Campanha de assinaturas pede ao presidente Correa que não abra o país aos transgênicos

Natasha Pitts, Jornalista da Adital

Uma campanha de assinaturas está chamando pessoas de todo o mundo a pedirem ao presidente equatoriano, Rafael Correa, que deixa o país livre dos transgênicos. Para aderir, basta acessar o site do Avaaz, deixar nome, e-mail, país e assinar. Além de aderir, cada pessoa é chamada a passar a informação para outras.

Em 2008, o Equador foi a primeira nação a se declarar livre de sementes e cultivos de organismos geneticamente modificados (OGM), o que está registrado na Carta Magna do país. Mesmo assim, com o apoio do governo dos Estados Unidos a indústria privada está chegando a este país para abrir espaço aos transgênicos.

O mais preocupante é que o presidente Correa está se alinhando a estes interesses e recentemente pediu a revisão das disposições constitucionais e das leis que impedem a entrada dos OGM e da tecnologia transgênica na agricultura, abrindo assim um caminho para uma possível emenda constitucional.

Em setembro, o presidente deste país andino chegou a declarar que “cometemos um erro” na Constituição, pois as sementes geneticamente modificadas podem quadruplicar a produção e tirar da miséria os setores mais deprimidos.

Preocupados com a postura do mandatário, o coordenador internacional da Via Campesina, Henry Saragih, em nome da Comissão Coordenadora Internacional desta organização, direcionou uma carta a Correa, após sua declaração, mostrando preocupação com sua postura e lembrando todos os compromissos firmados por ele, que hoje, inclusive, se encontram assegurados pela Constituição Nacional.

A organização, que há anos vem denunciado os efeitos negativos dos transgênicos e o atentado contra a soberania alimentar, se diz preocupada com o fato de Correa considerar um erro um acordo referendado por quase dois terços da população.

“Manifestamos nossa vontade de diálogo com o senhor, presidente, mas cremos ser importante para assegurar a convivência digna, pacífica e democrática respeitar os acordos tomados pela vontade do povo equatoriano”, alertam.

A carta também esclarece, com base em experiências feitas em diversos lugares do mundo, que os cultivos transgênicos só provocam destruição e pilhagem, provocam a concentração de terra e de riquezas, envenenam as famílias, animais, cultivos e a vida como um todo; destroem as fontes de trabalho e provocam deslocamentos.

“Surpreende-nos que o senhor assegure que os cultivos transgênicos possam quadruplicar a produção. Os antecedentes por nós conhecidos, incluídos estudos científicos universitários, indicam que as variedades transgênicas são de fato menos produtivas que as mesmas variedades sem a transgenie, e que isso se explica por mecanismos fisiológicos bem conhecidos”, esclarecem, pedindo ainda que o mandatário, para informar melhor o debate, diga de onde retirou a informação sobre a quadruplicação dos cultivos pelo uso de transgênicos.

Por isso, na carta, Saragih desafia Correa dizendo que se o Equador deseja resolver o problema da alimentação deve proteger, fortalecer e expandir a agricultura campesina, além de cumprir o mandato constitucional da Soberania Alimentar. Dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) embasam este pedido: na América Latina, 60% dos alimentos são produzidos por famílias campesinas.

Via Campesina espera que o governo seja mais sensível aos apelos de campesinos e campesinas, que governe em defesa dos interesses soberanos da população equatoriano e que não ceda aos interesses de transnacionais como a Monsanto, que querem converter a alimentação em uma mercadoria.

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cat=7&cod=71774

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