Cimi presta solidariedade aos trabalhadores em greve da EBC

Conselho Indigenista Missionário – Cimi

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) presta solidariedade aos jornalistas e demais profissionais da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), vinculada ao governo federal, em greve desde a última quinta-feira. Em vários estados os trabalhadores e trabalhadoras pararam suas atividades em busca de valorização não apenas profissional, mas também da própria comunicação e jornalismo públicos.

A greve, conforme informou o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, foi deflagrada devido ao impasse na negociação entre a comissão dos empregados, os sindicatos e a direção da empresa. Os trabalhadores rejeitaram proposta da empresa que prevê um acordo de dois anos, com reajuste no valor do IPCA (índice da inflação) mais ganho real de 0,5% em 2013 e outro de 0,5% em novembro de 2014.

No entendimento do Cimi, a comunicação pública sofre com a desidratação promovida por um projeto governamental que privilegia o privado em detrimento do público. Portanto, enquanto o governo escoa milhões para empresas privadas de comunicação, a EBC se limitou às mudanças no início da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, e dali por diante passou a ser preterida e estancada, tal como outras propostas umbilicais, caso da democratização da comunicação.

À margem da discussão mais ampla e política, os profissionais da EBC hoje, no âmbito da causa indígena, são os ‘ouvidos’ de primeira hora aos gritos de dor dos povos originários, bem como de suas reivindicações, resistências e proposições de um novo mundo possível. Por força de dever público, estão em permanente ausculta ao coração perdido da pátria em aldeias, comunidades ribeirinhas, quilombos, vítimas de migrações forçadas, desmandos estatais e coronelistas. Valorizá-los é um dever do governo federal com quem mais necessita deste fundamental serviço público.

Impossível não se lembrar da atenção dispensada pela Rádio Nacional da Amazônia aos povos indígenas, voz crítica e identificada com os povos e populações de uma parte do país em constante ataque de mineradoras, madeireiros, grileiros e projetos desenvolvimentistas. O programa Amazônia Brasileira é talvez a única forma de comunicação para centenas de comunidades indígenas, e demais populações tradicionais, espalhadas pelo norte do país. Por ali se informam, ouvem os ‘parentes’ e sabem o que as delegações indígenas fazem quando vêem a Brasília.

Os jornalistas Agência Brasil, alimentando as redes virtuais, e a TV Brasil, sempre presente nas atividades dos povos indígenas, também merecem nossa lembrança e reconhecimento. Tais profissionais merecem a devida valorização, entendendo ela nos parâmetros definidos pelas categorias profissionais em greve.

Conselho Indigenista Missionário – Cimi

Brasília, 12 de novembro de 2013

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