Falta de fiscalização estimula o uso de agrotóxicos

Legislação brasileira permite o uso de produtos proibidos em outros países e coloca o país em 1° lugar no ranking mundial

Alimentos com concentração de agrotóxico acima do limite - Ilustração: Marina Lopes

Marina Lopes, de São Paulo

Segundo o estudo de mercado publicado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso de agrotóxicos no Brasil superou em duas vezes a média mundial da última década, de 93%, crescendo 190% no período. Só em 2010, o mercado nacional de agrotóxicos foi responsável pela movimentação de aproximadamente US$ 7 bilhões.

De acordo com o relatório da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), na safra brasileira de 2011, entre a plantação de lavoura temporária (soja, milho, algodão e cana) e permanente (café, cítricos, frutas e eucaliptos), foram utilizados cerca de 853 milhões de agrotóxicos pulverizados em 71 milhões de hectares.

Para o professor Paulo Kageyama, do Departamento de Ciências Florestais da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP), esse aumento se deve à falta de fiscalização adequada. “Vários produtos eliminados em outros países vêm para o Brasil por conta de uma legislação frouxa”, afirma.

O Endossulfam é um exemplo disso. Altamente tóxico e proibido em países por estar associado a problemas reprodutivos e hormonais, ele está na lista dos 14 tipos de agrotóxicos em revisão pela Anvisa. Entretanto, deve ser proibido no país apenas em junho de 2013 para a queima de estoque existente.

Entre os produtos com maior concentração de agrotóxicos, destaca-se o pimentão. De 146 amostras analisadas pela Anvisa, 92%(134) estavam com níveis acima do permitido. O morango, pepino, alface e cenoura também aparecem no ranking, respectivamente.

O tomate é outro produto que ocupa um lugar elevado no ranking. De acordo com Kageyama, estudos comprovam que em apenas 2 meses e meio o legume recebeu 36 aplicações de agrotóxicos.

Segundo Pepe Vargas, ministro do Desenvolvimento Agrário em pronunciamento durante visita À Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, o Brasil precisa diminuir a quantidade de agrotóxicos na agricultura.

Além de serem utilizados para aumentar os resultados da produção agrícola, eliminando as pragas, os agrotóxicos também estão sendo utilizados ilicitamente como agentes de desmatamento químico. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) já identificou áreas da floresta amazônica equivalentes a 180 campos de futebol destruídas por agrotóxicos.

Riscos para a saúde

Os riscos da ingestão de agrotóxicos podem ser muitos. Quando ingeridos dentro das quantidades diárias aceitáveis, podem não causar nenhum dano. Entretanto, em quantidades elevadas podem provocar alergias, coceiras e dores de cabeça.

Em casos de maior exposição, como o dos trabalhadores rurais, podem provocar uma série de distúrbios no sistema nervoso e, até mesmo, câncer. Tudo isso pode variar com o tipo de agrotóxico, idade, peso, tabagismo e etc.

http://www.brasildefato.com.br/node/9953

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