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2015, o ano que não terminou: uma conversa com Virgínia Fontes

“Quem imaginou que chegar ao capitalismo e chegar à democracia seria garantia de uma vida sossegada: bem-vindo ao mundo real! O mundo real no capitalismo é isso, tensão o tempo todo, crise o tempo todo – isso quando não tem guerra…”

Por Rejane Carolina Hoeveler, em Blog Junho

No último dia 29 de dezembro de 2015, entrevistamos a professora e pesquisadora Virgínia Fontes em sua casa, no Rio de Janeiro. Ela falou sobre o balanço de 2015 e as perspectivas para as lutas sociais em 2016, entre outros temas. Confira a entrevista na íntegra. (mais…)

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Imagem: Reprodução de O Globo

Marilena Chauí: o impeachment e o ódio de classe

“Tentam preparar uma gigantesca vitória do capital”, diz professora, na USP: “Começou em agosto de 2013. A classe dominante quer — e uma classe média proto-fascista apoia”

Por Marilena Chauí, Outras Palavras*

“Queria, por um segundo, retomar o que disse Paulo Arantes e manifestar a preocupação que tenho desde agosto de 2013 e manifesto em público, em privado e por escrito. Agosto foi o instante no qual se deu a virada em relação ao que se passara no movimento vitorioso do Passe Livre. Quando os meninos tentaram, com seus símbolos e bandeiras, comemorar na avenida Paulista, foram batidos e ensanguentados por pessoas vestidas com a bandeira do Brasil e que diziam: ‘meu partido é o meu país’.

Já vimos, os mais velhos, esta cena acontecer no Brasil, em 1964. O processo de impeachment é apenas a cereja no bolo de um processo muito mais longo e complicado que vem ocorrendo. Queria lembrar que certos projetos de lei que tramitam na Câmara e no Senado deveriam ter sido objeto também de manifestações gigantescas. A mudança na maioridade penal. A ‘Lei Anti-terrorismo’, que não vai pegar apenas nós, que estamos reunidos aqui. Os primeiros, mostra a fala do Ronaldo Caiado, serão os meninos do MST. (mais…)

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A revanche de Gramsci. As derrotas da esquerda e batalha cultural

IHU – De acordo com o cientista político Gaël Brustier – pesquisador em ciências políticas, membro do Observatório das Radicalidades Políticas da Fundação Jean-Jaurès (próximo ao PS) e acaba de publicar À demain Gramsci, pela Cerf –, as derrotas da esquerda se explicam pela recusa de aceitar travar a batalha cultural. A reportagem é de Jérôme Anciberro e publicada pela revista francesa La Vie. A tradução é de André Langer. (mais…)

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SP – Curso gratuito introduz à obra de Marx e Engels

A editora Boitempo, em parceria com o Centro Cultural da Juventude, organiza no dia 7 de novembro uma tarde de atividades introdutórias à vida e à obra dos filósofos alemães Karl Marx e Friedrich Engels, autores do Manifesto Comunista. Às 14h, o jurista e filósofo do direito Alysson Mascaro apresenta aula de “Introdução ao marxismo”, com mediação da filósofa feminista Djamila Ribeiro. Em seguida, às 16h, o debate “Marxismo, luta de classes e libertação” reúne a urbanista Ermínia Maricato, o jurista Silvio Luiz de Almeida e o professor de jornalismo Dennis de Oliveira, com mediação do sociólogo João Alexandre Peschanski. Durante o evento, a Boitempo lança uma versão em livro de seu tradicional Curso Livre Marx-Engels, com textos de alguns dos mais importantes pesquisadores marxistas do Brasil. (mais…)

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Dilemas da atual luta de classes

Por Wladimir Ponar, no Correio da Cidadania

As principais palavras de ordem das manifestações foram ostensivamente antidemocráticas. Impeachment, prisão para petistas, cadeia e fuzilamento de petistas e comunistas, atacados como traidores da pátria, andaram misturadas a outras motivações menores, indicando que à frente da organização e realização dessas manifestações estão os setores mais reacionários e trogloditas da sociedade brasileira. Nesse sentido, o governo erra ao passar uma mensagem acrítica sobre o verdadeiro sentido das manifestações. Elas não foram democráticas. Foram antidemocráticas.

