José Miguel Wisnik fala de Clarice Lispector

Lançado em dezembro de 2012, o site “Clarice Lispector IMS” reúne farto conteúdo sobre a obra da escritora ucraniana, naturalizada brasileira, uma das mais celebradas da literatura nacional. Há resenhas de todos os seus livros feitas por especialistas, comparações de traduções, documentos sobre sua trajetória, além de fotos e e-books.

Entre os destaques da página, idealizada pelo Instituto Moreira Salles (IMS), está a seção Aulas. Nela está disponível  “A Matéria Clarice”, uma aula de 1h30min ministrada pelo professor de literatura brasileira da Universidade de São Paulo (USP) e compositor José Miguel Wisnik.

Compartilhada por Vanessa Rodrigues.

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Proposta de cotas do governo Alckmin é racista, afirma professor da USP

Luka Franca

O auditório Prestes Maia da Câmara de Vereadores de São Paulo ficou pequeno nesta terça-feira (5/2), quando a Frente Estadual Pró-Cotas realizou uma plenária aberta para repudiar o PIMESP (Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista). O projeto foi apresentado pelo Governo Alckmin e pelo CRUESP (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo) em dezembro de 2012 como alternativa paulista para a implementação das cotas raciais. Estavam presentes cerca de 200 pessoas, além de deputados estaduais, membros da Defensoria Pública, vereadores e representantes de mais de 60 entidades.

Durante o evento, o professor Dennis de Oliveira, do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro da USP, afirmou que o programa é racista porque cria duas categorias diferentes de estudantes para as universidades de São Paulo. “A proposta estadual parte do pressuposto de que a população negra e pobre é despreparada para entrar na universidade”, completou.

O principal alvo dos críticos é sistema de “college” presente na proposta tucana. Por este sistema, os estudantes que ingressarem nas estaduais paulistas teriam que cursar dois anos em uma espécie de curso de nivelamento à distância para, depois, poderem ingressar nos cursos da USP, Unicamp e Unesp. (mais…)

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A Borduna que virou jornal, por José Ribamar Bessa Freire

Os índios Satere-Mawé guardam, com carinho, uma borduna feita de pau-ferro, denominada Porantim. Ela tem a forma de um remo, onde estão desenhadas figuras, que contam as narrativas e os mitos de origem. É, portanto, uma espécie de ‘livro’. “É a nossa Bíblia. No Porantim está escrito como se formou o mundo, o guaraná e a mandioca”- explica o tuxaua Emilio.

Os velhos da aldeia são capazes de decifrar os desenhos que contam, entre outras, uma história ocorrida em tempos remotos. Eram dois irmãos. O mais velho, Anian’hup wató (o Mal), armado com o Porantim, vivia perseguindo o caçula, Anumar’hi (o Bem) para matá-lo. Depois de muitas peripécias, o Bem consegue tomar a borduna do seu irmãozinho malvado, rachando a cabeça dele com uma cacetada. Por isso, denominamos com esse nome – Porantim – um jornal mensal alternativo, criado em Manaus para divulgar notícias sobre o mundo indígena.

O lançamento oficial foi no 1º de maio de 1978, na livraria do nosso poeta Dori  Carvalho – A Maíra – que na época era um ponto de encontro dos rebeldes da cidade. O jornal tinha três folhas mimeografadas, frente e verso, com um desenho do Porantim feito pelo músico Paulinho Kokai, a partir de foto do Nunes Pereira. Apresentava um requinte adicional: uma espécie de Caderno B, na realidade uma folha de tamanho ofício, dobrada ao meio, contendo artigo sobre educação bilíngüe, escrito por uma lingüista peruana (aliás, muito bonita), que era professora da UFAM. (mais…)

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Aldeia Maracanã: “Incêndio foi criminoso”, dizem índios e Defensoria Pública da União

Apurinã dentro da oca incendiada nesta madrugada. Índios e defensor público acreditam em crime. Ocorrência foi registrada na delegacia

Henrique de Almeida, Jornal do Brasil

“Foi uma confusão danada durante a madrugada, com  todo mundo dormindo”, declarou Afonso Apurinã, um dos líderes da aldeia, que reúne várias etnias indígenas.

