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2015, o ano que não terminou: uma conversa com Virgínia Fontes

“Quem imaginou que chegar ao capitalismo e chegar à democracia seria garantia de uma vida sossegada: bem-vindo ao mundo real! O mundo real no capitalismo é isso, tensão o tempo todo, crise o tempo todo – isso quando não tem guerra…”

Por Rejane Carolina Hoeveler, em Blog Junho

No último dia 29 de dezembro de 2015, entrevistamos a professora e pesquisadora Virgínia Fontes em sua casa, no Rio de Janeiro. Ela falou sobre o balanço de 2015 e as perspectivas para as lutas sociais em 2016, entre outros temas. Confira a entrevista na íntegra. (mais…)

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Bastardos inglórios: essa situação de ódio e de intolerância que arranha o Brasil vai passar?

Por Reginaldo Penezi Júnior, em Justificando

Certa feita pululava nas redes sociais uma manchete sobre Chico Buarque a comprar pão numa padaria. Não fosse a sequência cadenciada de comentários que surgiu por causa dela, formando uma paródia da música Construção, obviamente não teria perdido meu tempo para ler alguma nota da notícia. Mas o fato é que a paródia me divertiu. (mais…)

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Você não crê em Papai Noel. Mas acredita em memes anônimos, por Leonardo Sakamoto

No Blog do Sakamoto

As pessoas desistiram de checar a informação que consomem.

Na verdade, nunca fizeram isso, mas antes a procedência era de veículos, grandes ou pequenos, tradicionais ou alternativos, que davam a cara para bater, garantindo transparência ao informar quem fazia parte de suas equipes e sua visão de mundo. Esses veículos são bons, honestos e ilibados? Afe! Não necessariamente. Mas, ao menos, podem ser questionados judicialmente em caso de propagação de mentiras. (mais…)

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Espírito natalino? ‘Grupo de jovens joga gasolina e ateia fogo em travesti em Curitiba’

Por Paula Weidlich, na Tribuna/Gazeta do Povo

Uma travesti de 37 anos foi atacada por um grupo de jovens, na madrugada deste domingo (27), em Curitiba. A vítima estava na Avenida Victor Ferreira do Amaral, esquina com Rua Paulo Kissula, no Capão da Imbuia e foi abordada por ocupantes de um carro, que desceram do veículo, jogaram gasolina em seu corpo e depois atearam fogo. (mais…)

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A Dinamarca deve receber 20 mil refugiados até ao final do ano. Foto de Alkis  Konstantinidis, Reuters

Porque é que os dinamarqueses não se indignam com o que fazem aos refugiados?

Eurodeputado do partido do primeiro-ministro Rasmussen mudou-se para os sociais-democratas e acusou o Governo de estar a vender a alma à extrema-direita, com a lei para confiscar jóias aos requerentes de asilo.

Por Clara Barata, em Público

O pacote de reforma da lei da imigração e asilo que o Governo dinamarquês está a preparar para ir a votação em Janeiro, e que inclui a confiscação de dinheiro ou jóias e outros objectos a refugiados que pareçam ter um valor superior a 3000 coroas (400 euros), levou um eurodeputado do partido do primeiro-ministro liberal Lars Lokke Rasmussen a passar para uma formação de esquerda, o Partido Social-Democrata. O Governo, diz, vendeu-se à extrema-direita do Partido do Povo Dinamarquês, que o apoia no Parlamento. (mais…)

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Imagem: Reprodução de O Globo

Marilena Chauí: o impeachment e o ódio de classe

“Tentam preparar uma gigantesca vitória do capital”, diz professora, na USP: “Começou em agosto de 2013. A classe dominante quer — e uma classe média proto-fascista apoia”

Por Marilena Chauí, Outras Palavras*

“Queria, por um segundo, retomar o que disse Paulo Arantes e manifestar a preocupação que tenho desde agosto de 2013 e manifesto em público, em privado e por escrito. Agosto foi o instante no qual se deu a virada em relação ao que se passara no movimento vitorioso do Passe Livre. Quando os meninos tentaram, com seus símbolos e bandeiras, comemorar na avenida Paulista, foram batidos e ensanguentados por pessoas vestidas com a bandeira do Brasil e que diziam: ‘meu partido é o meu país’.