É provável que muitos dos participantes nas manifestações não comunguem com aquelas palavras de ordem fascistas e nazistas. Porém, algo idêntico ocorreu com grande parte dos milhares de manifestantes em defesa de Deus, da Família e da Propriedade, que foram às ruas em 1964. Eles, provavelmente, também não comungavam com as mensagens golpistas daquela época, iguais em gênero e grau às atuais. Mas serviram de massa de manobra indispensável para dar um ar de legitimidade ao golpe militar. Depois, tarde demais, arrependeram-se pelos mais de 20 anos de ditadura militar. (mais…)

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Crédito da fotografia: Bruno Santana

A perspectiva do feminismo negro sobre violências históricas e simbólicas

Por Djamila Ribeiro, no Blog da Boitempo

Este artigo foi escrito como texto-base para participação no debate de lançamento do livro Bala perdida: a violência policial no Brasil e os desafios para sua superação, em 29 de julho de 2015: “Violência policial: causas, efeitos e soluções”. 

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É fundamental explicitar as grandes distâncias que ainda separam homens e mulheres e negros e brancos no Brasil. O retrato das desigualdades no Brasil mostra como racismo e sexismo são elementos estruturantes que mantém as violências históricas contra a população negra. (mais…)

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Kara Walker, 2013

‘Lugar de Negro’ em 2015

Por Roque Ferreira, no JCNet

“O racismo e a discriminação racial resultavam da competição só existente no capitalismo, no sentido de que só a partir da concorrência em que tal sistema viceja é que veremos surgir a discriminação racial e o racismo sob sua formulação moderna” – Carlos Hasenbalg -1979. Três anos depois, em 1982, Carlos Hasenbalg e Lélia Gonzáles publicaram o livro ‘Lugar de Negro’, abordando o racismo e os problemas dele decorrentes, em particular a ideologia corrente de que negros e negras deveriam ocupar os espaços e as funções mais desvalorizados possíveis, não podendo do ter acesso aos espaços historicamente reservados à minoria elitizada da população integrante da classe dominante e branca. (mais…)

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Seminário Internacional Cidades Rebeldes, de 9 a 12/06, em São Paulo

A Boitempo Editorial, que completa 20 anos de atividade em 2015, e o Sesc São Paulo realizam entre os dias 9 e 12 de junho o Seminário Internacional Cidades Rebeldes, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. A iniciativa faz parte de uma série de eventos promovidos pela Revista Margem Esquerda desde 2004. Estarão reunidos mais de 40 conferencistas para discutir o presente e o futuro das cidades como palco de disputas políticas, ideológicas e sociais. (mais…)

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greve.magisterio.2015

Greve dos professores estaduais continua

Elaine Tavares  – Palavras Insurgentes

A assembleia marcada para quinta-feira tinha tudo para ser tensa, e foi. Muito tempo de greve, o desgaste, a desolação pelas reuniões improdutivas com o governo. Os professores precisariam avaliar a última resposta do governo sobre a pauta da greve. O documento apresentado pela equipe de Raimundo Colombo não pode ser chamado de uma proposta de negociação. Da pauta mesmo, nenhum item. A indicação era de anistia pelos dias parados e a revisão da redação do tópico que fala das progressões. Nada sobre o pagamento de 13,01% do Piso na carreira, retroativo a janeiro, nada sobre a não incorporação da regência de classe, nada sobre a não contratação de ACTs como horistas, nada sobre quase tudo. (mais…)

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pl 4330

Mais de cinco mil nas ruas de Florianópolis

Elaine Tavares – Palavras Insurgentes

Oneide dos Santos sabe muito bem o que é terceirização. Ela trabalhava como costureira numa grande empresa de confecções. Tinha um bom salário, direitos trabalhistas resguardados, vale-refeição e tudo o mais. Até que um belo dia foi demitida, mesmo depois de ter dedicado quase vinte anos da sua vida para a empresa que julgava ser a sua casa. O patrão havia decidido enxugar a empresa e contratar costureiras terceirizadas. Assim, em vez de pagar um bom salário a uma trabalhadora, ele passou a pagar uma quantia fixa para uma segunda empresa que contratava mão de obra mais barata. Oneide mesmo foi parar numa dessas empresas que revendem trabalho terceirizado, ganhando praticamente a metade do que ganhava na primeira empresa.  (mais…)

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