Rafael Gonçalves, representante da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro(OAB-RJ), questionou a versão do Corpo de Bombeiros de Vila Isabel, que diz que o incêndio começou por causa de um problema na fiação elétrica. “Nada indica isso, os fios que passam pela oca não estão danificados. Vamos pedir para que isso seja investigado, porque tudo indica que foi um ato criminoso. (mais…)

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Estudos sobre a violência no contexto de Cabo Verde e Guiné Bissau

Fotografia de Sílvia Roque

APRESENTAÇÃO DO LIVRO “JOVENS E TRAJETÓRIA DE VIOLÊNCIA. OS CASOS DE BISSAU E DA PRAIA”, Pureza, J.M; Roque, S.; Cardoso, K. (Orgs), Coimbra, Almedina/CES, 2012.

por António Sousa Ribeiro

Entre as muitas ilusões perdidas ao longo da história catastrófica do breve século XX, avulta, sem dúvida, a da utopia iluminista que via na violência o resquício pré-moderno de um estádio ante-civilizacional, sempre em vias de ser definitivamento superado pela marcha imparável do progresso. Hoje bem de mais sabemos que a dimensão da violência é consubstancial ao projecto da modernidade e que – como, aliás, em justo tempo foi assinalado por Walter Benjamin – não é possível pensar a cultura sem pensar, ao mesmo tempo, a barbárie que constitui o seu reverso inseparável. (mais…)

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DF registra aumento no número de adoções de crianças negras

Por Daiane Souza

Dados da Vara da Infância e da Juventude (VIJ) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que o número de adoções de crianças negras aumentou no último ano, assim como o número de famílias que não têm preferência pelo tom de pele do filho. Atualmente, o Distrito Federal tem cadastradas 133 crianças e adolescentes e 416 pessoas habilitadas para adoção. Segundo os dados da VIJ, um terço das crianças disponíveis é composto por negros e 62% têm idade superior a 12 anos. 85% dos prováveis pais são brancos.

Os números mostram que as adoções seriam plenamente possíveis no DF, praticamente zerando os índices de crianças em orfanatos, não fossem pelos perfis procurados pelos pais disponíveis: recém-nascidos, brancos e sem deficiências. Apesar dos fatos, a VIJ e a CNJ destacam avanços na mudança de cultura, em Brasília, e suas Regiões Administrativas, de modo que a procura por crianças negras tenha crescido significativamente também. (mais…)

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Política agrária federal criou ‘favelas rurais’, diz ministro (!!!)

Gilberto Carvalho afirma que Dilma freou processo para repensar o modelo. Distribuição ampla de áreas para sem terra foi tônica das gestões FHC e Lula, de quem Carvalho foi chefe de gabinete

Fernanda Odillade, de Brasília

Responsável no governo pelo diálogo com movimentos sociais, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) reconheceu ontem falhas na política federal de reforma agrária, dizendo que vários assentamentos se transformaram em “favelas rurais”.

“É real e, infelizmente, verdadeiro que no Brasil há muitos assentamentos que se transformaram quase que em favelas rurais”, disse Carvalho para justificar a política adotada por Dilma Rousseff, a presidente que menos desapropriou áreas para assentamentos nos últimos 20 anos.

“A presidente Dilma fez uma espécie de freio do processo para um ‘repensamento’ dessa questão da reforma agrária e, a partir daí, tomarmos um cuidado muito especial em relação ao tipo de assentamento que a gente promove”, disse Carvalho. (mais…)

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Religiões africanas são principal alvo da intolerância religiosa no Brasil

Preconceito contra confissões como o Candomblé e a Umbanda se manifesta em depredamentos de casas, espancamentos de pessoas e até assassinatos. Especialista vê ainda lógica de mercado na briga entre as religiões.

O número de denúncias referentes à intolerância religiosa no Brasil, feitas pelo Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, aumentou de 15 em 2011 para 109 em 2012. Os principais alvos de discriminação são as religiões de origem africana, como candomblé e umbanda.

Entre os casos está a invasão de terreiros em Olinda, em que “evangélicos com faixas e gritando palavras de ordem realizaram protesto em frente a um terreiro de religião de matriz africana e afro-brasileira”, como descreve um denunciante. Outro caso foi o uso, por uma igreja, de imagens de mães-de-santo, “chamando de feitiçaria e difundindo o ódio pelas redes sociais”, afirma outra pessoa. (mais…)

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