Já vimos, os mais velhos, esta cena acontecer no Brasil, em 1964. O processo de impeachment é apenas a cereja no bolo de um processo muito mais longo e complicado que vem ocorrendo. Queria lembrar que certos projetos de lei que tramitam na Câmara e no Senado deveriam ter sido objeto também de manifestações gigantescas. A mudança na maioridade penal. A ‘Lei Anti-terrorismo’, que não vai pegar apenas nós, que estamos reunidos aqui. Os primeiros, mostra a fala do Ronaldo Caiado, serão os meninos do MST. (mais…)

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Crédito: Rogério Tomaz Jr.

Policial é preso por disparar tiros contra Marcha das Mulheres Negras

Homem fazia parte de acampamento em Brasília que pede a volta dos militares no poder; ele já havia sido preso na semana passada por ter ameaçado pessoas que faziam parte de outras manifestações.

Da Redação Brasil de Fato

Um policial civil foi preso por ter atirado pra cima contra a 1ª Marcha das Mulheres Negras que acontece nesta quarta-feira (18), em Brasília. Ele, que faz parte do acampamento montado em frente ao Congresso por um grupo que defende o impeachment de Dilma e a volta dos militares ao poder, disse que se sentiu ameaçado. (mais…)

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estudante

O estudante eunuco

A juventude de hoje pertence a uma geração mimada que pratica um fascismo ‘light’

John Carlin  – El País

“Não concordo com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo” (Voltaire)

Há alguns dias houve um debate na BBC entre o presidente do conselho de estudantes de uma universidade britânica e um senhor que escreve colunas para The Times de Londres. O tema era a liberdade de expressão. Quem estava contra? O colunista do Times, cujo dono é o reacionário Rupert Murdoch? Não. O líder estudantil.

Algo raro está acontecendo nas universidades do Reino Unido, e nas dos Estados Unidos também. O estudante que falava na BBC é sintoma de uma tendência repressiva em um setor da sociedade onde se supunha que era dado um alto valor ao princípio do pensamento livre. (mais…)

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Simone de Beauvoir. / ARQUIVO

Parabéns, atingimos a burrice máxima, por Eliane Brum

A “baranga” Simone de Beauvoir e a importância de um livro que ensina a conversar com fascistas

No El País Brasil

A fogueira de Simone de Beauvoir a partir da questão do ENEM mostrou que a burrice se tornou um problema estrutural do Brasil. Se não for enfrentada, não há chance. Hordas e hordas de burros que ocupam espaços institucionais, burros que ocupam bancadas de TV, burros pagos por dinheiro público, burros pagos por dinheiro privado, burros em lugares privilegiados, atacaram a filósofa francesa porque o Exame Nacional de Ensino Médio colocou na prova um trecho de uma de suas obras, O Segundo Sexo, começando pela frase célebre: “Uma mulher não nasce mulher, torna-se mulher”. Bastou para os burros levantarem as orelhas e relincharem sua ignorância em volumes constrangedores. Debater com seriedade a burrice nacional é mais urgente do que discutir a crise econômica e o baixo crescimento do país. A burrice está na raiz da crise política mais ampla. A burrice corrompe a vida, a privada e a pública. Dia após dia. (mais…)

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Eve Babitz e Marcel Duchamp (Foto: Julian Wasser)

Como conversar com um fascista? Sobre um desafio teórico-prático, por Marcia Tiburi

Na Revista Cult

O genocídio indígena, o massacre racista e classista contra jovens negros e pobres nas periferias das grandes cidades, a homofobia, o feminicídio, a manipulação das crianças, em poucas palavras, o ódio ao outro, se estabelece em nossa sociedade no âmbito do extermínio da própria política. Sabemos que é preciso exterminar a política para que o capitalismo selvagem (tendencialmente, sempre selvagem) se mantenha. É preciso exterminar o desejo de democracia pelo autoritarismo efetivado na prática diária. Para exterminar a política é preciso que o povo a odeie e é isso o que o autoritarismo é e faz.

O autoritarismo é um modo de exercer o poder, mas é também um ideário, uma espécie de regime de conhecimento. Como visão de mundo, ele é fechado ao outro. Ele opera pelo discurso e pela prática sempre bem engrenadas que se organizam ao modo de uma grande falácia, ao modo de um imperativo de alto impacto performativo: o outro não existe e, se existe, deve ser eliminado. Ora, dizemos “regime de conhecimento” pensando na operação mental da negação do outro, mas o conhecimento como gesto na direção do outro é justamente o que é destruído pelo autoritarismo que se basta como máscara sem rosto do conhecimento transformado em ideologia, ou seja, em ofuscamento da verdade social. (mais…)

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