerrero, detido sem motivo por 24 horas, no último dia 05 de outubro.

O Escritório de Minas e Energia do Governo Regional de Piura, por sua vez, realizou, em 16 de outubro, uma oficina denominada “Promoção e difusão mineradora e os mecanismos de da participação cidadã”, objetivando convencer a população sobre os benefícios da mineração e assim conseguir a licença social para a Río Blanco.

Na visão da Frente do Desenvolvimento Sustentável da Fronteira Norte do Peru (FDSFNP), no entanto, “antes de impor atividades econômicas de risco para a região de Piura e norte de Cajamarca, invocamos o governo nacional a gerar espaços de diálogo que permitam apoiar alternativas econômicas sustentáveis ou potencializá-las, como o aperfeiçoamento dos recursos genéticos (considerados saberes ancestrais das comunidades sobre suas plantas medicinais), a exportação de produtos agroecológicos certificados (panela, café, cacau, entre outros), o turismo esotérico, vivencial e ecológico…”.

É necessário espaço para o diálogo entre a população, dirigentes, governo e as empresas. De um lado, defende-se o potencial da agricultura e do turismo como fontes de desenvolvimento mais sustentáveis e ainda pouco exploradas. De outro, governo e empresas mineradoras buscam ampliar suas atividades econômicas e conquistar o apoio popular, que representaria o aval social.

Com informações do Observatório de Conflitos Mineiros do Peru.

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