Bastardos inglórios: essa situação de ódio e de intolerância que arranha o Brasil vai passar?

Por Reginaldo Penezi Júnior, em Justificando

Certa feita pululava nas redes sociais uma manchete sobre Chico Buarque a comprar pão numa padaria. Não fosse a sequência cadenciada de comentários que surgiu por causa dela, formando uma paródia da música Construção, obviamente não teria perdido meu tempo para ler alguma nota da notícia. Mas o fato é que a paródia me divertiu.

Isso não vem ao caso agora, é claro. Interessante, muito interessante, é a última provocação experimentada pelo artista brasileiro. Ela revela um típico sintoma que não raro se manifesta no seio da nossa pátria mãe tão distraída. Por isso, os diversos comentários sobre o fato não constituem simples fofocas a respeito de uma celebridade, que atraiu sobre si tipos sociais muito presentes no cotidiano.

Todo dia eles fazem tudo sempre igual: agridem quem não pensa como eles, semeiam o ódio como quem alimenta pombos numa praça. Assim fizeram aqueles homens cordiais, agindo segundo os ditames perversos do coração. Quanta ironia! O filho verificou na prática significado que o pai empregou em torno da palavra “cordial”, que segundo o historiador servia para adjetivar aquele que age com o coração em detrimento da razão.

Um daqueles homens cordiais se disse “fã” de Chico Buarque. Mas que tipo de fã é esse, que chama o suposto ídolo de “merda” em razão da sua posição política? Cheguei a lembrar do assassino de John Lennon. Seria exagero comparar um personagem com outro, é verdade. Mas alguns pontos me pareceram comuns. Diz-se, por exemplo, que um dos motivos que fez o doentio Mark Chapman atirar em Lennon foi porque este teria cometido uma blasfêmia contra Deus ao se declarar mais popular que Jesus Cristo.

Não é por acaso a escolha do título deste pequeno artigo: o nome do filme de Quentin Tarantino que me divertiu anos atrás aqui serve para dar outra alcunha àqueles homens cordiais ou cães raivosos do bairro do Leblon. Ao contrário de Chico, eles não passarão com glória pelas páginas da História. Essa situação de ódio e de intolerância que arranha o Brasil vai passar?

Reginaldo Penezi Júnior é advogado inscrito na OAB, Assessor Jurídico da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, bacharel em Direito pela PUC-SP (2009-2013), instituição na qual foi Professor Assistente na disciplina de Direito Administrativo (2014).

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